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	<title>Rumos do Brasil &#187; Raphael Rocha</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>Desleixo histórico</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 21:14:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Políticas Educacionais]]></category>
		<category><![CDATA[acesso a educação]]></category>
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		<category><![CDATA[educação]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>No período da colônia, a educação foi designada aos jesuítas. Dizem os estudiosos que estes cumpriam bem a tarefa. Porém, séculos depois, ao serem expulsos, o Brasil viveu um longo período de estagnação, que durou até a chegada da família real. No império houve a criação das primeiras universidades no país, além do conceituado Colégio Pedro II e outras academias militares. Tudo isto ainda estava longe de universalizar o ensino o país e até hoje se percebe que a prioridade para o brasileiro é a mesma.</p>
<p>É certo que agora os tempos já são outros. Existem campanhas empenhadas em mostrar a importância do estudo na vida dos cidadãos. Há dados que comparam, inclusive, os anos de estudo com o aumento da renda média salarial. Mas então, porque tantos alunos abandonam suas salas de aula? Porque seus pais não os estimulam ainda mais?</p>
<p>Talvez tenhamos uma das chaves da questão.</p>
<p>A condição de país não avançado, nação periférica, auferiu ao Brasil menos oportunidades de empregos especializados. É certo que sobram vagas para profissionais especializados em diversas empresas no país afora, mas isto requer aproximadamente vinte anos de estudo, ao passo que dirigir um taxi, um caminhão, ou van requer apenas a carta de habilitação.</p>
<p>Não é objetivo desmerecer tais profissões. Muito pelo contrário. Porém, deve-se questionar o fato de que, por pouco estímulo, elas tornam-se mais atraentes do que as formações especializadas de que o país tanto necessita.</p>
<p>Infelizmente, o próprio Estado cria rotinas que desfavorecem aos que almejam seguir adiante seus estudos. Por exemplo, para uma pessoa que necessita trabalhar para sobreviver e manter família é quase impossível estudar nas universidades públicas. São poucos os cursos que oferecem turmas noturnas, pois de uma maneira geral suas aulas ocorrem em período integral (manhã e tarde). Sendo assim, quem tem interesse em seguir adiante com os estudos se depara com a opção de buscá-los nas universidades privadas, e novamente outro desafio: as mensalidades, que podem chegar a valores estonteantes.</p>
<p>Na mesma encruzilhada encontram-se os que se interessam por cursos de pós graduação, como os mestrados ou doutorados (stricto sensu). A impressão que se tem é que o sistema não foi planejado para quem deseja especializar-se mesmo convivendo com a rotina de trabalho. Por acaso é proibido ser intelectual e ter carteira assinada? Novamente não são privilegiadas as aulas em períodos noturnos, ou aos sábados.</p>
<p>Enfim, há ainda muito o que ser discutido, rediscutido e acertado. Mas creio que o ponto onde devem ser miradas as políticas de educação é na facilitação do acesso ao sistema. Daí universalizá-lo e tornar a educação realmente pública.</p>
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		<title>Sobre as sombras</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 20:57:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Políticas Educacionais]]></category>
		<category><![CDATA[marginalidade]]></category>
		<category><![CDATA[menores abandonados]]></category>
		<category><![CDATA[moradores de rua]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas gramas, nos bueiros, nas fossas e nas ruínas das grandes cidades sobrevive uma espécie que os cientistas parecem não querer descobrir. Os abandonados. Menores carentes, filhos (ou seriam vítimas?) de outrora também abandonados pais, que reproduziram-se a esmo, seguindo o sabor da embriaguez, ociosidade e tudo o mais que lhes restou. Alimentados pelo álcool, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nas gramas, nos bueiros, nas fossas e nas ruínas das grandes cidades sobrevive uma espécie que os cientistas parecem não querer descobrir. Os abandonados. Menores carentes, filhos (ou seriam vítimas?) de outrora também abandonados pais, que reproduziram-se a esmo, seguindo o sabor da embriaguez, ociosidade e tudo o mais que lhes restou.</p>
<p>Alimentados pelo álcool, turbinados pelas drogas, desnutridos de oportunidades. Estas são o que muitos ousam chamar de “sementes do mal”. Catando latas, brincando em meio aos carros velozes, empunhando armas, ou adoecendo sem atenção. Uma herança maldita recebida pela sociedade brasileira, graças a séculos de políticas de exclusão. Vergonha para a qual a população virou seus rostos, tapou os narizes, fingiu não ouvir seus pedidos de ajuda.</p>
<p>Esta espécie sofre uma aparente rejeição pelo Estado. Não se pode afirmar que é um tratamento oficial, afinal há assistentes sociais, sociólogos e demais profissionais trabalhando em sua função. Estudando-os e tentando ampará-los.</p>
<p>Como quem não tem nada busca um mínimo de prazer, eles também amam. Proliferam-se, fazendo perdurar a saga da espécie. Diariamente a população carente cresce, num alarmante índice de adoecimento social.</p>
<p>O que fazer desta massa ociosa? Quais as medidas a serem tomadas diante do fato incontestável de que eles existem? Eles não são invisíveis!</p>
<p>De princípio, deve-se admitir sua existência (sim, muitos preferem não vê-los). Eles são especiais. Não se pode tratá-los da mesma forma que outras crianças e jovens educados da forma tradicional. Deve-se a eles uma atenção especial. Serviços assistenciais exclusivos. Quem sabe até mesmo leis que estimule sua inserção social. Novas políticas educacionais deverão ser formuladas para não se desperdiçar mais do que já se perdeu.</p>
<p>Não é fácil encontrar a solução definitiva para esta questão. Porém, se não for iniciado o devido tratamento a estes brasileiros, a herança maldita continuará a aumentar. O custo para a sociedade será maior a cada dia, assim como o sofrimento destes cidadãos.</p>
<p>Há perspectivas no horizonte. Entretanto, a experiência pregressa mostra que pode não significar muito. Trata-se da dos eventos esportivos que serão sediados no Brasil em alguns anos. Caso os governos decidam dar a devida atenção ao caso, alguma significativa melhora será percebida. Porém, se a política dos banhos de perfume persistirem (escondendo as sujeiras por baixo do tapete), estes brasileiros serão apenas transferidos para as regiões mais periféricas, mascarando um problema crônico.</p>
<p>Nos próximos anos será preciso torcer muito pelo Brasil. Torcer para que o país encare com firmeza seus problemas. Torcer para que não seja mais preciso ver crianças dormindo e degenerando-se nas ruas.</p>
<p><em>Este texto foi escrito com a colaboração de Hélio Correia.</em></p>
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