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	<title>Rumos do Brasil &#187; Rodrigo de Almeida</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>Na trincheira nacionalista</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 20:33:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ordem Política]]></category>
		<category><![CDATA[sunken costs]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre as diretrizes políticas do pré-sal, a discussão sobre a função do PAC como jóia da coroa do desenvolvimento econômico e os embates entre Ministério da Fazenda e Banco Central sobre os gastos públicos e seus efeitos inflacionários são todos faces de um mesmo confronto de idéias: a existência de visões distintas, mesmo opostas, sobre o papel do Estado na vida do país. Não se trata de uma batalha travada entre mocinhos e bandidos. Tampouco diz respeito a um debate exclusivamente teórico, mas também – ou essencialmente – prático.</p>
<p>Caso se desça à planície da discussão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não passa, para alguns, de um fruto degenerado do cruzamento do Getulio do Estado Novo com uma imitação barata de JK. Para outros, revelou-se o líder regenerador do estrago causado pelo cosmopolitismo liberal, que se embrenhara nos misteres de exaltar as virtudes da concorrência e estigmatizar a coordenação do Estado.</p>
<p>Um dos méritos de Lula foi perceber o quão vasto era o terreno em que se poderia voltar a construir uma trincheira nacionalista na sociedade brasileira. Sobretudo no caso do PAC, do pré-sal e, – por que não? – da Olimpíada. Por inércia, inaptidão ou convicção, seus oposicionistas caíram na armadilha. Até 2010, provavelmente continuarão investidos no papel de “antinacionalistas”, ou de uma versão atualizada dos “entreguistas” que, no início da década de 50, opunham-se ao monopólio estatal e defendiam a criação de uma empresa mista para atrair a participação do capital estrangeiro (falamos de Petrobras e de petróleo, claro).</p>
<p>O que poucos parecem perceber é que tais embates desmontam a idéia de que o governo Lula é tão-somente uma continuação do antecessor. Ou que PT e PSDB são, no fundo, iguais. Essa convicção está presente na cabeça de muitos radicais livres, à direita e à esquerda. Ambos enxergam, nos padrões de continuidade da política econômica, por exemplo, a certeza de que Lula fez o mais do mesmo no poder. A direita, por estar convicta de que as políticas anteriores estavam corretas. A esquerda, por achar que Lula sucumbiu ao mercado financeiro. Basta constatar a distância que separa o PT e o PSDB em matéria de Estado e mercado para ter dúvida sobre as semelhanças.</p>
<p>Se há uma semelhança entre tucanos e petistas é a tentativa mútua de desmoralização do outro lado por meio de uma intensa propaganda midiática. O PSDB que hoje ataca o governo é o mesmo que, anos atrás, classificava seus adversários de petrossauros, viúvas do atraso e congêneres. O PT, antes inconformado com a campanha reformadora tucana, agora usa suas armas. Mas tudo é do jogo. Diz quem pode, adere quem (não) tem juízo.</p>
<p>Um sábio amigo lembrou certa vez o conceito, vindo da economia, de sunken costs. São custos empenhados em empresas de grande ou médio porte, que não podem ser recuperados na eventualidade de mudanças na linha de produção. Tecnologias pouco flexíveis, contratos de longo prazo a cumprir, investimentos estratégicos, tudo resulta num montante de gastos irrecuperáveis, exceto pela continuidade das operações da empresa. Esta, se obrigada por alguma razão a mudar de estratégia, verá grande parte daqueles gastos perdida.</p>
<p>Governos também têm seus sunken costs. Uma obra ou programa de larga escala, que perde a preferência governamental, enterrarão os investimentos ali antecipados. Por esse motivo muitos projetos de governo têm de ser continuados, mesmo quando contrariam a preferência de novos administradores, pois os custos de abandoná-los seriam absurdamente irracionais. Para não falar da desordem e da insegurança trazidos por uma alteração abrupta de direção. Em outras palavras, se contrárias às prioridades de um novo governo, certas políticas podem vir a ser modificadas, mas gradativamente. O governo Lula alterou prioridades governamentais sem introduzir decisões arbitrárias no funcionamento da economia. Não foi mau negócio, como se nota pelos resultados do país.</p>
<p>Uma de suas mudanças mais significativas deu-se justamente na visão do Estado e de como promover a sinergia entre o investimento público, comandado pelas estatais, e o privado. O Brasil fez isso muito bem nos anos 50, 60 e 70, mas nas duas décadas seguintes deixou escapar oportunidades. Nas duas décadas em que a linhagem mais liberal deu as cartas, muitos se habituaram a repetir que o Brasil perseguiu um “modelo” autárquico, uma economia fechada. Falso: a industrialização brasileira, do primeiro governo Vargas aos militares, foi acompanhada de profunda internacionalização da estrutura produtiva da economia.</p>
<p><em>Este artigo foi originalmente publicado no Jornal do Brasil, no dia 13/10/2009.</em></p>
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