Instituto Desemprego Zero
Origens e Objetivos
O Instituto Desemprego Zero (IDZ) foi criado em outubro de 2007, no Rio de Janeiro, por um grupo de pessoas comprometidas com a luta por uma economia política de pleno emprego no Brasil. O desafio imediato consistiu em enfrentar a onda neoliberal que tomou conta do pensamento econômico desde o Governo Collor e que se aprofundou no Governo Fernando Henrique Cardoso. Seu aspecto mais saliente foi entronizar como preocupação única da política econômica, acima da defesa do emprego e do crescimento, a estabilidade monetária a qualquer custo.
Com uma página na Internet com o endereço “Desemprego Zero”, membros do Instituto e outros colaboradores escreveram centenas de artigos e ensaios sobre economia política brasileira, concentrando o fogo na política monetária de juros altos. Seu fundador e presidente, José Carlos de Assis, fez palestras em várias capitais, em especial para movimentos comunitários e sindicatos. Sua meta era difundir a noção de que a redução do desemprego até sua virtual eliminação é perfeitamente compatível com inflação baixa e estabilidade de preços, como ocorreu na Europa Ocidental e no Japão no pós-guerra.
Depois da segunda eleição do Presidente Lula, e tendo em vista a guinada na política econômica em favor do crescimento (embora ainda não no sentido do pleno emprego), a página do “Desemprego Zero” foi retirada do ar, ficando porém o blog, operado por um grupo de economistas desenvolvimentistas. Não tínhamos patrocinadores e o principal articulista, que atualizava o site com um artigo diário, ficou impossibilitado de continuar a fazê-lo por compromissos profissionais. Esperávamos uma melhor oportunidade para continuar em operação.
A oportunidade surgiu com a crise financeira mundial. Diante do colapso do neoliberalismo, ficou evidente que uma nova ordem econômica só será construída a partir de efetiva cooperação internacional: nenhuma potência, por mais rica e poderosa que seja, poderá fazê-lo sozinha. Além disso, a tomada de consciência universal de que a humanidade está sob o risco de catástrofes devido às mudanças climáticas coloca um freio na ambição destravada do produtivismo egoísta, destruidor da natureza. Também neste caso a solução passa pela cooperação.
Queremos discutir nosso destino enquanto sociedade e enquanto nação.
Na verdade, por trás do colapso neoliberal e do produtivismo destrutivo, está sucumbindo o próprio princípio da liberdade ilimitada, sem consideração do outro. Entramos numa nova era, a Idade da Cooperação. Ela se reflete na realidade interna dos países pela emergência de uma nova ordem econômica, na qual o direito ao trabalho remunerado fica em pé de igualdade com o direito à propriedade privada. O contexto político no qual essa nova ordem está surgindo é o da democracia de cidadania ampliada, que é a garantia do reconhecimento dos direitos das massas.
Na nova fase do Instituto Desemprego Zero voltamos à luta para eliminar o alto desemprego no Brasil, porém no contexto mais vasto colocado pelo site “Rumos do Brasil”. Queremos discutir nosso destino enquanto sociedade e enquanto nação. Uma sociedade governada pelo princípio da cooperação não pode tolerar que uma fração significativa dela veja suas condições de vida e a base de sua dignidade destruídas pelo desemprego. E garantir o pleno emprego não é tarefa da iniciativa privada, mas do Estado.
Mudamos um pouco o foco: o anterior era uma proposta de política macroeconômica de pleno emprego, o que era difícil de ser entendido pelo cidadão comum, que tem dificuldade de ver relação entre a política econômica e o emprego. Agora, o foco é o Programa de Emprego Garantido/Trabalho Aplicado, muito mais concreto. O aumento do emprego, nesse conceito, não tem de esperar pelo crescimento econômico. O crescimento econômico é que é resultado dele. Ele implica a contratação direta de trabalhadores desempregados pelo poder público, do que resulta um aumento da demanda agregada, do investimento e do próprio emprego na iniciativa privada. O Governo Lula deu passos na direção da ampliação do emprego, com medidas eficazes para o enfrentamento da crise mundial. Vamos lutar para que um salto ainda maior seja dado neste ou no próximo Governo.
