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	<title>Rumos do Brasil &#187; Theotônio dos Santos</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>Delírio e poder dos bancos centrais: “a moeda sou eu”</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 14:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Theotônio dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise do Banco Central na Argentina, cujo diretor se rebela contra a presidência do seu país e o apoio dado por várias correntes de oposição à pretensão de independência do Banco Central é mais um episódio que reflete a gravidade dos efeitos da pregação neoliberal na nossa região. No Brasil o COPOM, “conselho” composto pelos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crise do Banco Central na Argentina, cujo diretor se rebela contra a presidência do seu país e o apoio dado por várias correntes de oposição à pretensão de independência do Banco Central é mais um episódio que reflete a gravidade dos efeitos da pregação neoliberal na nossa região. No Brasil o COPOM, “conselho” composto pelos sete diretores do Banco Central e ninguém mais, impede o crescimento econômico do país em plena crise mundial sob a alegação que nossa economia não pode “suportar” um crescimento superior a 5%. Estas atitudes se assemelham a um estado de delírio que pretende continuar a impor-se sobre os Estados nacionais e os colégios eleitorais em nome de um “rigor” técnico e até “cientifico” que tem sido questionado pelos melhores pensadores econômicos do nosso tempo.</p>
<p>Eu tenho insistido em vários artigos e livros, (particularmente em Do Terror à Esperança – Auge e Decadência do Neoliberalismo, Idéias e Letras, 2004) na tese de que o chamado “pensamento único” neoliberal é uma tentativa de reduzir o pensamento econômico aos princípios ideológicos do século XVIII, quando o ideal de uma economia baseada no “livre mercado” fazia parte da luta pela hegemonia social, encetada por uma burguesia em ascensão. Tratava-se de provar a viabilidade de uma economia de base mercantil como força organizadora e reguladora das relações humanas,  procurando-se provar que ela conduziria a uma organização social com alto poder de acumulação de riqueza e de alcance da felicidade humana.</p>
<p>Consolidava-se assim o conceito do indivíduo voltado para o aumento incessante da posse e da busca da felicidade, a ser obtida a partir do comportamento racional pleno, alcançado a partir da total liberdade deste indivíduo possessivo.</p>
<p>Na verdade este indivíduo possessivo precisava de um Estado soberano e centralizado, capaz de garantir o pleno desenvolvimento, desta “liberdade” em espaços geográficos e sociais crescentes. Não é, pois absurdo identificar o apoio desta burguesia ascendente ao Estado Absolutista, no qual a facção monárquica da nobreza utilizava o Estado soberano, unificado e centralizado para abrir os espaços de expansão da burguesia. Luis XIV não era pois um inimigo e sim um aliado provisório. A consigna de Luis XIV era plenamente apoiada pelos forjadores da nova sociedade burguesa. “O Estado sou Eu.”</p>
<p>O poder vertical, altamente concentrado e centralizado, fazia parte do ideal que depois se desdobraria no liberalismo, buscando deter, durante todo o século XIX, a ascensão da democracia revolucionária que alcançara seu mais alto grau na Revolução Francesa, sem esquecer sua pré-estréia através da violência transformadora da Revolução Inglesa, regicida e violentamente concentradora de um poder ainda insuficientemente desenvolvido para consolidar-se.</p>
<p>A burguesia já alcançou este Estado moderno, seu principal instrumento de enriquecimento e poder. Mas ela teve nos seus calcanhares a força revolucionária dos democratas que, através da expansão do voto universal e várias revoltas sociais, minaram constantemente o pleno poder dos liberais. Daí esta necessidade da “democracia” liberal, forjada no começo do século XX para tentar subjugar a democracia aos princípios do liberalismo e de conter, portanto o avanço dos princípios democráticos.  Não foi à toa que o fascismo italiano e o nazismo alemão alcançaram o domínio de toda a Europa continental em poucos anos de ocupações sem nenhuma resistência. Tratava-se de impor o poder do chefe, acima da ação democrática dos povos subjugados. Muito poucos liberais se opuseram sistematicamente ao nazifacismo.</p>
<p>Como seria bom, pensa no fundo todo bom burguês, se o mundo pudesse ser dirigido por um punhado de tecnocratas e políticos carismáticos, com todo o poder da informação em suas mãos, submetidos totalmente ao ideal do enriquecimento que só os burgueses podem satisfazer. Mas a derrota do nazismo foi uma lição profunda. Era necessário abrir algum  espaço para a participação da população na gestão da coisa pública. Era necessário incorporar de forma mais decisiva o ideal democrático no discurso liberal. O indivíduo não só tem o direito de aumentar suas posses indefinidamente, mas ele também precisa incorporar-se ao Estado para garantir uma ordem social superior. Os sociais cristãos do pós-guerra assumiram firmemente estas teses enquanto a social democracia restringia sua origem democrática radical às limitações do liberalismo em vez de submetê-los aos ideais democráticos.</p>
<p>Mas no quadro dos ideais liberais, há certos setores do Estado que estão acima do conhecimento e do poder dos indivíduos que compõem a massa inculta e rebelde. Se o poder não pode mais ser entregue totalmente aos homens de posse e de saber, que pelo menos se reservem os pontos mais cruciais do mesmo. Entre estes está sobre tudo o dinheiro, suprema criação da economia mercantil, que permitiu o pleno poder do capital. É necessário garantir que esta suprema manifestação da riqueza esteja nas mãos corretas. O dinheiro sou EU. Não mais o monarca indicado por Deus, pois não se crê mais nestas coisas, e sim o técnico neutro, acima dos interesses mesquinhos das forças políticas em jogo. A MOEDA SOU EU, afirmam os presidentes dos Bancos Centrais.</p>
<p>Chegamos assim a entronizar este supremo ideal do século XVIII que o domínio dos meios de comunicação nos apresenta como uma suprema expressão de modernidade ou até de pós- modernidade.  O BANCO CENTRAL, lugar privilegiado da Ciência Econômica, esta construção infalível do conhecimento perfeito! O reino destes senhores impassíveis que não aceitam a pressão dos interesses políticos, mas somente as leis inflexíveis da ciência econômica, que tem no MERCADO seu Deus supremo. Assim como os monarcas representavam  o poder divino dos reis, os “técnicos” do Banco Central representam o poder material dos mercados. A economia cumpre o mesmo papel que os filósofos e teólogos escolásticos representaram na Idade Média. Os sábios que tudo podiam deduzir das Sagradas escrituras, foram substituídos pelos técnicos que podem deduzir políticas macro econômicas incontestáveis das equações desta ciência. É bom lembrar sempre que estas fórmulas matemáticas não alcançaram, contudo, a complexidade da matemática contemporânea. </p>
<p>Pois assim como os filósofos escolásticos desconheciam os avanços dos métodos empíricos de conhecimento desenvolvidos durante os séculos iniciais da idade moderna, os nossos “cientistas” econômicos desconhecem o avanço do conhecimento teórico e empírico contemporâneo e continuam pensando com as categorias da burguesia nas suas etapas iniciais, cheias de idealismo filosófico e desprezo pelo conhecimento objetivo e a prática científica moderna.</p>
<p>Estas reflexões são muito úteis quando assistimos a tentativa de reforçar o poder dos bancos centrais hoje totalmente desmoralizado pelas suas intervenções para desregular os sistemas financeiros a serviço dos especuladores mais irresponsáveis. O recente caso da Argentina mostra como estes senhores se consideram no direito de substituir os poderes derivados do voto universal para colocar-se a serviço dos grupos econômicos de sua preferência. O caso brasileiro, contudo, se choca com uma maioria esmagadora da própria classe dominante brasileira que se opõe drasticamente ao delírio dos técnicos “neo neoliberais”, os quais não depõem mais de nenhum teórico de peso para apoiar suas políticas.</p>
<h2>OS CIDADÃOS ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA!</h2>
<p>No caso brasileiro, o Banco Central não é autônomo, mas não se deixa abalar por um grito quase unânime de empresários, trabalhadores, profissionais e políticos contra sua política de juros altos que coloca o Brasil muito abaixo do crescimento das economias que compõem os BRICS. Durante os últimos trinta anos o Brasil manteve uma taxa de crescimento ínfima com alta inflação, mesmo nos períodos que pretendeu eliminá-la. Enquanto a China, a Índia e só parte da Rússia mantiveram taxas de crescimento espetaculares com baixa taxa de inflação. Estes fatos dolorosos para a burguesia industrial brasileira, mas também para amplos setores da população do país, não comovem minimamente os “técnicos” do setor financeiro do país que dominamos meios de comunicação e afirmam repetidamente sem nenhum pudor que crescimento gera inflação e que a única maneira de contê-lo são os juros altos.</p>
<p>Se a palavra de alguns dos principais economistas do país que não trabalham para o setor financeiro não é tomada em consideração, se a opinião de todos os colégios e associações de economistas do país não conta, se não conta também a opinião dos centros de estudo das federações da indústria, a de seus dirigentes junto com os do comércio e da agricultura, se não conta a opinião dos sindicatos e dos movimentos sociais, nem tão pouco a das ONGs, será que o Presidente da República não acreditaria na opinião de um dos mais sérios Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, quando em importante artigo recente se refere ao “regime de metas de inflação, segundo o qual sempre que os preços sobem acima de determinado nível os juros devem ser elevados. Esta receita se baseia em rala teoria econômica  ou  evidência empírica; não há razão para esperar que, qualquer que seja a fonte da inflação, a melhor resposta seja elevar os juros. Espera-se que a maioria dos países tenha o bom senso de não implementar esse regime; minha simpatia vai para os infelizes cidadãos daqueles que já o fizeram.”(1)</p>
<p>É razoável que um governo use mais de 30% dos gastos públicos para pagar juros a um grupo de ociosos que concentram a renda nacional, baseado única e exclusivamente numa tese de “ralo” fundamento teórico e empírico?  É  razoável que sete cidadãos acima de toda suspeita e de todo o país tenham o direito de decidir o aumento colossal do gasto público para baixar uma inflação pela qual  eles são, em grande parte, os responsáveis? Porque a lei de responsabilidade fiscal não se aplica a estes senhores? Eles podem criar despesa (ou juros não é despesa, e a mais inútil possível?) sem indicar as fontes para cobri-las, exceto obrigar o governo a diminuir os gastos necessários para o atendimento da população e para os investimentos ultra necessários para um país que vem se submetendo há anos a uma estagnação programada e ideologicamente sustentada. Com isto contrariam &#8211; sem nenhuma penalidade &#8211; a lei de responsabilidade fiscal que tanto elogiam&#8230;</p>
<p>Quando afirmo que são responsáveis pela inflação é porque, em boa teoria econômica e com respaldo nos fatos, a mais alta taxa de juros do mundo é geradora de uma das mais altas inflações do mundo. O Brasil do tão elogiado plano real manteve uma das mais altas inflações do mundo no período de 1994 a 2002. Nestes anos, houve uma queda brutal da inflação mundial e até mesmo uma situação de deflação no mundo que o Brasil acompanhou em geral, mas sempre se mantendo no mais alto patamar da inflação mundial.   Compare-se a taxa de inflação no Brasil com os dados sobre a inflação mundial para este período quando ela apresentou pouquíssimos casos acima de dois dígitos, e muito poucos acima de 5%. O patamar no qual se situou o Brasil na maior parte do tempo ultrapassou gravemente os índices mais altos de inflação no mundo.</p>
<p>The Economist dedicou um número especial à crise dos bancos centrais, devida aos seus sucessivos fracassos para prever as crises financeiras, que marcaram a década dos 90s e a primeira década do século XXI. Neste informe extremamente negativo para os Bancos Centrais a revista conservadora apresentava um gráfico das taxas de inflação nas décadas de 80, 90 e 2000 que confirma claramente nossas análises sobre estas políticas realizadas desde a década de 80, com precisão e corretas previsões. Estes dados se encontram em Keneth Kuttner &amp; Adam Posen, “Do Markets Care Who Chairs the Central Bank?”, NBER Working Paper 13101, 2007.</p>
<p> O Annual Report do Banco Mundial de 2007 mostrou que “na atualidade, a taxa de inflação é de menos de 10% em todas as regiões em desenvolvimento”. Os dados de um estudo do Banco Mundial sobre a inflação nestes países de 1990 a 2005, publicados neste mesmo informe, mostram claramente que as economias com altas taxas de crescimento geralmente têm baixas taxas de inflação e vice versa. Por exemplo, a China apresenta neste período uma taxa media de crescimento de 10% e uma taxa média de inflação próxima aos 5%, enquanto o Brasil apresenta uma taxa de crescimento de 2,5% aproximadamente e uma taxa de inflação média de 70%. E lembre-se que todos os planos econômicos (inclusive o plano cruzado) deste período no Brasil apresentaram altíssimas taxas de juro enquanto a China as manteve extremamente baixas. </p>
<p>A explicação não está só nas debilidades de nossa oferta, sempre pressionada para baixo devido à queda ou estagnação permanente de nossa demanda. Nosso povo tem extremas necessidades não atendidas, mas não tem renda para obtê-las não podendo criar nenhuma “explosão de demanda” como temem nossos economistas, que sempre encontram razões para impedir o avanço de nosso povo. Trata-se dos mesmos que previam o fim do sistema produtivo brasileiro se terminasse a escravidão.</p>
<p>Temos que pensar também no lado da oferta econômica. Esta inclui uma variável que a “Ciência Econômica” dos neoclássicos para cá não pode conceber: a taxa média de lucros. Ela é profundamente afetada pela taxa média de juros. Conseqüentemente, o preço dos produtos é profundamente influenciado pela taxa media de juros, pois ao elevar-se esta taxa,  se eleva a taxa de lucro necessária para pagar estes altíssimos juros, e se elevam portanto os preços e o próprio  patamar da inflação.</p>
<p>Esta cadeia negativa é independente dos impactos da taxa de câmbio que nos últimos 18 anos tem sido afetada por uma tendência à sobrevalorização do real que eleva o patamar internacional de nossos preços e, por tanto, nos mantém num altíssimo padrão de preços: uma inflação oculta, pois  a taxa  inflacionária não aparece como muito alta. É claro, pois que a taxa de inflação aumenta com o aumento da taxa de juros paga pelos empresários produtores.  Não há, pois nenhuma razão para supor que uma queda na taxa de juros provocará uma tendência a aumentar a inflação. Se os demais fatores não atuarem de maneira contrária,  devemos esperar uma baixa da inflação. Como vem ocorrendo no último ano (2009) com a queda da taxa de juros cai também a taxa de inflação. E cairia muito mais se mais caira a taxa de juros e mais aumentaria a taxa de crescimento, aproximando-nos da situação virtuosa que vivem China e Índia.</p>
<p>Voltando ao Brasil atual, é necessário agregar ainda o fato de que o aumento do pagamento de juros pelo Estado aumenta dramaticamente o gasto público e provoca uma pressão inflacionária tanto mais importante quanto cresce a massa de dívidas a pagar. E é necessário ter bem claro que esta dívida pública não cresce porque o Estado gasta muito em suas atividades próprias. Ela cresce para pagar a si mesma. É por isto que vivemos este paradoxo de um pais que tem superávit fiscal primário ( e por tanto gasta menos do que arrecada )  e tem  a maior taxa de juros do mundo. Isto contraria evidentemente as leis do mercado.</p>
<p>Um país com superávit fiscal teria que pagar baixíssimos juros, pois não tem necessidade de empréstimo, exceto pelo fato absurdo de que suas próprias autoridades financeiras pagam, contra toda a lógica do mercado, os mais altos juros do mundo&#8230; E,  diga-se de passagem,  que este juro sempre aumenta,  mesmo quando cai a taxa de juros mundial (sob a alegação de que se deve atrair capitais do exterior – mas para que?- para pagar um déficit comercial que hoje por exemplo não existe)  ou mesmo quando temos altos superávits fiscais ( para pagar as dívidas geradas pelos juros altos que estes “técnicos” determinam!!!).</p>
<p>Para arrematar este conjunto de paradoxos, vemos as agências internacionais de risco diminuírem o risco Brasil enquanto nosso Banco Central nos considera o mais alto risco do mundo e sempre querem elevar nossa taxa de juros ainda mais. Ora, o modelito que calcula nossa taxa de juros está baseado na taxa de juros internacional formada em Nova York (que está em queda) mais as subjetivas taxas de risco que o pais apresentaria. Se nossa taxa de risco baixa, o modelito só poderia acusar uma baixa da taxa de juros ou então seus formuladores teriam que se opor às opiniões das agências de risco. Inexplicavelmente, em vez de protestarem contra esta apreciação positiva mas, contrária à sua política de juros, os dirigentes do Banco Central saúdam esta queda de riscos considerando-a muito adequada!!!</p>
<p>Senhor Presidente da República: não existe nenhuma teoria econômica nem nenhuma evidência empírica que possa explicar esta conduta. Quando a inflação mundial estava baixando (e eu estudei neste momento o fenômeno da deflação, incorporado posteriormente estas conclusões no meu livro já citado Do Terror à Esperança: Auge e Declínio do Neoliberalismo ), o Banco Central manteve a nossa inflação acima da média mundial. Agora que há o risco de uma pequena pressão inflacionária mundial, ainda que localizada,  a política de altos juros existente vai nos colocar sob forte pressão inflacionária, pois como vimos as altas taxas de juros só fizeram manter o nosso país sob alto nível inflacionário. E as altas inflações justificaram mais altas taxas de juros. Senhor Presidente: não acredite que estas altas taxas de juros são anti-inflacionárias, elas são criminosas, estimulam e provocam a inflação.  Se Sua Excelência quer deter a inflação e estimular o crescimento, por favor coloque-se por cima destes cidadãos acima de toda suspeita e escute o clamor do seu povo.</p>
<h3>Referência:</h3>
<ul>
<li>(1)   Joseph E. Stiglitz, “A falência das metas de inflação”, O Globo, 7 de junho de 2008, p. 7.</li>
</ul>
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		<title>Caral – reescrevendo a história antiga</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 12:18:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Theotônio dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[No forte movimento histórico atual de questionamento da visão eurocêntrica da história, a descoberta e o avanço das escavações arqueológicas em Caral, no Peru, ocupa um lugar excepcional. Até então se datava as primeiras civilizações americanas próximas a 3.200 anos atrás (1.200 antes de Cristo), com a admirável civilização Olmeca (na qual se encontra uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No forte movimento histórico atual de questionamento da visão eurocêntrica da história, a descoberta e o avanço das escavações arqueológicas em Caral, no Peru, ocupa um lugar excepcional. Até então se datava as primeiras civilizações americanas próximas a 3.200 anos atrás (1.200 antes de Cristo), com a admirável civilização Olmeca (na qual se encontra uma enorme escultura de um rosto com as características negroides sugerindo um contato pré-histórico entre a América e a África). As descobertas pré-históricas no Piauí, Brasil, indicavam, contudo uma presença demográfica importante na America do Sul. Outras descobertas no Peru reforçavam esta idéia de que talvez a America do Sul foi habitada antes da America do Norte, contrariando as teorias sobre o papel do estreito de Bhering como o canal da colonização asiática das Americas.</p>
<p>Caral se encontra nas costas do Pacifico peruano, num terraço desértico por cima do vale irrigado pelo rio Supe. O rio favorece os campos de cultivo em frente das montanhas da Cordilheira dos Andes. Seu desenho arquitetônico planejado atesta a existência de uma organização social complexa, de uma economia pesqueira, agrícola e manufatureira avançada, uma atividade religiosa, artística e cultural muito desenvolvida e uma acumulação extremamente importante dos conhecimentos necessários para produzir uma civilização.</p>
<p>É importante destacar, contudo que, apesar do aparente abandono e ocultamento destas construções, esta região é ainda um centro ritual dos indígenas. Nas palavras de Ruth Shady, arqueóloga peruana que dirige os trabalhos de estudo da região, e autora de um fantástico livro sobre Caral – La Primera Civilización de América (ilustrado magnificamente por Christopher Kleihege, fotografo norte-americano):</p>
<p><em>“Uma serie de redes de comunicação regional e inter-regional, ao longo da costa e com a selva e a selva andina, dinamizou o processo cultural, civilizador e promoveu seu desenvolvimento precoce, a partir de 3.000 antes de Cristo. Populações com diferentes modos de vida, experiências de adaptação, culturas e sistemas políticos participaram nestas esferas de contato. Mas a sociedade de Supe, colocada no centro deste território, com vantagens para a comunicação transversal, soube atrair em seu beneficio a produtividade das sociedades da área.”</em></p>
<p><em>“O prestigio alcançado pela civilização Caral marcou o processo cultural peruano: os famosos geoglifos de Narca têm seu antecedente em Caral, 3.300 anos antes; alguns elementos arquitetônicos, ícones e a escritura quipu foram usados pela sociedade de Lima, assim como pelo Império Inca, que também os assumiu 4.400 anos depois de Caral. Os Incas construíram edifícios com plataformas à base de grandes monólitos, como em Sacsaghuaman, com portas de dupla ombreira ou paredes ornamentadas com abóbodas, como já o havia feito a sociedade Caral milênios antes. Inclusive o idioma quéchua, vinculado pela pesquisa lingüística com o território onde teve sua presença a civilização Caral, foi a língua de relação mais extensa, usada desde então por distintas sociedades até o presente.”</em></p>
<p><em>“A civilização Caral transcendeu no tempo e influenciou diversas sociedades andinas com elementos culturais, padrões sociais e ideológicos. Alem da pluriculturalidade ou do multilinguismo que caracterizou o processo cultural do Peru, Caral foi a civilização compartida como substrato, o eixo que continua integrando as populações através do espaço e do tempo.”</em></p>
<p>É assim que Ruth Shady questiona os estudos de uma teoria das civilizações realmente universal como aspiramos construir em nossos dias ao apresentar um novo mapa do surgimento das civilizações humanas conhecidas até agora. Nele, Caral, com 5.000 anos de antiguidade, se junta à África, do Egito antigo, com 5.500 anos de antiguidade, próxima da Mesopotâmia, com 5.700 anos, a Índia com 4.500 anos, a China, com 3.900 anos e finalmente Creta, com 3 000 anos de antiguidade.</p>
<p>Este mapa mostra claramente o quanto temos que refazer nossas cabeças para pensar uma historia universal que nos conduza à idéia de uma civilização planetária.</p>
<p>Esta civilização será uma síntese multi-estatal, multinacional, multicultural, multi-ideologica do esforço heróico da humanidade para construir neste planeta uma só sociedade humana, com absoluto respeito à diversidade do ser humano, das formas de vida e da complexidade deste pequeno espaço do cosmos que ocupamos com orgulho de conquistadores. Frustrados pelas horripilâncias destrutivas que resultam de nossa ocupação da terra, preparamos, um novo tempo de valores universais que instaurem uma nova humanidade, criadora, sustentável, igualitária e justa, onde cada individuo herdará esta aventura civilizatória universal, sem romper com a força cultural  de suas origens comunitárias e locais. Este indivíduo será preparado, para criar, a partir desta acumulação colossal, as bases de um novo e constante desenvolvimento humano.</p>
<p>Um outro mundo é possível e necessário.</p>
<p><strong>NOTA</strong>: Quem quiser conhecer mais do que Machu Pichu quando for ao Peru, além de varias outras riquezas arquitetônicas e arqueológicas do país, pode entrar em contato com a <a href="http://www.caralperu.gob.pe">Proyecto Especial Arqueológico Caral-Supe/INC</a>.</p>
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		<title>Las lecciones de Honduras</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2009/11/30/las-lecciones-de-honduras/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 15:43:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Theotônio dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[Corre un revelador chiste entre los presidentes latinoamericanos: -&#8221;- Sabes porque no hay golpes de Estado en los Estados Unidos?&#8221; -&#8221;No!&#8221; -&#8221;Porque en los EE.UU. no hay embajada de EE.UU.&#8221; Además, sabemos que los golpes en Estados Unidos se dan através del asesinato puro y simples de sus presidentes (como en el caso de John [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Corre un revelador chiste entre los presidentes latinoamericanos:</p>
<p>-&#8221;- Sabes porque no hay golpes de Estado en los Estados Unidos?&#8221;</p>
<p>-&#8221;No!&#8221;</p>
<p>-&#8221;Porque en los EE.UU. no hay embajada de EE.UU.&#8221;</p>
<p>Además, sabemos que los golpes en Estados Unidos se dan através del asesinato puro y simples de sus presidentes (como en el caso de John Kennedy) o con la ayuda de la Suprema Corte para impedir el recuento de los votos (como en el caso de de Bush).</p>
<p>Apesar de estos y muchos otros precedentes, vemos ahora los líderes del Partido Demócrata indignarse con la falta de recontaje de votos en Irán, acusado de ser una tremenda dictadura.</p>
<p>Pero cual es la lección de Honduras? Por la primera vez en la historia, los Estados Unidos apoyan la condena de un golpe de Estado en América Latina permitiendo que se realize una condena unánime de un acto de fuerza militar en todas organizaciones internacionales.</p>
<p>Esto quiere decir que de esta vez la embajada americana no participó del acto de fuerza? Desgraciadamente no. De manera indiscreta, un diputado de la derecha hondureña reveló publicamente la conspiración que mantenían los golpistas con la embajada de EE.UU.</p>
<p>Él lo hizo en la memorable sección de primitivo disfráz democrático en la cual se realizó la “elección” del “sucesor” del presidente Zelaya, que hubiera renunciado según la carta falsa leída por este bizoño “sucesor”, que se olvidó de forjar una carta de renuncia del vice-presidente, a quien cabería suceder al presidente secuestrado. Esta sección fue transmitida por la Radio Globo de Honduras, última a ser silenciada por los “demócratas” del “gobierno provisorio”.</p>
<p>Según este diputado, el embajador de Estados Unidos, que aprobaba la mobilización golpista, había estado en contra de realizar el golpe antes de la consulta popular, apodada de “referendum” por la suprema corte hondureña y por la gran imprensa internacional que busca desesperadamente justificar el golpe.</p>
<p>Sería muy difícil creer que el gobierno de Estados Unidos estuviera ausente de la conspiración en un pais que sirvió de base a sus organizaciones militares mercenarias que desestabilizaran el gobierno legítimo de los sandinistas. En este mundo de contra información en el cual  vivemos,  escuché al locutor de la TV Globo News en Brasil decir que las organizaciones militares de los “contras” hondureños luchavan contra los “guerrilleros” nicaraguenses.</p>
<p>Sabemos todos los altos costos de estas operaciones de guerra de baja intensidad, las cuales pueden servir de modelo de corrupción para las organizaciones de respecto a los derechos humanos y transparencia. El congreso de Estados Unidos se ocupó de revelarnos los detalles tenebrosos de la operación triangular en contra del gobierno sandinista, comandada por el entonces vice-presidente de Estados Unidos, George Bush:</p>
<p>El gobierno de Estados Unidos expandió las operaciones del contrabando de drogas a partir de Colombia a través de los “contra” hondureños, costarricences y salvadoreños. Sus ganancias servían para financiar sus operaciones y, al mismo tiempo, para comprar armas para el eterno “enemigo” público de  EE.UU., el gobierno del Irán.</p>
<p>Apesar de sus diferencias, los líderes religiosos iranis habían acordado con el entonces candidato George Bush prolongar el secuestro de los norteamericanos prisioneros en su embajada en Teherán para desmoralizar a Carter y permitir la victoria electoral de Reagan  en cambio de esta ayuda miligar secreta.</p>
<p>Inmediatamente surgen las acusacones de que este tipo de información hace parte de teorías “conspirativas”. Sin embargo, estamos nos refiriendo a los hechos revelados por las investigaciones del congreso de Estados Unidos que, al que todo indica, sí cree en las conspiraciones, exitosas o fracasadas.</p>
<p>Estas conclusiones se refuerzan con los planteamientos de Ramsey Clark y el Obispo Filipe Teixeira de la Diocese Saint Francis of Assisi, en su mensage urgente al Presidente de Estados Unidos:</p>
<p>Tomando en consideración:</p>
<ol>
<li>La cercana colaboración de los militares de Estados Unidos con el ejército hondureño manifestado por el entrenamiento y los ejercicios comunes;</li>
<li>El papel de la base militar Soto Cano, ahora bajo el comando del coronel Richard A. Juergens, quien era Director de Operaciones Especiales durante el secuestro en febrero del 2004 del Presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide;</li>
<li>Que el jefe del Estado Mayor del ejército hondureño general Romeo Vásquez fue entrenado en la Escuela de las Américas de los EEUU;</li>
<li>Que el Secretario Adjunto de Estado Thomas A. Shannon Jr. y el Embajador de  los EEUU en Honduras, Hugo Llorens estaban plenamente enterados de los conflictos que conducían al golpe militar,</li>
</ol>
<p>Concluimos que el gobierno de Estados Unidos tiene responsabilidad del golpe y está obligado a exigir que el ejército hondureño regrese al orden constitucional y evite acciones criminales contra el pueblo hondureño.</p>
<p>Por lo tanto insistimos, por de la paz en la región, que el presidente Barack Obama corte inmediatamente toda la ayuda y las relaciones con el ejército de Honduras y suspenda todas las relaciones con el gobierno de Honduras hasta que el Presidente constitucional regrese a su puesto.”</p>
<p>En resumen, el curriculum norte americano en Honduras muestra la dificultad de confiar en sus designios democráticos en la región. Quizás la vuelta de los sandinistas y de los revolucionarios salvadoreños al gobierno después de años de brutal represión en sus países haya enseñado algo a la diplomacia estadounidense, aún vacilante en condenar definitivamente el golpe de Estado hondureño.</p>
<p>La prensa internacional expresa estas vacilaciones al llamar a Zelaya de presidente “depuesto” y al golpista Roberto Micheletti de presidente “interino”; al llamar la consulta no vinculatoria propuesta por Zelaya para crear un Constituyente de “referendum” para perpetuarlo en el poder. Cosas que no se escucha sobre el presidente asesino de Colombia que busca el tercer período presidencial, ni se escuchaba sobre las pretensiones reeleccionistas de Fujimori o Menen o Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>Es también revelador de sus motivaciones la ausencia de referencia en la prensa a la falsa carta de renuncia del presidente Zelaya leída en el parlamento para justificar la elección de su sucesor. Es cómico que se afirme que este señor fue elegido por unanimidad cuando no comparecieron a esta sección los diputados gobiernistas amenazados de prisión. Por fin, entre otras insidiosas tergiversaciones, se pretende que hay confronto más o menos igual entre los defensores del golpe armados  y los desarmados protestos en contra del mismo.</p>
<p>Todo esto y las declaraciones de la secretaria Hilary Clinton sobre el necesario respecto  de las instituciones hondureñas que tienen acuerdos con E.E.U.U. nos muestra que hay divergencias dentro del gobierno de los EE.UU. Con el fantástico apoyo internacional con el cual cuenta el presidente Zelaya, se está buscando obligarlo a una negociación espuria con los golpistas. Hasta hoy la justicia venezolana no acepta definir como un golpe de Estado lo que realizaron sus gorilas locales en 2002. Imagínese lo que van a proponer en Honduras&#8230;</p>
<p>Zelaya y el pueblo hondureño tienen muchas dificultades por el frente pero no deben acobardarse delante de ellas. No tiene porque bajar su cabeza frente a los mercenarios y sus jefes, ni frente a los golpistas que son despreciados por toda la humanidad, a pesar de los apoyos abiertos o mismos disfrazados de los grandes medios de comunicación.</p>
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		<title>El Sapo y el escorpión: a propósito de Honduras</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 18:32:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Theotônio dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece que los chistes nos permiten entender mejor a los EEUU: El escorpión pidió al sapo para transportarlo hasta el otro lado del río. El sapo dijo que no, pues él lo picaría. “Pero esto es ilógico”, dijo el escorpión, “sí yo te pico moriremos ambos pues yo me ahogaría junto contigo”. El sapo lo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que los chistes nos permiten entender mejor a los EEUU:</p>
<p>El escorpión pidió al sapo para transportarlo hasta el otro lado del río. El sapo dijo que no, pues él lo picaría.</p>
<p>“Pero esto es ilógico”, dijo el escorpión, “sí yo te pico moriremos ambos pues yo me ahogaría junto contigo”. El sapo lo creyó y lo transportó. </p>
<p>En la mitad del río el escorpión lo picó. El sapo desesperado protestó: “Pero vamos a murir ambos. Tú me lo hiciste comprender…”</p>
<p>“Verdad”, digo el escorpión. “Pero no puedo ir contra mi propia naturaleza”.</p>
<p>Desde hace mucho asistimos la terrible historia del escorpión imperialista. Los Estados Unidos terminaron la sangrenta guerra mundial eliminando 200.000 japoneses en pocos segundos. Fue el único país en el mundo que se atrevió a tirar la bomba atómica. El resto del mundo reaccionó y crearon sus poderes nucleares. Esto llevó el mundo al terrible equilibrio nuclear que nos condujo a la situación estratégica de la “destrucción mutua” o el fin de la humanidad como consecuencia inevitable del holocausto nuclear. Razones del escorpión.</p>
<p>¿Y todas estas guerras que el imperialismo ha hecho desde la II Guerra Mundial para preservar “la democracia occidental cristiana”? Ellas terminaron por mover su propio pueblo en contra de las guerras coloniales como  en Vietnam</p>
<p>¿Y su estímulo y entrenamiento a los fundamentalistas islámicos para derrotar la invasión soviética del Afganistán y para detener el avance del partido Baath en el Oriente Medio que luego se convirtió en arma anti norteamericana llevando el terrorismo hacia dentro de los Estados Unidos?</p>
<p>¿Cuántas veces más el escorpión amenazará la supervivencia de la humanidad?</p>
<p>En América Latina el escorpión destruye su posible base de apoyo panamericana. Su desprecio de los pueblos latinos en tan profundo que no consiguió ponerse una sola vez del lado de las fuerzas progresistas en la región. Ni mismo las independencias latinoamericanas,  que les interesaban tanto pudieron convertirse en fuente de amistad y colaboración. Ya Bolívar lo percibió. Después Martí lo advinó cuanto previó que el monstro anglosajón se apropiaría finalmente de las luchas por la independencia de Cuba y Puerto Rico para intentar convertirlos en sus colonias.</p>
<h2>Véase ahora el caso de Honduras.</h2>
<p>Una oportunidad para redimirse del rastro de terror que dejaron en la región los regímenes militares impuestos por los gobiernos estadunidenses. EE.UU. votó con los países latinos que la OEA (que se le escapa de las manos después de servirle tantas veces) pero en seguida demuestra su “naturaleza” golpista e antidemocrática al equiparar los golpistas al presidente constitucional que todas las naciones del globo reconocerán como legitimo presidente de Honduras en unas negociaciones más bien dilatorias que eficaces.</p>
<p>Y llegamos a asistir la secretaria de Estado llamar de “imprudente”  el intento de presidente constitucional de reingresar a su país. Su discurso fue repetido por el jefe golpista con las mismas palabras. Vamos a morir todos nosotros y la democracia en la región si dependernos del escorpión para a travesar el río de la democratización. Pues ella no vendrá sin una confrontación con el imperialismo estadunidense.</p>
<p>Es increíble ver como el imperio se rebela contra de los resultados de la democratización de la región. La democratización creó gobiernos cada vez más contrarios al reino neoliberal impuesto por las instituciones internacionales impuestas desde Washington. Bajo presión de estas fuerzas, los mandatarios electos contra el neoliberalismo  se convirtieron en seguida en  sus más fríos ejecutores.</p>
<p>Como reacción al avance de las fuerzas populares en la región mientras se ocupaban de las guerras sin fin en el Medio Oriente fueron rehaciendo sus alianzas con las fuerzas más reaccionarias de la región. Veamos algunas de ellas:</p>
<p>El abogado de los jefes de la droga en Colombia, elegido por los esquemas más terribles del narcotráfico y que se apoya en los asesinos de las pandillas paramilitares.  Este es exactamente el gobierno donde se concentran las tropas estadunidenses.</p>
<p>Los separatistas racistas de Bolivia que ponen en riesgo la paz en toda América del Sur  mientras despliegan abiertamente las banderas del racismo anti indígena .</p>
<p>El supuesto heredero peruano de la consigna de la “América indígena” que asume la responsabilidad de la represión a los indígenas y al movimiento popular en el centro mismo del antiguo imperio inca.</p>
<h2>El presidente “no elegido” de México.</h2>
<p>La oposición golpista de Venezuela que ha recurrido a las formas de lucha más violentas e irracionales.</p>
<p>¿Cuántas aliados más estarán  transportando al escorpión asesino y suicida?</p>
<p>Esta política suicida pone en riesgo todos los pueblos de la región. El imperialismo nunca ha sido tan minoritario, violento y abiertamente reaccionario. El gobierno Obama está viviendo su prueba de fuego. Ninguno de sus actos liberales y democráticos fue acatado por el Estado norteamericano.</p>
<p>La minoría republicana ha logrado paralizar todos los avances &#8211; aún modestos pero importantes – que inició en contra de la naturaleza mórbida del capitalismo monopolista de Estado en que se funda el imperialismo estadunidense. Tenemos graves enfrentamientos por vivir. El escorpión dominará el siglo XXI y nos arrastrará a la carnicería que nos trajo el nacimiento del capitalismo monopolista con las 2 guerras “mundiales” y las terribles guerras coloniales del siglo XX?</p>
<p>Como vemos, el enfrentamiento regional latinoamericano se desplaza hacia el centro del sistema. La vitoria espectacular de Obama indica claramente el grado de rechazo existente en los EE. UU. en contra de los métodos terroristas de Bush hijo y la pandilla que llevó al poder. Pero los hechos de Honduras (como el desmonte de Guantánamo, el intento de negociaciones con Irán y de paralización del holocausto dirigido por Israel contra el pueblo palestino, entre otros intentos de cambio estratégico) indican claramente que las fuerzas ultra derechistas continúan firmes y actuantes dentro del Estado norteamericano.</p>
<p>Los Europeos resolvieron intervenir entregando el premio nobel de la paz a Obama, enapoyo a sus buenas intenciones y en rechazo a la oposición derechista republicana.</p>
<p>En este momento se juegan las cartas definitorias de nuestro futuro inmediato:  podrá el escorpión imperialista superar su propia naturaleza? Solamente la derrota del imperialismo podrá garantizar la supervivencia de la humanidad. Esta convicción deberá orientar nuestros pasos en esta nueva etapa de lucha en escala mundial.</p>
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		<title>As trapalhadas de José Serra</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 20:59:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Theotônio dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[embaixada do panama]]></category>
		<category><![CDATA[honduras]]></category>
		<category><![CDATA[manuel zelaya]]></category>

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		<description><![CDATA[Estimado Serra Você sabe que sou muito agradecido ao seu gesto solidário de negociar, em 1973, meu asilo na Embaixada do Panamá no Chile e transportar-me até lá enfrentando a violência dos golpistas chilenos. O fato de você, naquele momento, estar teoricamente protegido pela sua condição de funcionário internacional não diminui em nada sua coragem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="RDB-sem-capital">
<div id="attachment_566" class="wp-caption alignleft" style="width: 303px"><a class="RDB-sem-capital" href="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2009/10/As-trapalhadas-de-Jose-Serra.jpg"><img class="size-medium wp-image-566" title="As trapalhadas de Jose Serra" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2009/10/As-trapalhadas-de-Jose-Serra-293x300.jpg" alt="Ilustração: William Medeiros" width="293" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração: William Medeiros</p></div>
<h2>Estimado Serra</h2>
<p>Você sabe que sou muito agradecido ao seu gesto solidário de negociar, em 1973, meu asilo na Embaixada do Panamá no Chile e transportar-me até lá enfrentando a violência dos golpistas chilenos. O fato de você, naquele momento, estar teoricamente protegido pela sua condição de funcionário internacional não diminui em nada sua coragem pessoal ao ajudar a mim e a outros companheiros ameaçados pelos militares golpistas. Sobretudo, quando alguns dias depois, você mesmo teve que se “abrigar” (como o presidente Manuel Zelaya) na embaixada da Itália, de onde saiu posteriormente para os Estados Unidos. Dias duros aqueles, como os que vivemos também no Brasil em 1964.</p>
<p>Por isto mesmo me surpreendem imensamente as suas declarações sobre as “trapalhadas” cometidas pelo governo brasileiro ao “abrigar” o presidente Zelaya para que pudesse encaminhar a luta política, retomando materialmente o cargo que nunca abandonou. Todos os países membros das Nações Unidas o consideram, em reunião da Assembléia Geral desta instituição, presidente legal de Honduras.</p>
<p>É lamentável ver como vários políticos e colaboradores da grande imprensa brasileira, além de seus editorialistas, contestam esta impressionante decisão unanime. É impressionante ver o tratamento que se dá ao presidente eleito de uma república amiga aceitando versões abertamente mentirosas sobre uma suposta inconstitucionalidade de suas ações no poder que justificariam um golpe de Estado contra ele.</p>
<p>Vejamos algumas destas mentiras assumidas pelos políticos de seu partido e, ao que tudo indica, por você mesmo:</p>
<p><strong>1-</strong> Segundo um jurista do próprio PT, Dr. Dalmo Dallari, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o presidente Zelaya teria desobedecido ao artigo constitucional (inclusive, de caráter pétreo) que proíbe a reeleição em Honduras. O motivo foi propor a realização de uma consulta popular, não vinculatória, durante as próximas eleições presidenciais (a famosa “4ª urna”), sobre a conveniência de convocar um plebiscito, este sim vinculatório, para a realização de uma Assembléia Constituinte em Honduras.</p>
<p>Portanto, a interpretação de que esta consulta conduziria a uma possível reeleição do presidente Zelaya é um absurdo lógico e jurídico, pois já se estaria votando no novo presidente da República quando a população “opinaria” sobre a possibilidade de convocar um plebiscito. Era, pois, materialmente (e não só logicamente) impossível que tal consulta tivesse algo a ver com a possibilidade de reeleição do presidente Manuel Zelaya, como se insinua e se pretende converter em fato jurídico anticonstitucional. Zelaya nunca defendeu a sua reeleição e não propôs nenhuma ação neste sentido. Talvez se esteja tentando extrapolar de maneira absurda, para o Presidente Zelaya, as condutas de presidentes latino-americanos como Uribe na Colômbia, Fujimori no Peru e Fernando Henrique Cardoso no Brasil, entre vários outros, que sim conseguiram, desde o poder, reformas constitucionais para permitir suas reeleições.</p>
<p>Por que você aceitou estas mentiras Serra? Não vê que isto compromete seu partido e você pessoalmente com uma mentira reconhecida mundialmente? Isto sim me parece uma trapalhada.</p>
<p><strong>2-</strong> No mesmo artigo, o antigo jurista do PT, professor Dalmo Dallari, convalida uma versão mentirosa dos graves acontecimentos em Honduras. Segundo ele, o presidente Zelaya foi deposto pela Suprema Corte de Honduras. Não é verdade. O presidente Zelaya não foi “deposto” por ninguém. A Suprema Corte expediu uma ordem de prisão do mesmo depois que ele foi substituído pelo Sr. Micheletti, e expulso para Costa Rica. O ato de “substituição” e não de demissão consistiu no seguinte:</p>
<p>No dia 28 de junho, o Congresso de Honduras tomou conhecimento de uma carta falsa, lida pelo seu presidente Micheletti, na qual o Presidente Zelaya se demitia do seu cargo. Foi fundamentado nesta ação criminosa de falsificação que se decidiu dar posse, no seu lugar, ao presidente do Congresso. Pretender que um ato fundado numa “falsificação ideológica” seja constitucional é uma afirmação indigna de qualquer constitucionalista. As várias “informações” sobre as “maldades” do Presidente Zelaya, feitas pelos mais distintos cúmplices do golpe (Corte Suprema etc.) não são atos de demissão e sim invenções para reforçar uma situação totalmente ilegal. Se houvesse algum ato legal de demissão, nunca se teria necessitado uma carta falsa. Por sinal, o mesmo método tinha sido usado em 2002 no golpe contra Hugo Chávez.</p>
<p>Se se necessita de uma “prova” de que a Suprema Corte não demitiu o presidente Zelaya, e nem poderia fazê-lo, tome-se o comunicado da mesma, emitido no dia 29 de junho, um dia depois da “substituição” do presidente por ato não identificado com a Suprema Corte:</p>
<p>“(…) Con fecha 29 de junio de 2009, a raíz de segundo requerimiento fiscal de fecha 26 de junio de 2009, presentado por el Ministerio Publico, contra el ciudadano Jose Manuel Zelaya Rosales, a quien se Ie acusa como responsable, a titulo de autor, de los delitos contra la forma de gobierno, traici6n a la patria, abuso de autoridad y usurpaci6n de funciones en perjuicio de la Administración Publica y el Estado de Honduras, la Corte Suprema de Justicia, por unanimidad de votos, ordeno se remitieron las actuaciones al Juzgado de Letras Penal Unificado, para que se continué con el procedimiento ordinario establecido en el Código Procesal Penal, en vista de que el ciudadano Zelaya Rosales a esta fecha ya no ostentaba el carácter de alto funcionario del Estado.” (os erros de digitação e castelhano são próprios do original que se pode consultar em:  <a href="http://www.poderjudicial.gob.hn/general/noticias/Comunicado_Especial.htm#)">http://www.poderjudicial.gob.hn/general/noticias/Comunicado_Especial.htm#)</a></p>
<p>Restaria a sempre repetida afirmação de que sim, houve excesso em tirá-lo de sua casa de madrugada e de pijama. Fica sugerida a idéia de que se o tivessem tirado de manhã, e já vestido, estaríamos num plano constitucional, apesar de que a constituição hondurenha proíbe a extradição de seus cidadãos. Para políticos que compactuaram com o “banimento” e “deportação” de cidadãos brasileiros durante a ditadura militar, esta cláusula constitucional deve parecer exageradamente democrática&#8230; Você também acha isto Serra?</p>
<p>Em que consistem, pois, as trapalhadas do governo brasileiro, Serra? Ter “abrigado” o presidente constitucional de Honduras na sua embaixada? Permitir que ele se manifeste e negocie o restabelecimento do cargo que o Brasil, a OEA, o Tratado do Rio, a Assembléia das Nações Unidas e o Conselho de Segurança da ONU reconhecem, esta seria a “trapalhada”?</p>
<p>Serra, você não vai conquistar a confiança do povo brasileiro com estes “argumentos”. Isto é “politicagem” (e não Política) da pior qualidade. Agora que a presença de Zelaya permitiu retomar o diálogo para a reconstitucionalização de Honduras, suas observações e as de seus aliados que, como vimos, estão até dentro do PT, se mostram uma grande “trapalhada”.</p>
<p>É uma pena, Serra, que você (como tantos outros) abandonou os ideais de nossa juventude para servir a causas tão mesquinhas. De qualquer forma, continuo agradecido a você por ajudar a salvar minha vida, a de meus parentes e companheiros, que se “abrigaram”, como você terminou fazendo, nos territórios soberanos daqueles que usaram seu poder para salvar vidas humanas.</p>
<p>Do amigo, apesar de nossas diferenças,</p>
<p>Theotonio Dos Santos</p>
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