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	<title>Rumos do Brasil &#187; J. Carlos de Assis</title>
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		<title>01/02/2012 &#8211; Por que a crise atual é maior que a dos anos 30</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 15:46:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reagindo à Crise Mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho sustentado que a crise financeira atual é a maior da história do capitalismo pela razão simples de que, ao contrário da Grande Depressão, antes considerada a maior, desta vez a crise afetou o coração mesmo do sistema capitalista, que é o seu sistema bancário central. Nos anos 30, milhares (cerca de 9 mil) bancos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2012/02/01/01022012-por-que-a-crise-atual-e-maior-que-a-dos-anos-30/1929-a-grande-quebra/" rel="attachment wp-att-3906"><img class="aligncenter size-full wp-image-3906" title="1929 A Grande Quebra" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2012/02/1929-A-Grande-Quebra.jpg" alt="" width="240" height="313" /></a></p>
<p>Tenho sustentado que a crise financeira atual é a maior da história do capitalismo pela razão simples de que, ao contrário da Grande Depressão, antes considerada a maior, desta vez a crise afetou o coração mesmo do sistema capitalista, que é o seu sistema bancário central. Nos anos 30, milhares (cerca de 9 mil) bancos quebraram nos EUA e na Europa, no curso de quatro corridas bancárias entre 29 e 33, mas nem um único considerado grande. Eram pequenos e médios bancos municipais ou regionais, sem risco sistêmico. Agora, no rastro do Lemon Brothers, apenas o quinto entre os bancos de investimento, todo o sistema virtualmente esteve para colapsar.</p>
<p>Nos Estados Unidos, os dois maiores conglomerados bancário-financeiros, o Bank of America e o Citigroup, tiveram que ser parcialmente estatizados para não quebrar. No caso do Citigroup, o Governo comprou mais de 40% de suas ações ordinárias. Os outros 17 maiores conglomerados financeiros, submetidos a testes de stress, foram socorridos pelo Fed sob o pretexto de evitar riscos sistêmicos. Na Europa, o Royal Scotland Bank e o Barclays da Inglaterra tiveram de ser estatizados. Continuam assim até hoje. Na Alemanha, o Governo comprou quase metade do Commenzbank, do qual ainda hoje detém 25% das ações.</p>
<p>Voltando aos Estados Unidos, quebrou e teve de ser estatizada a maior seguradora do mundo, a AIG. O mesmo destino tiveram as duas maiores empresas de crédito imobiliário do país e do mundo, a Fred e a Fannie Mae. Além disso, numa iniciativa absolutamente inédita, o Governo americano interveio para salvar as maiores empresas manufatureiras do país, a GM e a Chrysler, com empréstimos bilionários. (Note-se que a legislação emergencial dos anos de Roosevelt previu socorro do Fed a empresas manufatureiras, não financeiras, mas ela nunca havia sido efetivamente aplicada até agora.)</p>
<p>O rescaldo desse incêndio são 6 trilhões de dólares em hipotecas em circulação nos Estados Unidos, além de outras formas de crédito de recebimento duvidoso (cartão de crédito, estudantil etc), tendo parte desse crédito vazado para o sistema bancário europeu. Dessas hipotecas, algo como 3,5 trilhões de dólares são de recebimento duvidoso, e 1,5 a 2 trilhões de dólares são calculados como perda certa, dependendo do comportamento do mercado imobiliário &#8211; que até hoje, mais de três anos depois do início da crise, não se recuperou. Por uma especial deferência dos reguladores, os bancos foram autorizados a manter em carteira esses títulos, só exigindo sua baixa na data do vencimento nominal.</p>
<p>O fato é que, com suas carteiras lotadas de títulos podres privados, os bancos limitam os empréstimos para o setor produtivo numa corrida desesperada para fazer lucros de curto prazo (e distribuir bônus) nos mercados sem risco a fim de evitar sua própria quebra. Estão com operações concentradas em transação de moedas (4 trilhões de dólares ao dia, 955 trilhões ao longo de 2010), em arbitragem (tomando recursos do Fed a 0,25% e emprestando ao Tesouro a 3,5%) e em outras formas de “serviços”. Com isso há um estreitamento de crédito para pequenas e médias empresas, justamente as que concentram 65% da criação do emprego nos Estados Unidos. Em consequência, a taxa de desemprego se mantém extremamente elevada (8,5%).</p>
<p>Na Europa, os governos também trataram de estatizar e salvar  bancos, sempre à custa de um endividamento público relativo ainda maior que o dos Estados Unidos. É de notar-se que, antes da crise, todos os países da União Européia e, particularmente, os da zona do euro tinham situações fiscais bastante confortáveis tendo em vista os critérios de Maastricht – com a possível exceção da Grécia. A dívida da Irlanda, por exemplo, era inferior a 30% do PIB! Depois da eclosão da crise, sob o ataque frontal das agências de risco, Grécia, Portugal e Irlanda, assim como Espanha e Itália, viram explicitada uma crise fiscal criada pelo setor privado e que ele quer, agora, transferir seus custos aos cidadãos, na forma de destruição do Estado de bem estar social europeu. Isso, porém, fica para ser discutido mais tarde.</p>
<p>* José Carlos de Assis, economista e professor, presidente do Intersul, coautor com Francisco Antonio Doria do recém-lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Este artigo é publicado todas as terças-feiras, no jornal “Monitor Mercantil”, no Rio de Janeiro.</p>
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		<title>Os economistas, a mídia e o prolongamento da crise</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 14:27:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A economia política, que desde quando abandonei o jornalismo diário tornou-se minha atividade principal, apresenta-se hoje como a mais desacreditada profissão do mundo. Isso tem a ver, naturalmente, com a incrível incompetência com que a corrente principal dos economistas de mercado, na maioria neoliberais, está lidando nos países avançados com a crise financeira iniciada em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A economia política, que desde quando abandonei o jornalismo diário tornou-se minha atividade principal, apresenta-se hoje como a mais desacreditada profissão do mundo. Isso tem a ver, naturalmente, com a incrível incompetência com que a corrente principal dos economistas de mercado, na maioria neoliberais, está lidando nos países avançados com a crise financeira iniciada em 2007. Mas tem a ver, entre nós, com o papel que os economistas neoliberais assumiram como mediadores hegemônicos entre o mercado e a grande mídia.<br />
No meu tempo de repórter, redator e subeditor de Economia do “Jornal do Brasil”, não me lembro de uma única vez em que, pessoalmente, ou através de outro repórter, tenha pedido opinião de economista de banco sobre algum tema relevante da área. O mesmo aconteceu, depois, quando me tornei jornalista econômico da “Folha de S. Paulo” e colunista de “O Globo”. A razão é muito simples: você não pode pedir para publicação opinião econômica de quem tem interesse próprio em jogo, conforme ensinava o grande John Kenneth Galbraith.<br />
É verdade que os economistas de mercado têm todo direito de emitirem opinião sobre temas econômicos e financeiros. Contudo, que o façam em artigos assinados. Todo jornal que se preza publica ao final do artigo a profissão e o cargo do autor. O jornal que se preza faz ainda mais: limita o número e alarga a periodicidade de artigos de profissionais da economia que têm interesse próprio no jogo. Caso contrário, o jornal corre o risco de tornar-se um instrumento de especulação financeira, como tem sido comum nos últimos anos no Brasil.<br />
Pode-se fazer melhor jornalismo sem se recorrer a economista de mercado. Estão aí professores independentes com credibilidade, ex-ministros e antigos funcionários públicos, dirigentes empresariais &#8211; com interesses próprios, sim, mas interesses identificados-, executivos que falem em nome de suas empresas, mas não de um suposto interesse geral. Isso dá pelo menos uma aparência de neutralidade à cobertura jornalística, sem que a opinião emitida seja, de fato, uma cobertura ideológica para o interesse próprio ou de grupos.<br />
O prolongamento da crise financeira no primeiro mundo se deve, a meu ver, essencialmente, à confusão enfiada na cabeça dos líderes políticos conservadores por economistas de mercado ou doutrinados por esses. Merkel, Cameron e Sarcozy são expressões genuínas das doutrinas neoliberais de estado mínimo e auto-regulação dos mercados, a despeito do colapso óbvio do neoliberalismo.  Obama, pessoalmente, é menos ortodoxo, mas sua equipe, a começar pelo secretário do Tesouro Geithner, se alinha ao neoliberalismo.<br />
No caso americano, ainda existe a complicação adicional do Partido Republicano, que conquistou maioria suficiente no Congresso para bloquear qualquer tentativa progressista de Obama, como é o caso de seu segundo programa de estímulo econômico. Para o Tea Party, toda iniciativa que beneficia o povo é socialismo. Na Europa, o mantra é o corte nos gastos públicos, algo que tem a ver, em última instância, com o antigo propósito da direita europeia de destruir o estado de bem estar social construído no pós guerra.<br />
No Brasil, felizmente, os economistas de mercado perderam grande parte de seu prestígio ao longo da crise. É natural, porque nos primeiros meses poucos ousavam dizer alguma coisa pelo simples fato de que nada tinham a dizer: todos estavam muito assustados talvez no esforço de salvar seus patrimônios. Contudo, a grande mídia forçou a barra para resgatá-los do silêncio, pois do contrário a própria mídia – e a esmagadora maioria da mídia brasileira bebeu neoliberalismo do exterior, e se manteve nele &#8211; nada tinha a dizer.<br />
Vou me limitar a um exemplo. Uma das medidas mais inteligentes que o Governo Lula adotou para enfrentar a crise, quando se constatou que a marolinha era de fato um tsunami, foi uma instrução direta do Presidente para que os bancos públicos baixassem a taxa de juros e aumentassem os empréstimos. O presidente do Banco do Brasil recusou-se a cumprir a ordem e Lula o demitiu. Nesse momento, o Jornal Nacional da Globo deu quase cinco minutos de tempo a Maílson da Nóbrega, consultor de empresas e fracassado ex-ministro da Fazenda, para dizer que a demissão tinha sido uma agressão ao mercado livre e punha em risco a credibilidade do Brasil perante os investidores.<br />
Uma diferença sutil, embora talvez decisiva, entre o manejo da crise atual e a de 29 pode se relacionar com o papel nelas desempenhado pelos economistas. Nos anos 30, um grupo ardoroso de jovens economistas de Harvard, Galbraith entre eles, desembarcou em Washington com o entusiasmo de construtores de uma nova e mais justa ordem econômica. Tinham verdadeira fé no seu potencial. Já há poucos meses, um grupo de estudantes de economia de Harvard abandonou coletivamente o curso de economia em protesto pelas distorções no currículo que comprometiam a eles mesmos, a universidade e a sociedade em geral.<br />
Recentemente, com o intuito de demolir as bases do neoliberalismo não só apenas no plano da economia política, mas também de seus fundamentos matemáticos, juntei-me ao físico-matemático Francisco Antonio Doria para escrever “O Universo Neoliberal em Desencanto”. O livro foi publicado pela Civilização Brasileira e está nas principais livrarias, podendo ser alcançado pela Internet. Focamos em dois pontos fundamentais: na imprevisibilidade do equilíbrio de mercado, o que fulmina com qualquer possibilidade teórica de mercados auto-regulados, e no charlatanismo básico do modelo de metas de inflação.  É nossa modesta contribuição para o resgate da profissão de economista, no Brasil e no resto do mundo.</p>
<p>Autor: J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção, professor de Economia Internacional na UEPA, presidente do Intersul &#8211; Instituto de Estudos Estratégicos para a Integração da América do Sul.</p>
<p>Obs.: Este artigo sai simultaneamente, nas terças-feiras, aqui no portal RUMOS DO BRASIL e no <a href="http://monitormercantil.com.br/" target="_blank">jornal &#8220;Monitor Mercantil&#8221; (Rio de Janeiro)</a>.</p>
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		<title>Uma saída bancária  para salvar o capital</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 12:05:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A ilusão que cerca o sistema bancário norte-americano e europeu é de que se está diante de um problema de caixa quando se está realmente num problema patrimonial virtualmente insolúvel por meios convencionais. Tome-se a situação européia, em torno da qual se concentram as discussões imediatas. Os bancos estão carregados com títulos dos governos, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ilusão que cerca o sistema bancário norte-americano e europeu é de que se está diante de um problema de caixa quando se está realmente num problema patrimonial virtualmente insolúvel por meios convencionais. Tome-se a situação européia, em torno da qual se concentram as discussões imediatas. Os bancos estão carregados com títulos dos governos, e os governos estão financeiramente insolventes no curto prazo e politicamente insolventes no longo.</p>
<p>Já o sistema bancário norte-americano está carregado com títulos privados podres, notadamente hipotecas imobiliárias, das quais se estima que 1,5 a 2 trilhões de dólares estarão insolventes no vencimento. Para que, no longo prazo, houvesse um reequilíbrio patrimonial na banca européia seria necessário que os governos fizessem gigantescos superávits orçamentários, certamente intoleráveis para suas sociedades, e assim mesmo sem a compensação da retomada do crescimento.</p>
<p>Nos Estados Unidos, seria necessário que o mercado imobiliário se recuperasse e revalorizasse as hipotecas nas carteiras dos bancos. Nada disso parece plausível a curto e mesmo no médio prazo. Em média, o preço dos imóveis está 30% abaixo de pico em 2007. Mais provável é que muitos bancos que se virem incapacitados de gerar imensas somas de lucro no curto prazo em serviços de não empréstimos (os empréstimos não servem porque demoram a retornar) acabem explicitando no caixa a quebra patrimonial subjacente.</p>
<p>É por isso que não há saída convencional para essa crise. Lembram-se quando dizíamos, na crise da dívida externa brasileira nos anos 80, que não havia saída convencional à vista? Pois bem. A saída não veio por força de gestões da plutocracia brasileira, que tinha vergonha de não pagar a dívida qualquer que fosse seu custo (vide o ex-ministro Maílson da Nóbrega), mas pelo reconhecimento do Governo norte-americano, mediante o Plano Brady, de que era necessário um perdão parcial dela equivalente a 35 a 40% do  principal.</p>
<p>O de que precisa a banca dos países ricos é um Plano Brady generalizado, já que o sistema bancário está inelutavelmente interconectado e não há salvação individual. Contudo, não vejo com operacionalizar um programa dessa monta a não ser pela estatização dos grandes bancos. É que os bancos privados não podem perdoar dívidas, seus ativos, sem deixar a descoberto seus passivos, os depósitos. Seria uma quebra ampla, geral e irrestrita fulminando os credores dos bancos. O capitalismo global regrediria à Idade Média.</p>
<p>É fato que grande parte dos depositantes dos grandes bancos são especuladores que merecem alguma perda, e que os depositantes mais modestos e ingênuos estão cobertos por seguros de depósitos. Isso atenua a força do terremoto, mas não a elimina. O sistema bancário é o coração do sistema capitalista, responsável pelo bombardeamento do sangue financeiro que irriga todo o processo de produção de bens e serviços. Sua quebra em cadeia teria consequências econômicas, sociais e políticas inimagináveis.</p>
<p>A estatização é o caminho mais viável para salvar o sistema capitalista pois, de alguma forma, com ela se pode distinguir entre as funções bancárias de garantir a circulação da renda e da riqueza e a de esteio da especulação pura e simples. Além disso, neutralizaria o mais agressivo lobby mundial ferrenhamente contrário a qualquer medida de regulação pública do sistema financeiro. Como poderia se dar isso? É evidente que, quando se fala em perdão parcial ou total de dívida, alguém está perdoando. No caso das hipotecas, são os seus detentores no sistema bancário. O perdão por simples decisão do regulador de determinar a contabilização dos títulos podres a mercado implica baixa equivalente no capital e reservas dos bancos, que corresponderia a uma quebra e levaria automaticamente à intervenção do FED e do Tesouro; desta vez para assumir integralmente o(s) banco(s), e não para devolvê-lo aos donos originais como fizeram com o Citigroup e o Bank of America em 2008/2009.</p>
<p>Na Europa o caminho seria o mesmo, exceto que os devedores dos bancos seriam os governos, não agentes privados. Entretanto, esse ativo bancário “podre” nada mais é que a contrapartida dos recursos injetados pelos tesouros e bancos centrais para salvar os aplicadores privados em 2008. Em outras palavras, os bancos europeus foram virtualmente estatizados pelo lado do ativo em termos patrimoniais. Basta, assim, que os governos “comprem” o controle do capital dos bancos com seus títulos desagiados a mercado, forçando a correspondente baixa do capital e a mudança do controle.</p>
<p>Chamo a todo esse processo de “desespeculação”. Qualquer pessoa familiarizada com as teorias de financeirização da economia sabia que, num momento ou noutro, a descolagem entre capital financeiro e capital produtivo produziria um colapso. A bolha não chegou a estourar porque os governos seguraram as perdas privadas, quebrando os Estados. No entanto, existe em curso um processo sutil de “desespeculação” pelo qual o capital altamente especulativo do período do boom, agora sem segurança, migra para títulos públicos dos EUA com rendimento nominal abaixo da inflação. É a troca de renda duvidosa por patrimônio certo, mesmo que esse patrimônio seja corroído na margem pela inflação.Também isso é “desespeculação”.  Claro, isso só não resolve o problema da retomada da economia real. Nesse sentido, o caminho para salvar os bancos para o sistema produtivo é estatizá-los, não por razões morais, mas por razões funcionais. Em uma palavra, para salvar o capital.</p>
<p>J. Carlos de Assis &#8211; Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional a UEPB.</p>
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		<title>A vingança das hipotecas no reverso da especulação</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 02:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estão enganados os que pensam que o mercado hipotecário norte-americano (sub-prime) apenas provocou a crise financeira mundial. De fato, ele é a crise mundial. Sem uma solução drástica na forma de perdão parcial ou total das dívidas hipotecárias a economia norte-americana não retomará o curso do crescimento sustentável, e sem isso as economias europeias que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estão enganados os que pensam que o mercado hipotecário norte-americano (sub-prime) apenas provocou a crise financeira mundial. De fato, ele é a crise mundial. Sem uma solução drástica na forma de perdão parcial ou total das dívidas hipotecárias a economia norte-americana não retomará o curso do crescimento sustentável, e sem isso as economias europeias que dependem de seu mercado importador, sobretudo as submetidas a programas de ajuste fiscal &#8211; mas não apenas elas -, continuarão afundadas em recessão.</p>
<p>Segundo as estimativas mais confiáveis, circulam no mercado financeiro norte-americano hipotecas no valor aproximado de 6 trilhões de dólares, quase metade do PIB do país. Destes, cerca de 3,5 trilhões de dólares são de recebimento duvidoso, e algo entre 1,5 trilhão e 2 trilhões de dólares são de perda certa, dependendo da evolução do mercado imobiliário. Ora, o mercado imobiliário americano está engessado. O preço dos imóveis, após uma recuperação marginal no ano passado, está 30% abaixo do pico antes da crise.</p>
<p>Em alguns Estados a situação ainda é pior. Em Las Vegas, a média dos preços dos imóveis caiu 59%. Obviamente, as hipotecas por trás desses imóveis, carregando a supervalorização do período do boom, tornaram-se impagáveis na crise, tendo em vista a combinação de alto desemprego (9,1%) e queda da renda real. Alguns bancos tentaram forçar uma solução individual burlando a lei e forjando documentos. Entre eles, Bank of America, Citigroup, Morgan. Estão sendo processados pelo promotor de Nova Iorque.</p>
<p>A consequência natural desse processo &#8211; que por si só, caso a denúncia seja acolhida, pode levar os maiores bancos norte-americanos à insolvência (a penalidade conjunta proposta é de mais de 400 bilhões de dólares) – seria a estatização ou socialização desses bancos, já que não poderiam quebrar nem poderiam ser mais uma vez socorridos pelo Estado. Talvez por isso o Governo Obama, inclusive o secretário do Tesouro Geithner, fez um extraordinário esforço para demover o promotor nova-iorquino de fazer a denúncia. Diziam que Wall Street é Nova Iorque, e Nova Iorque não poderia ser atingida.  Mas ele não recuou.</p>
<p>Contudo, a inevitável socialização dos bancos não depende do desfecho desse processo. O mercado hipotecário está no meio de um círculo vicioso sem saída enquanto não se apelar para o perdão das dívidas: ele não ajuda a retomada da produção, do emprego, da renda e de si mesmo. É que, havendo sido autorizados pelos reguladores a manter em carteira, até a data nominal de vencimento, títulos podres que não serão honrados, os bancos estão compelidos a fazer lucros máximos a curto prazo, sem risco, para evitar a quebra quando tiveram de dar baixa nesses papéis, uma vez vencidos.</p>
<p>Operações a curto prazo, sem risco, significam: taxas sobre transações financeiras no mercado de câmbio (4 trilhões de dólares ao dia, quase 1 quatrilhão no ano passado); intermediação no lançamento de bônus de grandes empresas, em geral não vinculados a investimentos mas a especulação; arbitragem com títulos do Tesouro; dezenas de taxas por serviços. Em suma, são operações de serviços bancários não direcionadas para empréstimos, em especial para pequenas e médias empresas. Estas continuam arrochadas em sua liquidez.</p>
<p>Considerando que boa parte do emprego nos Estados Unidos (65%) é gerada por pequenas e médias empresas, não deve estranhar que, com a contração do crédito bancário para elas, a taxa de desemprego continua a mais alta desde a Segunda Guerra, especialmente entre jovens. E efetivamente não há saída convencional para isso: os grandes bancos têm sido apanhados como campeões de fraude contra consumidores, depositantes e acionistas, mas, nesse caso, o que fazem é defender sua solvência a longo prazo com ações no curto.</p>
<p>Na Europa a estatização bancária de alguma forma já foi feita. Falta sancioná-la. Para salvar os bancos no início da crise a liderança política européia quebrou os Estados nacionais mediante elevação a níveis recordes dos déficits e das dívidas públicas; em contrapartida, os bancos ficaram em seus ativos com títulos dos tesouros que se tornaram impagáveis. Como Estados não quebram efetivamente, e as populações não podem suportar indefinidamente programas de ajuste sem qualquer eficácia possível, pois não favorecem a retomada do crescimento, também aqui a única saída é o perdão controlado de parte das dívidas públicas com concomitante estatização dos bancos.</p>
<p>É que o sistema bancário tornou-se disfuncional. Não mais serve ao capitalismo. Sua estrutura patrimonial está podre, o que o impede de financiar a produção. A socialização ou estatização é  inevitável para salvar o sistema capitalista e permitir que ele passe a um nível superior de funcionalidade, a exemplo do que ocorre nas duas economias que mais crescem-no mundo: a China, uma economia socialista que aproveita o melhor do capitalismo, e a Índia, uma economia capitalista que aproveita o melhor do socialismo. Elas não têm em comum apenas uma grande população e uma alta taxa de crescimento; têm em comum planejamento centralizado do desenvolvimento e sistema bancário público!</p>
<p>J. Carlos de Assis &#8211; Economista, doutor pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.</p>
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		<title>21/11/11 &#8211; Consenso do Rio &#8211; Idéias gerais para uma política macroeconômica desenvolvimentista convergente dos países da América do Sul</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 11:59:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[CONSENSO DO RIO IDÉIAS GERAIS PARA UMA POLÍTICA MACROECONÔMICA DESENVOLVIMENTISTA CONVERGENTE DOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL Colaboração da sociedade civil ao Mercosul e ao Conselho de Ministros de Economia e Finanças da Unasul Elaboração: Intersul, com participação dos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo (coordenador), Denise Gentil, Miguel Bruno e José Carlos de Assis. Conjunto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>CONSENSO DO RIO</strong></p>
<p align="center"><strong>IDÉIAS GERAIS PARA UMA POLÍTICA MACROECONÔMICA DESENVOLVIMENTISTA CONVERGENTE DOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL</strong></p>
<p>Colaboração da sociedade civil ao Mercosul e ao Conselho de Ministros de Economia e Finanças da Unasul</p>
<p><em><br />
Elaboração: Intersul, com participação dos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo (coordenador), Denise Gentil, Miguel Bruno e José Carlos de Assis.</em></p>
<p><em>Conjunto de proposições solicitadas pelo Intersul a um grupo de economistas, discutidas e aprovadas em encontro no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 2011.</em></p>
<p><em> </em><strong><span style="text-decoration: underline;">Objetivo</span></strong></p>
<p><a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/11/21/211111-consenso-do-rio-ideias-gerais-para-uma-politica-macroeconomica-desenvolvimentista-convergente-dos-paises-da-america-do-sul/consenso-do-rio-imagem/" rel="attachment wp-att-3797"><img class="aligncenter size-full wp-image-3797" title="consenso-do-rio-imagem" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2011/11/consenso-do-rio-imagem.jpg" alt="" width="500" height="406" /></a></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;"><br />
Premissas</span></strong></p>
<p>Três décadas de conformação das políticas macroeconômicas dos países sul-americanos ao neoliberalismo deixaram pouca margem de manobra aos governos regionais para buscar alternativas desenvolvimentistas. O padrão comum, com raras exceções, foi o de promover o Estado mínimo através de privatizações, restringir o endividamento e o investimento público e favorecer a suposta auto-regulação da economia dentro dos cânones da ortodoxia fiscal e monetária. Todavia, os acontecimentos recentes mostraram o fracasso dessa política, que resultou em crise nas próprias economias avançadas e em crescimento lento e instável nas regiões subdesenvolvidas e em muitos países em desenvolvimento, com altos custos sociais, dos quais apenas têm escapado países emergentes que se distanciam do padrão neoliberal.</p>
<p>Onde houve efeitos virtuosos das políticas neoliberais para os países em desenvolvimento – por exemplo, na acumulação de superávits comerciais e de reservas – eles se deveram a condições internacionais favoráveis, notadamente o aumento das importações de commodities minerais e agrícolas por parte principalmente da China, e não às virtudes da política macroeconômica em si. Quanto às melhoras de indicadores sociais, eles resultaram de políticas deliberadas de distribuição de renda adotadas por alguns países, fora do marco neoliberal.   Em síntese, eis os principais eixos dessas políticas:</p>
<ol>
<li>Política fiscal restritiva independentemente do ciclo econômico e do nível da relação dívida/PIB;</li>
<li>Submissão às pressões do mercado para o pagamento da dívida pública, novamente de forma independente do ciclo econômico e do nível da dívida;</li>
<li>Política monetária restritiva, articulada à política fiscal contracionista, determinadas, ambas, pela busca de investment grade por agências privadas de classificação de risco;</li>
<li>Câmbio flutuante, a despeito de fortes oscilações desestabilizadoras da economia por parte de forças especulativas;</li>
<li>Liberação do fluxo externo de capitais especulativos;</li>
<li>Redução de direitos trabalhistas e previdenciários;</li>
<li>Abandono do planejamento público e das políticas industriais;</li>
<li>Liberação do comércio exterior com o abandono de práticas de proteção da indústria interna;</li>
<li>Controle indireto das políticas macroeconômicas internas pelas agências externas de classificação de risco;</li>
<li>Submissão a outros ditames do Consenso de Washington.</li>
</ol>
<p>Nem todas essas políticas foram aplicadas por todos os países sul-americanos ao mesmo tempo. Mas, a conjunção dessas medidas teve um efeito macroeconômico comum: a redução rápida e significativa da autonomia da política econômica dos Estados nacionais. Estes foram premidos a se tornarem o fiador dos processos de liberalização financeira e comercial, num contexto marcado pela ausência de uma estratégia consistente de desenvolvimento econômico. Sua lógica interna era clara: conforme o estipulado pela ideologia neoliberal, tratava-se de reduzir o espaço do Estado do bem-estar social e ampliar as oportunidades de lucro corporativo, diminuindo-se ao mesmo tempo a tributação dos ricos em nome da maior eficiência econômica e da competitividade externa. É notável que, exceto pela explosão de preços e quantidades exportadas de commodities, já mencionada, essas políticas produziram resultados pífios, até sua derrocada nos países ricos na crise de 2008, anulando os efeitos de emulação que tiveram nas décadas anteriores na América do Sul.<br />
O quadro internacional agora mudou radicalmente, e é por isso que se justifica essa proposta de uma nova política macroeconômica para a região. De fato, todo o mundo industrializado avançado está em crise financeira, fiscal e de demanda interna, submetendo-se à medicina do ajuste fiscal que classicamente recomendava aos países em desenvolvimento. Ajuste fiscal significa reduzir gasto público, salários e benefícios sociais para comprimir o mercado doméstico e gerar excedentes exportáveis. Numa situação em que todos os países ricos querem exportar mais e importar menos, é duvidoso que tais políticas tenham resultados positivos. Contudo, o fluxo das exportações dos ricos tende a buscar os países emergentes e em desenvolvimento, com o risco de um dumping industrial mundial que lhe venha destruir seu parque produtivo industrial. Países que têm uma base industrial estarão ameaçados, e países que não têm, mas aspiram a tê-la, estão igualmente em risco. Diante disso, no caso da América do Sul, é imperioso acelerar o processo de integração, pois dentro de um bloco econômico será possível proteger os mercados internos sul-americanos, sem ferir as regras da Organização Mundial do Comércio. Individualmente, qualquer país que recorra a barreiras comerciais corre o risco de discriminação e retaliações no mercado internacional. Num bloco, ele pode fazê-lo sem ferir tratados internacionais.</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Proposição</span></strong></p>
<p>Propõe-se uma estratégia macroeconômica de estímulo ao desenvolvimento econômico e social compatível com as necessidades sociais e o equilíbrio político dos países da América do Sul. Essa política, ou melhor, conjunto de políticas teria as seguintes características:</p>
<ol>
<li>Retomada do princípio do planejamento público como instrumento estratégico para alcançar os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, eliminação da miséria, redução das disparidades regionais e da extrema concentração renda, mediante a busca de um sistema tributário justo e progressivo que aponte na direção do Estado do bem-estar social;</li>
<li>Política monetária que comporte a expansão da moeda de acordo com as necessidades do crescimento econômico com estabilidade monetária e tendo por objetivo último a máxima geração de emprego;</li>
<li>Atribuição ao banco central desse tríplice objetivo, para cuja execução ele terá liberdade operacional, sujeita a verificação de eficácia pelas comissões de economia e finanças do Congresso Nacional;</li>
<li>Controle fino da liquidez mediante a defesa pelo Banco Central, no open, da taxa de juros fixada conforme os objetivos em 1 e 2; a taxa básica de juros deve condicionar também o processo de internação ou retenção externa do fluxo de reservas, para compatibilizar esse fluxo com o nível de liquidez desejado;</li>
<li>Política cambial no regime semi-flutuante, entendido como a administração do câmbio mediante utilização das reservas internacionais para manter o valor externo da moeda numa faixa que promova a competitividade externa, sobretudo a baseada em bens de maior valor adicionado, assim como o crescimento interno;</li>
<li>Política fiscal anti-cíclica e pró-investimento do Estado para corrigir deficiências de infra-estrutura, admitindo-se, em situação de alto desemprego e alto índice de ociosidade no parque produtivo, aumento da relação dívida/PIB (como ocorreu sabiamente no Brasil com os investimentos de Petrobrás, Eletrobrás e BNDES financiados pelo Tesouro em 2009 e 2010); note-se que não existe razão teórica ou empírica para eliminar a dívida pública como fonte de financiamento do Estado, a não ser em condição de esgotamento da capacidade ociosa na economia; da mesma forma, trata-se de um viés ideológico inaceitável para países em desenvolvimento limitar a relação dívida/PIB a valores arbitrários, como aconteceu na Europa do euro sob o Tratado de Maastricht, hoje claudicante. A questão verdadeiramente relevante é a gestão de um endividamento público com caráter produtivo, isto é, a dívida pública deve ser utilizada, prioritariamente, para o financiamento do investimento público com potencial de aumentar a produtividade da economia. Macrodinamicamente, como o investimento público em infraestrutura eleva a taxa de investimento privado (efeito <em>crowding in</em> no médio e longo prazos), a base tributária se expande e a própria dívida pública tende a reduzir-se ou estabilizar-se. Atualmente, não é isso o que ocorre; o endividamento público nos países avançados e em desenvolvimento converteu-se no eixo da acumulação rentista, através de estruturas de revalorização da riqueza pouco ou nada conectadas às necessidades das atividades diretamente produtivas.  Nesse contexto, não é surpresa que as finanças públicas encontrem-se subordinadas às finanças privadas, de acordo com as demandas dos detentores de capital e de grandes bancos e investidores internacionais.</li>
<li>Promoção do investimento de integração econômica, estruturando um novo modelo de desenvolvimento econômico e social ancorado na nova política macroeconômica aqui sugerida, nos termos propostos em projeto de lei em anexo, já em tramitação no Senado brasileiro e em discussão em entidades da sociedade civil de outros países da América do Sul;</li>
<li>Aperfeiçoamento e expansão do uso do CCR nas transações comerciais e de investimento na América do Sul;</li>
<li>Estruturação do sistema de financiamento de investimentos públicos e privados na América do Sul em torno do Banco do Sul, da CAF, do BNDES e de outros bancos públicos regionais, mediante um mecanismo próprio de avaliação de risco que desconsidere as agências externas de classificação, e que funcione como um selo de qualidade para investidores fora da região.</li>
</ol>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Conclusão</span></strong></p>
<p>A crise financeira em curso nos países industrializados avançados não põe em risco apenas o futuro do capitalismo. Põe em risco o futuro da civilização. Mais do que essa crise, em si, são as políticas aplicadas para se tentar superá-la que ameaçaram arrastar o mundo para uma situação de estagnação com surtos de recessão, implicando dramáticas consequências sociais e políticas. É que estamos diante de uma evidente ressurgência neoliberal na Europa e nos Estados Unidos, materializada em fortes pressões internas por ajustes fiscais recorrentes com inelutável efeito recessivo.</p>
<p>Os países que têm contornado a crise com relativo sucesso são os emergentes, notadamente a China e a Índia. É notável que a grande mídia não se tem dedicado a investigar a causa dessa performance, limitando-se a registrar dados. Entretanto a China, uma economia socialista de perfil capitalista, e a Índia, uma economia capitalista de perfil socialista, têm em comum planejamento público centralizado e sistema bancário quase inteiramente público. A diretriz do planejamento ganha imediatamente eficácia através do financiamento produtivo, não especulativo. Esta é a essência da mágica. Outro emergente, o Brasil, reduziu consideravelmente o impacto da crise em 2009 por efeito do influxo de crédito de seu sistema bancário público, 40% do sistema bancário do país, o qual cresceu 27%, enquanto a expansão do crédito bancário privado ficou em 4%. Se fosse depender apenas deste último, dificilmente a economia brasileira teria se recuperado.<br />
Entretanto, sequer a força combinada de todos os emergentes pode, em termos estritamente econômicos, funcionar como locomotiva do mundo. Mas os países emergentes podem ser um importante sinalizador de alternativas de política econômica. Na medida de seu sucesso, e do fracasso inevitável do novo surto neoliberal nos países ricos, é de se esperar um renascimento nestes últimos da opinião pública crítica mobilizando-se no sentido de reverter sua política economicamente ineficaz e social e politicamente suicida, destruidora de seu pacto social básico ancorado no Estado de bem-estar social. É que não há melhor argumento que fatos.</p>
<p>Nosso intuito é, pois, oferecer aos formuladores de política econômica da América do Sul uma contribuição no campo das idéias para o estabelecimento de uma nova estratégia econômica para o continente. Ao mesmo tempo, estamos oferecendo às sociedades de região um conjunto de princípios que eventualmente sirva para alimentar o debate em torno de nossa situação presente e de nosso destino. Não podemos assistir passivamente a um processo que pode nos arrastar para o mesmo abismo em direção ao qual forças retrógradas estão empurrando vários países europeus. Sem uma estratégia clara de ação, estaremos condenados ao retrocesso econômico, social e político.</p>
<p>Naturalmente, mesmo enquanto região, não estamos isolados em relação ao que acontece no resto do mundo, em especial nos países industrializados avançados. Embora não possamos influir diretamente nas políticas ali praticadas, podemos chamar a atenção das respectivas sociedades para suas contradições e incongruências que põem em risco a nossa própria estabilidade. Entre os países ricos, os Estados Unidos enfrentam um problema, sobretudo, de dívida privada, remanescente do colapso do mercado imobiliário. Como emissores da moeda mundial, seu problema de dívida pública é de ordem sobretudo ideológica; são, pois, razões políticas que impedem os Estados Unidos de agirem decididamente por sua recuperação e a recuperação mundial. Já na Europa do euro, onde quebraram vários Estados para que fossem salvos os bancos, a dívida pública tornou-se um foco permanente de especulação. Em ambos os casos, políticas fiscais restritivas são ineficazes para o relançamento das economias. Assim, nos parece inevitável alguma forma de socialização dos bancos como preliminar da reestruturação das dívidas com alguma perda por parte dos investidores, para possibilitar a retomada do desenvolvimento econômico e social sustentável em escala planetária. <em></em></p>
<p><em>(seguem as assinaturas dos primeiros signatários) </em><em></em></p>
<p><em>Maria da Conceição Tavares, Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Lessa, Luiz Carlos Bresser Pereira, Franklin Serrano, Denise Gentil, Theotônio dos Santos, João Sicsú, Luiz Fernando de Paula, Carlos Cosenza, Francisco Antonio Doria, Miguel Bruno, Luís Nassif, Darc Antonio Costa, José Carlos de Assis e Roberto Saturnino Braga. </em></p>
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		<title>26/10/11 &#8211; Empresários latino-americanos defendem maior integração econômica da região contra a crise mundial</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 23:10:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[São Paulo – Medidas para aumentar a integração econômica da América Latina foram debatidas hoje (25/10) por representantes de entidades industriais dos países da região. Ante o cenário de crise mundial, os empresários defenderam o crescimento do comércio como uma alternativa para manutenção do crescimento. O encontro, promovido pela Associação dos Industriais Latino-Americanos (Alia), faz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/10/26/261011-empresarios-latino-americanos-defendem-maior-integracao-economica-da-regiao-contra-a-crise-mundial/america-do-sul-bandeiras/" rel="attachment wp-att-3773"><img class="aligncenter size-full wp-image-3773" title="america-do-sul-bandeiras" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2011/10/america-do-sul-bandeiras.jpg" alt="" width="325" height="466" /></a>São Paulo – Medidas para aumentar a integração econômica da América Latina foram debatidas hoje (25/10) por representantes de entidades industriais dos países da região. Ante o cenário de crise mundial, os empresários defenderam o crescimento do comércio como uma alternativa para manutenção do crescimento.</p>
<p>O encontro, promovido pela Associação dos Industriais Latino-Americanos (Alia), faz parte de uma série de reuniões preparatórias para o congresso da entidade programado para 2012. O presidente da associação, Henry Kronfle, foi o mediador das discussões em São Paulo.</p>
<p>O empresário equatoriano disse que iniciativas conjuntas de países latino-americanos são um bom caminho para o desenvolvimento da indústria local. “Temos que saber o que a nossa indústria produz e por que motivo não estamos comprando o que necessitamos dessa indústria”, disse. “Só assim vamos fortalecer nossas empresas”, completou.</p>
<p>Kronfle destacou em seus discursos o papel do setor industrial na geração de empregos e renda nos países da região. Disse também que não há economias saudáveis sem um setor industrial saudável.</p>
<p>Um dos representantes brasileiros na reunião, o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), Pedro Luiz Passos, ratificou a importância da indústria para o desenvolvimento dos países latino-americanos. Ele também chamou a atenção dos empresários para um processo de perda da participação do setor industrial no Produto Interno Bruto (PIB) desses países.</p>
<p>“A indústria está perdendo espaço na nossa região”, declarou Passos, que também é copresidente do Conselho de Administração da Natura e foi eleito o industrial latino-americano do ano pelo Alia. “Nossos países estão se tornando cada vez mais exportadores de produtos primários.” Segundo Passos, a balança comercial de manufaturados de alta e média complexidade do Brasil, por exemplo, já acumula déficit de US$ 38 bilhões este ano (cerca de R$ 66 bilhões).</p>
<p>Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, demonstrou preocupação com os rumos da indústria da América Latina. Segundo ele, a integração entre os países pode ser uma boa saída para o setor. “[A integração] é uma parte da solução”, disse. “A América Latina tem uma população enorme, um PIB interessante, temos um grande mercado”, completou.</p>
<p>Vinicius Konchinski<br />
<em>Repórter da Agência Brasil</em><em>Edição: Aécio Amado<br />
</em></p>
<p>fonte: <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-10-25/empresarios-latino-americanos-defendem-maior-integracao-economica-da-regiao-contra-crise-mundial" target="_blank">Agência Brasil</a><em><br />
</em></p>
</div>
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		<title>28/09/11 &#8211; Integração da América do Sul é saída para vencer crise econômica, afirmam empresários</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/09/28/280911-integracao-da-america-do-sul-e-saida-para-vencer-crise-economica-afirmam-empresarios/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 22:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[Economistas e representantes do setor empresarial defenderam a integração entre os países sul-americanos para a superação da crise econômica.O assunto foi tratado, nesta terça-feira (27), em audiência pública da Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social, que é vinculada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/09/28/280911-integracao-da-america-do-sul-e-saida-para-vencer-crise-economica-afirmam-empresarios/mesa00-jca-27set11-2/" rel="attachment wp-att-3745"><img class="aligncenter size-full wp-image-3745" title="mesa00-jca-27set11" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2011/09/mesa00-jca-27set111.jpg" alt="" width="501" height="324" /></a>Economistas e representantes do setor empresarial defenderam a integração entre os países sul-americanos para a superação da crise econômica.O assunto foi tratado, nesta terça-feira (27), em audiência pública da Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social, que é vinculada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS).</p>
<p>Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Klaus Curt Müller, a participação dos negócios regionais no volume de comércio internacional brasileiro é pequeno: representa apenas 14% do total. Nos países vizinhos, o volume de comércio com outros países da América do Sul é maior: 36% na Argentina, 26% no Peru e 44% no Paraguai, por exemplo.</p>
<p>- Ainda há muito a ser feito para aumentar essa troca de comércio regional, e a importância estratégica de nossos vizinhos é indiscutível. O Brasil ainda não assumiu o papel de grande investidor da região &#8211; constatou.</p>
<p>Ao apresentar um panorama dos investimentos da construtora Norberto Odebrecht no Brasil e no mundo, o diretor de negócios da empresa, João Carlos Nogueira, lembrou que, historicamente, os países latino-americanos se desenvolveram &#8220;de costas uns para os outros&#8221;, e o resultado pode ser visto nos problemas atuais de infraestrutura, como a falta de integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias.</p>
<p>- A maior parte das nossas exportações para Europa e Estados Unidos é de commodities. Para a América Latina, é o inverso, vendemos mais bens industrializados, portanto nossa situação regional é favorável. Estamos avançando, mas a ameaça chinesa existe &#8211; opinou.</p>
<p>O representante da Odebrecht sugeriu ainda o fortalecimento do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), do governo federal; do Fundo Latinoamericano de Reserva (Flar) e das exportações brasileiras de bens com maior valor agregado.</p>
<p align="center">Bens de capital</p>
<p>A indústria de bens de capital também foi destacada pelos convidados. O professor da UEPB, José Carlos de Assis, alertou para a importância de se impedir que as empresas deixem de produzir para importar.</p>
<p>- Isso gera desemprego, e o mercado de trabalho industrial é de melhor qualidade. Se este mercado não for protegido, vamos pôr o destino de nossos jovens em risco. Temos que fazer como a Alemanha, que se tornou um pólo supridor de bens de capital &#8211; acrescentou.</p>
<p align="center">Projeto</p>
<p>O senador Paulo Paim (PT-RS), que presidiu a audiência, chamou atenção para o PL 232/11, de sua autoria, que pretende incentivar a promoção à integração econômica do Mercosul. A proposição está na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e deve ir para a Comissão do Mercosul, na qual o senador Pedro Simon (PMDB-RS) será o relator.</p>
<p>- As contribuições dos convidados serão levadas em consideração na elaboração dos pareceres &#8211; lembrou.</p>
<p>A audiência desta terça-feira fez parte do Ciclo de Debates sobre a integração da América do Sul, que está sendo promovido pela Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social.</p>
<p>Anderson Vieira / <a href="http://www.senado.gov.br/noticias/integracao-regional-da-america-do-sul-e-saida-para-vencer-a-crise-economica-afirmam-empresarios.aspx" target="_blank">Agência Senado</a></p>
<img src="http://www.rumosdobrasil.org.br/?ak_action=api_record_view&id=3741&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>A duração da crise mundial..</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/09/08/a-duracao-da-crise-mundial-numa-visao-realista/</link>
		<comments>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/09/08/a-duracao-da-crise-mundial-numa-visao-realista/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 19:49:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reagindo à Crise Mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 2009, escrevi o artigo abaixo a propósito da duração da crise financeira nos países desenvolvidos avançados. Revendo esse artigo, tenho pouco a acrescentar, exceto uma ênfase no imperativo da cooperação  e convergência de políticas econômicas desenvolvimentistas entre os países como única alternativa para a superação da crise: A duração da crise mundial Quando escrevi, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2009, escrevi o artigo abaixo a propósito da duração da crise financeira nos países desenvolvidos avançados. Revendo esse artigo,<br />
tenho pouco a acrescentar, exceto uma ênfase no imperativo da cooperação  e convergência de políticas econômicas desenvolvimentistas entre os<br />
países como única alternativa para a superação da crise:</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A duração da crise mundial</span></p>
<p>Quando escrevi, em outubro do ano passado, “A Crise da Globalização”, já estava convencido de que a atual crise seria maior em profundidade e extensão<br />
geográfica que a Grande Depressão dos anos 30. Hoje, poucos duvidam disso. Mas havia a dúvida, que eu compartilhava com outros economistas, sobre sua extensão no tempo. A dos anos 30 durou cerca de dez anos. A japonesa, nos anos 90, durou mais de quinze, até confundir-se com a atual. Será que estamos condenados a essa demora?</p>
<p>A resposta a essa questão não está na economia, mas na política. A duração da crise depende de ações concretas dos governos e de sua coordenação. Por isso é que é  tão difícil prever seu desfecho. Governos são comandados por conchavos políticos, por pressões de grupos e da sociedade como um todo, e, numa extensão nada desprezível, por ideologias. E é sobretudo a ideologia, que em geral recobre interesses de grupos, que pode tornar esta crise de duração indefinida.</p>
<p>Na Grande Depressão, praticamente não houve iniciativa do Governo Hoover para revertê-la. Seu secretário do Tesouro, Mellon, achava que a quebra de empresas e bancos e a generalização do desemprego eram formas de se purgar o capitalismo de suas ineficiências. Quando Roosevelt assumiu, o desemprego estava na casa dos 25% da força de trabalho. Em torno de cada grande metrópole norte-americana surgiram favelas de papelão, as hoovervilles. O país estava à beira da convulsão.</p>
<p>O New Deal, lançado em 1933, começou muito bem. Nos dois anos seguintes a economia estava em franca recuperação. Então o Governo sofreu uma recaída no liberalismo econômico por temor do déficit público: em 36 e 37, cortou seguidamente o orçamento fiscal e aumentou a taxa de juros. A economia, como se poderia prever, entrou novamente em recessão. Roosevelt foi esperto o suficiente para perceber que tinha feito um desastre. Aumentou de novo o gasto público, e a economia respondeu.</p>
<p>Foi em razão desse interregno de liberalismo econômico que os críticos do New Deal sustentam que o programa não funcionou. O que aconteceu, de fato, é que ele só não funcionou, podendo ter encurtado bastante a recuperação, por causa da recaída no liberalismo econômico. Depois veio a guerra. Costumam dizer que a guerra foi a causa real da recuperação. É falso. A economia já estava crescendo de novo em 38 e 39, e atingiria a recuperação plena em pouco tempo, com ou sem guerra.</p>
<p>De fato, os Estados Unidos só entraram em guerra, um pouco a contragosto, em 1941, por causa do ataque a Pearl Harbor. Era notório o baixo grau de mobilização do país, que até o momento se limitara a dar algum apoio material à Inglaterra. Costumo dizer que não foi a guerra que promoveu a recuperação, mas a recuperação que tornou possível aos Estados Unidos travarem uma guerra vitoriosa, em razão da grande contribuição do New Deal à renovação de sua infra-estrutura.</p>
<p>Ao longo do programa, foram construídos ou reconstruídos 820 mil quilômetros de rodovias (para se ter uma base de comparação, temos algo em torno de 80 mil quilômetros de rodovias federais), 124 mil pontes e viadutos, 120 mil prédios públicos, 15 grandes hidrelétricas, sem falar na regularização do curso para navegabilidade de três grandes rios continentais, além da drenagem de milhares de quilômetros quadrados de regiões pantanosas em seu entorno para combate à malária.</p>
<p>O balanço do New Deal desfaz outro fetiche: o da carga elevada em dívida pública legada às gerações futuras por causa dos déficits incorridos no financiamento dos estímulos fiscais à recuperação. No caso, o que se deixou às gerações futuras não foi apenas uma dívida de 32% do PIB, perfeitamente controlável, mas os imensos ativos mencionados acima em termos de infra-estrutura. As gerações futuras mais do que se beneficiaram do aumento de produtividade e de eficiência econômica e social daí resultante.</p>
<p>Vamos ao Japão. O programa de estímulo fiscal, adotado em 1991 depois de uma terrível crise oriunda do mercado imobiliário, começou muito bem. Em 1995, como se fosse uma maldição do New Deal, cortaram o orçamento. A economia tinha crescido 3%, o que era excelente para um país superdesenvolvido. Daí em diante, voltou a recessão, e a política fiscal entrou em ziguezague. Em termos acumulados, houve gastos de 6,3 trilhões de dólares, mais muitos deles redundantes, com pouco efeito na produtividade futura, e baixo efeito multiplicador.</p>
<p>A lição principal dessas duas experiências é que, primeiro, não há alternativa para enfrentar uma depressão senão a ampliação do dispêndio público deficitário; segundo, que não se deve parar o programa no meio. No caso japonês, a despeito da cifra impressionante quando vista isoladamente, é provável que tenha faltado gasto, e não sobrado. No caso norte-americano, se houve erro no New Deal, a culpa foi do corte do déficit sob pressão dos conservadores.</p>
<p>Tomemos um contra-exemplo, a Alemanha de 1930. O chanceler Heinrich Brunning assumiu e impôs dois cortes de 50% do orçamento, jogando o peso do ajuste em cima dos trabalhadores. Ao entrar no cargo, havia 12 deputados nazistas no Parlamento. Um ano depois do primeiro corte, 107; um ano depois do segundo corte, 250. Depois veio Hitler. E depois todos sabem o que aconteceu.</p>
<p>À vista disso, o que se pode dizer da duração da atual crise? Ela será tanto mais breve quanto mais rapidamente os governos lançarem programas vigorosos de estímulos, e na medida em que isso seja coordenado internacionalmente. Talvez não sejam necessários dez anos, talvez bastem cinco ou até menos. Por paradoxal que seja, a conexão global das economias que precipitou a crise numa escala mundial é o mesmo canal por onde pode fluir a recuperação. Basta articulação política, segundo o que tenho denominado de princípio da cooperação.</p>
<p>* José Carlos de Assis é economista e professor, autor de “A Crise da Globalização”.</p>
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		<title>01/09/11 &#8211; Declaración del Consejo Suramericano de Economía Y Finanzas</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 12:04:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[Ciudad de Buenos Aires, 12 de agosto de 2011 Los Ministros de Economía y Finanzas y Presidentes de Bancos Centrales, reunidos el 12 de agosto de 2011 en la Ciudad de Buenos Aires, Argentina, instalamos el Consejo Suramericano de Economía y Finanzas y aprobamos su Estatuto y su Plan de Acción. Las Jefas y Jefes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;" align="right"><a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/09/01/0109-declaracion-del-consejo-suramericano-de-economia-y-finanzas/logo-unasul/" rel="attachment wp-att-3654"><img class="aligncenter size-full wp-image-3654" title="logo-UNASUL" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2011/09/logo-UNASUL.jpg" alt="" width="198" height="149" /></a></p>
<p align="right">Ciudad de Buenos Aires, 12 de agosto de 2011</p>
<p>Los Ministros de Economía y Finanzas y Presidentes de Bancos Centrales, reunidos el 12 de agosto de 2011 en la Ciudad de Buenos Aires, Argentina, instalamos el Consejo Suramericano de Economía y Finanzas y aprobamos su Estatuto y su Plan de Acción.</p>
<p>Las Jefas y Jefes de Estado y de Gobierno de los doce países que conforman la UNASUR, reunidos en la Ciudad de Lima, Perú el día 28 de julio de 2011, instruyeron a los Ministros de Economía y Finanzas y Presidentes de Bancos Centrales acerca de la necesidad de enfrentar conjuntamente los desafíos de la crisis económica y financiera, originada en gran parte de los países desarrollados y de profundizar la integración regional en el marco de la UNASUR para preservar el crecimiento económico, la estabilidad, la inclusión y la cohesión social.</p>
<p>Conscientes de la responsabilidad que nos compete y de la solidez demostrada en los últimos años, que permitió a la región aplicar políticas anticíclicas en un marco de confianza, el Consejo se plantea afrontar de manera coordinada y concertada el actual escenario internacional signado por la crisis en los principales países desarrollados.</p>
<p>La fortaleza macroeconómica construida a lo largo de la primera década del siglo por los países de la UNASUR, fue decisiva a la hora enfrentar con éxito el primer impacto de la crisis en 2008. Las políticas se desarrollaron en un marco de estabilidad y confianza brindada a los ciudadanos de nuestros países.</p>
<p>Durante la reciente crisis internacional, las economías de la UNASUR fueron capaces de mantener importantes tasas de crecimiento de la producción y el empleo. La fortaleza macroeconómica de nuestros países incluida la solvencia fiscal y la solidez de las reservas internacionales, permitió la aplicación de políticas sociales, monetarias y fiscales anticíclicas en un marco de estabilidad. Sosteniendo el alto crecimiento y desarrollo con trabajo e inclusión social. En estas circunstancias, nuestra región se encuentra mejor preparada para enfrentar coyunturas internacionales adversas.</p>
<p>Esta respuesta de la región Suramericana a la crisis sirvió para sostener la actividad y mantener importantes tasas de crecimiento de la producción y el empleo. Por tal motivo, es que este Consejo Suramericano de Economía y Finanzas está obligado a profundizar y generar espacios propios de cooperación, acumulación y reproducción económica, haciéndose imprescindible desarrollar instrumentos de políticas públicas que permitan mayor bienestar de nuestra población.</p>
<p>El compromiso asumido por este Consejo le otorga la máxima legitimidad al proceso en curso.</p>
<p>En el marco del análisis e intercambio de opiniones que se han venido realizando se destaca:</p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li>La crisis financiera iniciada en los países desarrollados en el año 2008 continúa sin resolverse. A pesar de las medidas aplicadas, la desconfianza aún persiste en aquellas economías, en especial en sus capacidades de crecer y generar empleo y de mantener sus niveles de deuda sostenibles.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li>En esa dirección, se considera viable promover el desarrollo de una nueva arquitectura financiera, pero además fortaleciendo y adaptando la existente, para reducir la vulnerabilidad externa de la región e impulsar el desarrollo económico y social, teniendo presente las condiciones institucionales existentes de cada uno de los órganos rectores de la política monetaria, cambiaria y financiera, incorporando los avances logrados en las instituciones existentes, evaluándolas y adecuándolas a los nuevos desafíos de la región.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li>En adición a estos esfuerzos coordinados a nivel regional, cada país de la UNASUR debe continuar adoptando las medidas necesarias para fortalecer su desempeño macroeconómico, financiero, productivo y social en prevención a un posible agravamiento de la crisis en gran parte de los países desarrollados, incluyendo medidas macroprudenciales como forma de prevenir los impactos negativos, provocados por la volatilidad de los flujos financieros.</li>
</ul>
<p>El Consejo acuerda:</p>
<ol>
<li>Trabajar para viabilizar medidas de cooperación técnica en lo atinente al manejo y movilización de las reservas internacionales. Se recomienda impulsar la posibilidad de expansión del Fondo Latinoamericano de Reservas (FLAR) y de su adaptación al nuevo contexto, para potenciarlo como instrumento de toda la región. Se contemplará también el análisis de la puesta en marcha de un fondo de reservas o de otros instrumentos que cumplan similar función.</li>
<li>Impulsar el uso de monedas de la región para cursar las transacciones comerciales intra-regionales que sirvan de incentivo para profundizar los procesos de integración. Además se aconseja implementar mecanismos de financiamiento al comercio, con especial atención a las asimetrías existentes entre los países miembros de la UNASUR.</li>
<li>Recomendar la reevaluación del Convenio de Pagos y Créditos Recíprocos ALADI e invitar a los países miembros de UNASUR a analizar la iniciativa Sistema Unitario de Compensación Regional de Pagos (SUCRE) u otros sistemas de compensación y unidad de cuenta regional para cursar transacciones.</li>
<li>Los países suscriptores del convenio constitutivo del Banco del Sur acuerdan acelerar su lanzamiento, conscientes de la necesidad de contar con instrumentos de financiación de largo plazo, e invitan al resto de los países de la UNASUR a sumarse a la iniciativa con el propósito de consolidar el proceso de integración regional, la cohesión social y la soberanía económica y financiera.</li>
<li>Asumir el compromiso de fortalecer a la Corporación Andina de Fomento (CAF) cuyo objetivo principal es el de promover la integración, el desarrollo y la inclusión social.</li>
<li>Incentivar el comercio intra-regional, adoptando las medidas que sean necesarias, para incrementar los flujos comerciales, y que sea mutuamente beneficioso, considerando las asimetrías existentes entre los países, que confluya hacia la complementación socio-productiva, sobre las bases de la cooperación, aprovechamiento de las capacidades y potencialidades existentes en la región, así como en el uso sustentable de los recursos naturales y la generación de empleos.</li>
</ol>
<p>Por todo lo expuesto y a los efectos de implementar la presente Declaración hemos decidido crear los siguientes Grupos de Trabajo que en un plazo de 60 días presentarán su trabajo a la cumbre extraordinaria del presente Consejo.</p>
<p>GRUPO DE TRABAJO inciso 1: participarán en la coordinación de los trabajos las delegaciones de Colombia y Ecuador.</p>
<p>GRUPO DE TRABAJO inciso 2 y 3: participarán en la coordinación de los trabajos las delegaciones de Venezuela y Uruguay.</p>
<p>GRUPO DE TRABAJO inciso 6: participarán en la coordinación de los trabajos las delegaciones de Brasil y Chile.<strong><br />
</strong></p>
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		<title>Un proyecto (..) la crisis externa</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/08/23/23ago11-un-proyecto-que-va-mas-alla-de-superar-la-crisis-externa/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 18:30:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J. Carlos de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[Página/12 Economía &#8211; Sábado, 13 de agosto de 2011 Un proyecto que va más allá de superar la crisis externa Los países de América del Sur dieron pasos claves en el proceso de integración económica. Se creó un Consejo de Ministros permanente La cumbre de ministros de Economía y banqueros de la Unasur finalizó con [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Página/12<a title="Ir a la sección Economía del día Sábado, 13 de agosto de 2011" href="http://www.pagina12.com.ar/diario/economia/index-2011-08-13.html"><br />
</a>Economía &#8211; Sábado, 13 de agosto de 2011</p>
<h2>Un proyecto que va más allá de superar la crisis externa</h2>
<p>Los países de América del Sur dieron pasos claves en el proceso de integración económica. Se creó un Consejo de Ministros permanente</p>
<p>La cumbre de ministros de Economía y banqueros de la Unasur finalizó con acuerdos para impulsar un fondo latinoamericano de reservas, que permitirá a la región defenderse de ataques especulativos, apurar la creación del Banco del Sur y aumentar el comercio.</p>
<p>Por Tomás Lukin</p>
<p>Los ministros de Economía de la Unasur terminaron la cumbre en Buenos Aires con el compromiso de aumentar la integración. <a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/08/23/23ago11-un-proyecto-que-va-mas-alla-de-superar-la-crisis-externa/foto1_pagina12/" rel="attachment wp-att-3629"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3629" title="foto1_página12" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2011/08/foto1_p%C3%A1gina12-300x160.jpg" alt="" width="300" height="160" /></a>La Unión de Naciones Suramericanas dio un nuevo paso para garantizar la independencia económica regional y enfrentar en forma conjunta la crisis financiera internacional. Los ministros de Economía y banqueros centrales del bloque constituyeron ayer el Consejo Suramericano de Economía y Finanzas. En una extensa reunión celebrada en Buenos Aires los países del bloque superaron sus diferencias en política económica y acordaron un conjunto de medidas. El brazo económico de la Unasur decidió impulsar un fondo latinoamericano de reservas, apuntalar el uso de monedas de la región para desdolarizar el intercambio entre los miembros, incentivar el comercio intrarregional, fortalecer la Corporación Andina de Fomento (CAF), una suerte de banca de desa-rrollo latinoamericana, y acelerar el lanzamiento del Banco del Sur. Las distintas herramientas serán analizadas durante sesenta días para llegar con propuestas concretas a la próxima cumbre de presidentes en Paraguay a fines de octubre (ver aparte). El objetivo de esas iniciativas es reducir la vulnerabilidad externa de la región y dinamizar los procesos de desarrollo en medio de una crisis que se profundiza.</p>
<p>“En un continente acostumbrado a las divisiones y los recelos, la creación del Consejo Suramericano de Economía y Finanzas tiene un sentido político histórico. Más allá de la diversidad de posturas, existe una fuerte impronta para crear un camino común. América del Sur puede convertirse en uno de los motores principales de la economía internacional”, sostuvo el ministro de Economía, Amado Boudou, cuando finalizó el encuentro. Por su parte, el canciller de Venezuela, Nicolás Maduro, señaló a Página/12 que “es la primera vez en 200 años de historia que Suramérica se reúne para hablar de economía. Es un hecho histórico. En otra época el FMI ya hubiera llegado con sus programas de ajuste. Estamos rompiendo las amarras con el neoliberalismo”.</p>
<p>Aunque el Grupo de Trabajo de Integración Financiera ya se había reunido once veces desde 2007, y pese a que el jueves los equipos técnicos trabajaron más de diez horas en la elaboración del comunicado, los ministros y banqueros realizaron una lectura minuciosa –algo fuera de lo común en esa instancia de negociación– que demoró la aprobación final. “¿Para qué se juntaron ayer?”, ironizó Boudou durante el extenso y tedioso tramo final de la reunión.</p>
<p>Para consensuar la primera declaración del Consejo Suramericano de Economía y Finanzas fue necesario zanjar las diferencias en el enfoque de la política económica que existen entre los distintos países. Aunque las delegaciones ya se habían reunido la semana pasada en Lima y contaban con un firme mandato de los presidentes, las sorpresas no tardaron en aparecer. “El área económica es una de las más difíciles para construir consensos en la Unasur, por la diversidad ideológica. Pero estamos frente a un proceso irreversible de integración suramericana”, explicó a este diario la secretaria general del bloque, María Emma Mejía. En ese sentido, el viceministro de Economía, Roberto Felletti, apuntó que “muchos de los países que añoraban el neoliberalismo hoy revisan sus posiciones y apuestan al bloque regional como lo hacemos Argentina y Brasil”. Al mismo tiempo, otras delegaciones como la ecuatoriana y la venezolana reclamaban posturas “más profundas y audaces”.</p>
<p>El presidente del Banco Central de Ecuador, Diego Borja, dijo que “no se puede dejar un desafío tan grande como es reformar la arquitectura financiera a las viejas instituciones. Un fondo común de reservas es algo distinto pero es necesario manejar esas reservas de forma distinta, dejar de colocarlas en bancos internacionales para financiar crisis internacionales”.</p>
<p>Uno de los momentos más tensos de la reunión sucedió por la tarde cuando los representantes del Banco Central de Colombia objetaron el punto del comunicado referido a la creación de un fondo de reservas de la Unasur, argumentando que por ley no podría participar. La aparente negativa fue la máxima expresión del diseño neoliberal que rige el funcionamiento de muchos bancos centrales y consagra su independencia/aislamiento. La postura del Banco Central colombiano contradecía la posición del Ministerio de Finanzas de ese país que contaba con el visto bueno de su presidente, Juan Manuel Santos. Luego de un intenso intercambio de opiniones, encabezado por Venezuela, fue posible avanzar en el impulso de ese fondo de reservas. Por su parte, la titular del Banco Central argentino, Mercedes Marcó del Pont, enfatizó “la importancia de la articulación entre los bancos centrales y Economía”.</p>
<p>Por la mañana, el ministro de Hacienda de Brasil, Guido Mantega, cuestionó el rol del Banco Interamericano de Desarrollo (BID) en América latina. El funcionario, quien tuvo que regresar a su país antes de lo previsto luego de recibir un llamado de la presidenta Dilma Rousseff, advirtió que la entidad diseñada en primera instancia para financiar a la región no cumplió con su función y remarcó que, si bien el titular es el colombiano Luis Alberto Moreno, el control efectivo de los recursos no está en manos de Latinoamérica. Brasil propuso que el comunicado mencione la necesidad de reformar las cuotas y el sistema de votos del BID. Los países del bloque consideraron pertinente la iniciativa pero entendieron que ese reclamo tendrá más fuerza si es realizado en la asamblea anual del BID.</p>
<p>La Unasur logró poner en marcha su brazo económico para hacerse cargo de desafíos crecientes. Los equipos técnicos deberán trabajar ahora a toda marcha para diseñar los mecanismos de defensa a los coletazos de la crisis internacional.</p>
<p>fonte: <a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/economia/2-174409-2011-08-13.html" target="_blank">Página/12</a></p>
<p>-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-</p>
<p><strong>Negociaciones para coordinar el uso de reservas</strong></p>
<p>Un Fondo que no es el de Washington</p>
<p>Por Tomás Lukin</p>
<p>El Consejo Suramericano de Economía y Finanzas de la Unasur acordó avanzar sobre tres ejes: la creación de un fondo de reservas del bloque, el aumento del intercambio regional y la desdolarización en el comercio. Las propuestas de medidas concretas que se discutirán en tres grupos de trabajo coordinados por distintos países apuntan a hacer frente a los movimientos de capitales especulativos, limitar la exposición a los vaivenes del dólar y consolidar la integración productiva. Los países además se comprometieron a fortalecer la Corporación Andina de Fomento y apurar el lanzamiento del Banco del Sur para garantizar la soberanía económica y financiera. Los resultados se conocerán en dos meses, cuando los presidentes del bloque se reúnan en Paraguay.</p>
<p>“La crisis financiera iniciada en los países desarrollados continúa sin resolverse. Durante esa crisis las economías de la Unasur fueron capaces de mantener importantes tasas de crecimiento de la producción y el empleo”, señala la declaración que difundieron ayer los ministros de Economía y banqueros centrales. “Los países deben continuar adoptando las medidas necesarias para fortalecer su desempeño macroeconómico, financiero, social y productivo”, afirma el documento que buscó marcar una clara diferencia con el abordaje recesivo que realizan los países de la Eurozona y Estados Unidos.</p>
<p>El comunicado de la Unasur recomienda “impulsar la posibilidad de expansión del Fondo Latinoamericano de Reservas (FLAR) y de su adaptación al nuevo contexto, para potenciarlo como instrumento de toda la región”, aunque no descarta la posibilidad de poner en marcha otros instrumentos que permitan coordinar la movilización de esos activos en forma preventiva. El FLAR no posee más de mil millones de dólares y ni Brasil ni Argentina participan. Según pudo saber este diario, ambos países, que poseen 350 mil millones de dólares y 51 millones de dólares de reservas respectivamente, están dispuestos a ingresar. De todas formas, países como Venezuela y Ecuador advierten que es necesario modificar el funcionamiento y las condicionalidades asociadas al uso de esos instrumentos.</p>
<p>“Cuando hablamos de un fondo regional de reservas para hacer frente a crisis de balanza de pagos hay que ser cuidadosos porque muchas instituciones vienen con la lógica de otra época. Los bancos centrales tienen que estar mucho más interiorizados, es necesaria la coordinación”, explicó a Página/12 la titular de la autoridad monetaria, Mercedes Marcó del Pont. La funcionaria enfatizó además la necesidad de comenzar a discutir dentro del bloque “las herramientas de controles de capitales de corto plazo y la viabilidad de una moneda de reserva regional”.</p>
<h5>Compromiso por el Banco del Sur</h5>
<h1>Acelerar el trámite</h1>
<p>La Cámara de Diputados comenzará a analizar la próxima semana el proyecto de ley que contempla la adhesión de Argentina a la creación del Banco del Sur, que ya cuenta con media sanción del Senado. La iniciativa será debatida el miércoles en la Comisión de Relaciones Exteriores, que preside el duhaldista Alfredo Atanasoff y luego será tratada en las Comisiones de Finanzas y Presupuesto. El proyecto, promovido por el Gobierno, cuenta con altas chances de ser aprobado antes de las elecciones del 23 de octubre. Los ministros de los siete países que integran la entidad acordaron ayer “acelerar el lanzamiento” del Banco, “conscientes de la necesidad de contar con instrumentos de financiación de largo plazo”.</p>
<p>Para que eso ocurra, el convenio constitutivo que se firmó el 9 de diciembre de 2007, un día antes de la asunción de Cristina Fernández de Kirchner como presidenta argentina, debe ser ratificado por los Parlamentos de los países miembro. Hasta el momento lo hicieron sólo Ecuador y Venezuela. Argentina sería el próximo, aunque se le podría adelantar Uruguay, cuyo gobierno también está intentado conseguir la sanción.</p>
<p>Bolivia inició recientemente los trámites de ratificación legislativa, mientras que en Brasil y Paraguay los procesos vienen más lentos. “Si llegara a aprobarse la legislación en Buenos Aires y luego en un país como Uruguay, se cumplirá el requisito de mayoría y el Banco del Sur quedará formalmente constituido”, indicó a la agencia Telam una fuente de la cartera económica.</p>
<p>Mientras se termina de completar la aprobación, una comisión técnica con más de treinta participantes de los siete países trabaja en el diseño operativo del futuro banco. El acta constitutiva dice que “tendrá por función financiar proyectos de desarrollo en sectores claves de la economía, orientados a mejorar la competitividad y el desarrollo científico y tecnológico”.</p>
<h1>Chávez en el teléfono</h1>
<p>Después del almuerzo que compartieron los ministros de Economía y banqueros centrales de la Unasur, el titular del Palacio de Hacienda, Amado Boudou, mantuvo una distendida conversación con sus colaboradores más cercanos, como el secretario de Finanzas, Hernán Lorenzino, en uno de los bares del Hotel Alvear. El ameno café entre los funcionarios de Economía fue interrumpido por el canciller venezolano, Nicolás Maduro, quien le pasó su teléfono a Boudou y lo comunicó con el presidente de Venezuela, Hugo Chávez. El diálogo fue breve y según pudo saber este diario cubrió desde la cumbre de la Unasur –en ese momento todavía quedaban algunos aspectos políticos por destrabar– hasta las elecciones de mañana, para las cuales Chávez le deseó suerte. Cuando concluyó el intercambio, Maduro continuó al teléfono con Chávez: “Sí, muy bien, estaba contento, estaba todo sonrojado”, se le escuchó decir al ministro venezolano cuando salía del bar. Por la tarde, Página/12 se acercó al funcionario bolivariano: “El presidente Chávez está siguiendo muy de cerca lo que pasa en la cumbre y por eso quería hablar con Amado”, explicó.</p>
<p>Medidas</p>
<p>La Unasur conformará un fondo anticíclico para enfrentar la crisis</p>
<p>El fondo podría alimentarse de las reservas de cada país, cuyo monto global se calculan en unos US$ 500.000 millones.</p>
<p>La Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) formará un fondo financiero anticíclico regional para enfrentar la crisis internacional, afirmó el ministro de Economía, Amado Boudou.</p>
<p>&#8220;Se trabaja en la constitución de un fondo anticíclico regional para enfrentar la crisis financiera internacional&#8221;, dijo el ministro, que actuó como vocero del encuentro que llevan adelante en Buenos Aires los titulares de Economía y Hacienda del bloque.</p>
<p>El fondo podría alimentarse con la liquidez de la cual gozan las autoridades monetarias o bancos centrales de cada país de la región, cuyas reservas globales se calculan en unos 500.000 millones de dólares, según la Comisión Económica para América Latina (CEPAL).</p>
<p>Los mercados bursátiles y financieros acaban de temblar por el temor a que una recesión castigue a Estados Unidos y a que naciones europeas no puedan afrontar sus deudas. Sudamérica también podría sufrir las consecuencias.</p>
<p>&#8220;Los países de la región se encuentran muy bien preparados para enfrentar la crisis&#8221;, evaluó Boudou. Los ministros tenían previsto dejar constituido el viernes un Consejo Suramericano de Economía y Finanzas, en cuyo seno se elabora un plan de acción para blindar a la región de la crisis económica y financiera en Estados Unidos y Europa.</p>
<p>Boudou dijo que hace falta, además, &#8220;integrar cadenas de valor como hicimos la Argentina y Brasil con el comercio automotor&#8221;, de manera de incrementar el comercio intrarregional.  Argentina y Brasil comenzaron su integración en los años 80 con un acuerdo de industrias automotrices en escala.</p>
<p>&#8220;Se avanza en la conformación del Banco del Sur. La Corporación Andina de Fomento (CAF) también es una herramienta muy útil&#8221; para blindar financieramente la región, dijo Boudou en una breve rueda de prensa en el aristocrático Hotel Alvear, en el barrio de La Recoleta.</p>
<p>Los ministros deliberan en Buenos Aires en una continuación del encuentro que mantuvieron recientemente en Lima. El Fondo anticíclico será de hecho la ampliación del actual Fondo Latinoamericano de Reservas (FLAR), que sirve como mecanismo de asistencia a sus miembros ante dificultades financieras.</p>
<p>&#8220;Tenemos el FLAR, que es una institución que es pequeña pero ya existe, y seguramente puede ser un paso intermedio&#8221;, dijo Boudou. El FLAR, con sede en Bogotá, fue creado en 1978 y lo conforman Bolivia, Colombia, Costa Rica, Ecuador, Perú, Uruguay y Venezuela, recordaron fuentes del encuentro de la Unasur.</p>
<p>&#8220;Es necesario trabajar en instituciones para Sudamérica porque las instituciones globales demostraron tener una sola visión de la economía mundial, como pasó con el Fondo Monetario, y eso no fue bueno&#8221;, dijo el portavoz. La UNASUR está integrada por Argentina, Brasil, Bolivia, Chile, Colombia, Ecuador, Guyana, Paraguay, Perú, Surinam, Uruguay y Venezuela.</p>
<p>Sábado 13 de agosto de 2011 | Publicado en edición impresa</p>
<p>Sudamérica se protege</p>
<h1>Prepara la Unasur un plan anticrisis</h1>
<p>Busca auxiliar a países que sufren problemas o ataques especulativos</p>
<p>Por <a title="Ver todas las notas de Javier Blanco" href="http://www.lanacion.com.ar/autor/javier-blanco-170">Javier Blanco</a>  | LA NACION</p>
<p>El flamante Consejo de Economía y Finanzas de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), creado ayer, en Buenos Aires, se impuso un plazo de 60 días para avanzar en la creación de mecanismos que permitan a la región tener más capacidad de coordinación y reacción, &#8220;en vista de que la <a href="http://www.lanacion.com.ar/1396910-se-sentira-el-impacto-de-la-crisis-en-el-pais" target="_blank">crisis de 2008</a> en los países desarrollados continúa <a href="http://www.lanacion.com.ar/1397002-miedo-y-desconfianza-la-gran-similitud-con-2008" target="_blank">sin resolverse</a> &#8220;.</p>
<p>La octava área de trabajo generada dentro de la Unasur encomendó a grupos técnicos que desarrollen medidas de &#8220;cooperación en el manejo y la movilización de las reservas&#8221;, en pos de generar un fondo común para auxiliar a países en problemas o bajo ataque especulativo.</p>
<p>Aunque se destacó la &#8220;fortaleza macroeconómica de la región&#8221;, los ministros de Economía y presidentes de bancos centrales no desconocen los desafíos que plantea el renovado <a href="http://www.lanacion.com.ar/1397060-se-recuperan-los-mercados-pero-no-cesan-los-temores" target="_blank">escenario de crisis internacional</a> . &#8220;Nos tenemos que preparar tanto para eventuales agravamientos como para una crisis más larga en los países avanzados&#8221;, advirtió el ministro de Hacienda de Brasil, Guido Mantega.</p>
<p>La declaración inicial del Consejo de Economía y Finanzas también hizo equilibrio entre &#8220;la solidez y el buen momento de nuestras economías&#8221;, y la &#8220;voluntad de los países de seguir trabajando juntos para dar respuestas a este momento de turbulencias, de manera de tener mayor capacidad de reacción ante la crisis&#8221;, explicó el ministro de Economía, Amado Boudou, al término del encuentro en que hizo las veces de anfitrión.</p>
<p>La ratificación de la voluntad de avanzar en pos de mecanismos comunes de defensa fue valorada por la secretaria general de la Unasur, la diplomática María Emma Mejía.</p>
<p>&#8220;No es casual que nos hayamos demorado en la formación del consejo de economía. Es el área en la que más se notaban las diferencias entre los 12 países de la Unasur. Pero también superamos esa barrera hoy&#8221;, destacó, antes de reconocer la tarea del viceministro de Economía, Roberto Feletti, que coordinó durante 4 años el grupo de trabajo de integración financiera que antecedió al ámbito de trabajo formalizado ayer.</p>
<p>Sin embargo, esa declaración no alcanza para ocultar que la idea de ponerse plazos para avanzar en acuerdos más concretos surge de las diferencias entre miembros de la Unasur respecto de la instrumentación de las posibles medidas.</p>
<p>Por ejemplo, Mantega se mostró partidario de ampliar el existente Fondo Latinoamericano de Reservas (FLAR) como mecanismo para enfrentar la crisis y hasta adelantó que las autoridades de ese fondo (del que hoy no participan ni Brasil ni la Argentina) &#8220;harán una gira promocional&#8221; por la región buscando adhesiones. Pero Boudou evitó todo el tiempo definirse al respecto.</p>
<p>El FLAR, con sede en Bogotá, fue creado en 1978 y está conformado por Bolivia, Colombia, Costa Rica, Ecuador, Perú, Uruguay y Venezuela. Está habilitado para captar recursos del mercado de capitales mediante la emisión de títulos de deuda para contar con la liquidez que le permita asistir a sus miembros ante situaciones de crisis. Como emisor, en agosto de 2010, la agencia Standard &amp; Poor&#8217;s le ratificó su calificación crediticia &#8220;AA&#8221;, es decir, investment grade.</p>
<p>Mantega cree que lo mejor en este contexto sería que la Unasur &#8220;perfeccione instituciones ya existentes, antes de embarcarse en la creación de nuevas&#8221;, en alusión al FLAR.</p>
<p>Boudou fue mucho más prudente: dijo que esa opción &#8220;será estudiada por un grupo regional cuya coordinación estará a cargo de Colombia y Ecuador&#8221;, tanto como la creación de un &#8220;nuevo fondo de reservas u otros instrumentos que cumplan la misma función&#8221;.</p>
<p>En un punto intermedio, Ecuador, propuso simplemente &#8220;una gestión común de las reservas de los bancos centrales&#8221;, confió a la agencia Reuters Diego Borja, presidente del banco central de ese país.</p>
<p>Los otros deberes planteados vienen de antes. Se insiste en la <a href="http://www.lanacion.com.ar/1397102-la-semana-cerro-en-alza-en-las-bolsas-del-mundo" target="_blank">desdolarización</a> del comercio intrarregional, es decir, que el dólar sea reemplazado por las distintas monedas locales en las operaciones que involucren a empresas de los países miembros de la Unasur. &#8220;Será una forma de proteger las reservas&#8221;, explicó Feletti.</p>
<p>También en acelerar los pasos para constituir el Banco del Sur &#8220;para contar con instrumentos de financiación a largo plazo&#8221;, una prioridad para el caso argentino, y un compromiso para fortalecer la Corporación Andina de Fomento (CAF), que hoy tiene 18 países accionistas, en el marco del creciente malestar que hay ante el Banco Interamericano de Desarrollo (BID).</p>
<ul>
<li>La definición: aunque afirman que la región está fortalecida, los países de la Unasur admiten que la continuidad de la crisis abierta en 2008 en las naciones desarrolladas puede llegar a afectarlos.</li>
</ul>
<ul>
<li>La estrategia: avanzar en la creación de un fondo común de reservas para auxiliar a los países en crisis y alentar el comercio desdolarizado.</li>
</ul>
<ul>
<li>Los plazos: en 60 días los grupos técnicos conformados ayer en Buenos Aires deberán entregar definiciones.</li>
</ul>
<p>LAS ALTERNATIVAS BAJO ANÁLISIS</p>
<ul>
<li>Reservas, opción A: capitalizar y ampliar el Fondo Latinoamericano de Reservas (FLAR), una entidad en la que ya confluyen Bolivia, Colombia, Costa Rica, Ecuador, Perú, Uruguay y Venezuela, habilitada para captar fondos en los mercados para contar con la liquidez que les permita asistir a sus asociados en crisis. La impulsa Brasil.</li>
</ul>
<ul>
<li>Reservas, opción B: crear un nuevo fondo común de reservas con aportes de cada miembro de la Unasur, como propone la Argentina, o firmar acuerdos que permitan instrumentar líneas de crédito contingentes entre los distintos bancos centrales, según postula Ecuador.</li>
</ul>
<ul>
<li>Desdolarizar el comercio: impulsar el uso de monedas locales para el comercio intrazona, en un mecanismo tendiente a fortalecer el comercio y preservar la reservas regionales ante un empeoramiento de la crisis financiera en las naciones centrales. Brasil propone usar &#8220;swaps&#8221; cambiarios como hacen los países asiáticos desde el año pasado. Se trata de mecanismos que permiten intercambiar un monto en una moneda por uno similar en otra y pagar una tasa de interés por las posibles diferencias de cotización existentes al comienzo y al final de cada operación. &#8220;Es un instrumento fuerte para protegerse de las turbulencias&#8221;, valoró Mantega.</li>
</ul>
<h1>Boudou no quiere ni hablar de un blindaje</h1>
<p>&#8220;Es una palabra horrorosa&#8221;, afirmó</p>
<p>Rápido de reflejos para hacer campaña aun en tiempos de veda, el ministro de Economía y precandidato oficialista a vicepresidente de la Nación, Amado Boudou, aprovechó una consulta periodística para marcar contrastes con el pasado.</p>
<p>Fue cuando se negó a usar el vocablo &#8220;blindar&#8221; para definir el conjunto de mecanismos económicos y financieros que intenta poner en marcha la región para evitar el impacto de la crisis internacional.</p>
<p>&#8220;La palabra «blindaje» es una palabra horrorosa y me hace acordar a viejos tiempos -dijo-. Mejor hablemos de protección para la región, que es lo que se acordó&#8221;, señaló. El colega que había mencionado la palabra le recordó que no hizo más que repetir una definición que usaron varias autoridades económicas que participaron de la cumbre de ministros de Economía y Finanzas y presidentes de bancos centrales de los países miembros, desarrollada en Buenos Aires.</p>
<h2>Medidas &#8220;rimbombantes&#8221;</h2>
<p>Boudou, que tendrá la presidencia del Consejo de Economía y Finanzas de la Unasur formalizado ayer aquí, destacó reiteradamente la solidez que tienen los países de la región frente a la nueva crisis financiera internacional y, si bien admitió que la situación reclama a los países &#8220;estar muy atentos&#8221;, descartó que hubiera que tomar alguna &#8220;medida rimbombante&#8221;, para enfrentarla.</p>
<p>La reunión de ayer permitió a la Unasur dar un paso para avanzar de la &#8220;defensa de la democracia y la paz regional&#8221;, su objetivo inicial, a la coordinación en materia económica, tarea que mantenía pendiente desde su creación en 2008. El desafío es pasar de las declaraciones a alguna medida concreta que deje a la vista el acuerdo, para lo cual el bloque se dio un plazo de sesenta días.</p>
<p><a title="Ir a la sección Economía del día Domingo, 14 de agosto de 2011" href="http://www.pagina12.com.ar/diario/economia/index-2011-08-14.html">Economía</a>|Domingo, 14 de agosto de 2011</p>
<p>SIN PLANTEAR UNA RUPTURA CON EL SISTEMA FINANCIERO INTERNACIONAL, LA REGION AJUSTA Y COORDINA SUS ARMAS DE DEFENSA</p>
<p>Para enfrentar la crisis mundial con mirada propia</p>
<p>El Consejo de Economía de la Unasur eludió las diferencias ideológicas y avanzó en los acuerdos técnicos.</p>
<p>Por Raúl Dellatorre</p>
<p>Los ministros de los países miembro de la Unión de Naciones Suramericanas, en la foto conjunta.<br />
Imagen: EFE.</p>
<p><a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/08/23/23ago11-un-proyecto-que-va-mas-alla-de-superar-la-crisis-externa/foto2_materia-titulo-pagina12-3/" rel="attachment wp-att-3628"><img class="aligncenter size-large wp-image-3628" title="foto2_matéria-titulo -página12" src="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2011/08/foto2_mat%C3%A9ria-titulo-p%C3%A1gina122-700x375.jpg" alt="" width="700" height="375" /></a>El Consejo Suramericano de Economía y Finanzas culminó su primera reunión en Buenos Aires cargado de compromisos. Poner en práctica las políticas e instrumentos allí debatidos será ahora el gran desa-fío. Gobiernos de distintas vertientes políticas compartieron un documento que, si bien no avanza en condenas explícitas al modelo imperante en la economía mundial y a sus conductores, se adentra por primera vez en plantear la intención, al menos, de dejar de lado los instrumentos de financiación del comercio y el desarrollo controlados desde el Norte, para buscar la elaboración de armas propias. La Unasur, una vez más, dio un paso en lo político que excede todo lo hecho por cualquier otro organismo regional en el pasado. En el caso del plan de acción contra la crisis, además, deberá demostrar que tiene capacidad de llevarlo a la práctica superando la instancia declamativa. Y ello superando no sólo las contradicciones que presentan las miradas diversas entre distintos países de la región, sino también las que existen al interior de algunos de los países participantes, como se pudo ver en Buenos Aires en ciertas contradicciones entre las posturas en los días previos de los más altos mandatarios, y lo que durante el encuentro sostuvieron sus representantes.</p>
<p>¿Qué fue lo que cambió en tan pocos años como para que doce gobiernos de la región, desde Juan Manuel Santos y Sebastián Piñera, a Hugo Chávez y Evo Morales, puedan tener sentados a una misma mesa a sus ministros y autoridades monetarias para discutir un plan de acción común? Fundamentalmente, fue el efecto demostrativo que resulta hoy la crisis en los países centrales. Las políticas de mercado abierto a los capitales financieros demostró su falibilidad. Y hoy, gobiernos como el de Piñera, ubicados en el andarivel de derecha del espectro ideológico regional, recurren a medidas de resguardo restringiendo el ingreso de fondos especulativos a su país.</p>
<p>La otra lección, que repetían participantes de diferentes nacionalidades en los pasillos del hotel donde se realizó el encuentro, es que la región en conjunto es la que puede ser víctima de las esquirlas si no se preserva debidamente. En tal sentido, el ejemplo de Brasil es el más elocuente. “Ya no se maneja como BRIC sino como una nación más en el marco de la región”, señalaba a este diario Jorge Marchini, economista e investigador que participó junto a varias delegaciones visitantes en el análisis y reformulación de documentos. Brasil, en todo caso, terminó comprendiendo que no hay una contradicción en perfilarse frente al mundo como potencia emergente, pelear un lugar en ese plano, pero al mismo tiempo reconocerse como parte –importante, además– de una región con diversas particularidades frente a la crisis. Entre otras, que es la que mejor desempeño tuvo económicamente en estos años de desequilibrios y pérdidas de liderazgos, pero a la vez es la que podría quedar más expuesta a una invasión de capitales especulativos.</p>
<p>Venezuela y Ecuador podrían arrogarse el mérito de ser los países que más batallaron, de ser los precursores, en la apertura de un debate sobre una nueva arquitectura financiera para la región. La amplia propuesta apuntaba a cambiar toda la lógica del movimiento de los capitales financieros en el mundo. De una relación centro-periferia en la cual los capitales oriundos del primero venían a la segunda para obtener altas tasas de rentabilidad y el rescate de la inversión en corto tiempo, la propuesta era pasar a mecanismos autónomos en los que los países de la región generaran sus propios recursos, los circularizaran entre sí o, en el caso de salir a buscarlos en el mercado mundial, se reservaran el derecho de orientar su colocación. El debate de los nuevos instrumentos que surge de la declaración del Consejo Suramericano va aproximadamente en esa orientación, aunque con un alcance por ahora mucho más limitado. En principio, no es una nueva arquitectura financiera lo que se plantea, sino una respuesta coyuntural a la crisis.</p>
<p>Entre aquellos propósitos de máxima –que incluían además del Banco del Sur, un Fondo del Sur y hasta una moneda común– y esta discusión instrumental –coordinación en el uso de reservas, reemplazo del dólar por monedas locales en el comercio intrarregional– hay una distancia importante. El desafío para Ecuador y Venezuela es no desa-lentarse por la parcialidad del debate y no caer en las exposiciones meramente declamativas sobre la crisis y la responsabilidad de los países centrales. “Es un tema en el cual no va a haber acuerdo general y va a provocar distanciamientos; los países que vienen de la experiencia del ALBA (alianza bolivariana que lidera Venezuela) deberían tener participación más activa en la discusión de los documentos técnicos, ahí harían valer sus argumentos y orientarían el uso de los instrumentos hacia posiciones más cuestionadoras del sistema financiero mundial”, propuso un integrante de los equipos técnicos argentinos que intervino en las reuniones de elaboración.</p>
<p>De hecho, el planteo de Venezuela y Ecuador, entre otros, caracterizando la actual etapa como “una crisis mundial del capitalismo”, que pretendía ser incluida como tal en el documento final, generó un cruce con países como Colombia, que defendían el criterio de la descripción del momento como “una crisis financiera”. “Fue uno de los pocos momentos de discusión en los que pudo naufragar el consenso”, comentó otro testigo presencial.</p>
<p>Ocurrió en Buenos Aires y va a seguir ocurriendo. No le será fácil al Consejo de Economía de la Unasur encontrar consensos en base a definiciones conceptuales fuertes, por más que la crisis arrecie. No sólo porque las diferencias ideológicas existen, sino que además muchas veces los funcionarios que participan (ministros, presidentes de bancos centrales) provienen de filas ligadas al neoliberalismo, renuentes a reconocer el pragmatismo de sus propios jefes de Estado. Pasa con Uruguay, pero también con Colombia y Perú, por caso. “El ministro de Economía de Mujica no parece del Frente Amplio”, señaló puertas afuera de la sala de reuniones, pero para que todos lo oyeran, uno de los alfiles de Néstor Kirchner en la construcción de la Unasur. Otros comentaron la resistencia de los representantes colombianos a acceder a discutir el uso de las reservas internacionales como respaldo a países con dificultades, aduciendo que “es resorte del Parlamento, no una facultad nuestra”; cuando había sido el propio presidente Santos el que había promovido este encuentro con ese tema como eje central de la búsqueda de herramientas comunes. Otro ejemplo notorio fue la representación de Perú, que en algunos pasajes pareció rechazar las críticas al modelo neoliberal. Cuando se les recordó que el flamante presidente Ollanta Humala había cuestionado públicamente ese modelo, marcaron distancia señalando que “el presidente es muy pragmático y ésta es una discusión técnica”.</p>
<p>Dejando de lado el debate político, serán ahora los grupos de trabajo técnico los que deban darles forma a las propuestas. No será sencillo, los mecanismos de compensación con monedas locales para el comercio intrarregional quizá pueda ir avanzando pausadamente y la creación de un fondo de respaldo más amplio que el actual FLAT podría ir madurando tal vez lentamente. El Banco del Sur quizá sea llevado a una instancia de rediseño, y el uso de las reservas internacionales, por ahora, sigue encontrando muchas resistencias. Pero la discusión está abierta y, por encima de los interrogantes y las dudas, hay un par de certezas que ya todos comparten: la crisis es prolongada y amenazante, y la necesidad de crear instrumentos de defensa es urgente.</p>
<p>JORGE MARCHINI, ECONOMISTA. CLAVES DEL ACUERDO</p>
<p>“Brasil ya no actúa como BRIC”</p>
<p>Jorge Marchini es economista, investigador en temas financieros y un activo participante, en diversos países de la región, de la elaboración de la propuesta de una Nueva Arquitectura Financiera, el proyecto que dio origen al Banco del Sur. En diálogo con Página/12, comentó los resultados del encuentro de ministros y titulares del Banco Central.</p>
<p>–¿Qué evaluación realiza de las deliberaciones?</p>
<p>–Que América latina esté discutiendo cómo actuar preventivamente frente a la crisis de los países centrales, es un gran paso adelante. Eso en sí mismo ya es una novedad, porque la región no está con problemas de balanza de pagos, ni crisis por los vencimientos de la deuda. Por otra parte, que la agenda incluya el debate acerca de utilizar las reservas internacionales frente a la emergencia de cualquier país de la región, o ir buscando el uso de monedas propias en reemplazo del dólar es un reconocimiento importante de que no estamos separados de la crisis. Esto también es un avance.</p>
<p>–¿Hubo un cambio en la actitud para llegar a esta instancia? ¿Brasil no era acaso el que más se resistía a avanzar?</p>
<p>–Brasil cambió. Hoy ya no actúa como BRIC, como potencia emergente a la par de Rusia, India y China y lejos del resto. Sin resignar esa posición, hoy actúa como miembro de la región. Es parte de América latina, es parte de la formulación de la solución y la suerte de la región también es parte de su propia suerte. Esto es fundamental para el éxito del plan de acción.</p>
<p>–¿Qué chances le ve al plan de acción de la Declaración Final, en cuanto a su concreción en la práctica?</p>
<p>–Va a ser muy complejo. Hay acuerdo en encontrar una nueva estructura financiera de respaldo para el desarrollo de la región. La alternativa es ampliar la capacidad de la Corporación Andina de Fomento o acelerar la creación del Banco del Sur. Hay cierta convicción compartida de que el BID ya no cumple el rol de banca de desarrollo. Pero la CAF también se financia de recursos del mercado financiero mundial, con lo cual mantiene esa misma lógica de que los recursos los provee el Norte.</p>
<p>OPINION</p>
<p>Fiebre verdeamarilla</p>
<p>Por Alfredo Zaiat</p>
<p>La evolución histórica de la economía argentina ha sido materia de estudios académicos por sus recurrentes crisis o por períodos de bonanza extraordinaria. En esas investigaciones se la ubicó en una categoría especial, fuera de normas generales. Esa definición puede ser una licencia de hombres de las ciencias ante la imposibilidad de entender los motivos de tantas penurias y euforias en un país tan rico en recursos naturales y humanos. Con la actual crisis internacional tienen otro particular comportamiento argentino para sumar a esa incomprensión. Los agentes económicos con excedentes compran dólares en cantidad. Durante décadas, con Estados Unidos como potencia avasallante y con debacles seguidas en la economía doméstica, el refugio en el billete verde ha sido la explicable conducta económica, social y cultural para preservar el capital de su evaporación. El actual escenario de la economía mundial y local es otro, con un factor distintivo que es la presencia de una desconocida incertidumbre sobre las perspectivas de esa moneda universal. No son secretas las dudas que existen a nivel global sobre la continuidad de la hegemonía del dólar. Pese a ello, en pocos otros países se mantiene la fidelidad al dólar como en Argentina. Hasta las principales bancas centrales y las dos potencias asiáticas con más activos en dólares, China y Japón, han empezado a disminuir lentamente sus reservas en esa moneda. Frente a ese mundo en crisis, el oro, la plata, materias primas y otros activos tangibles, como inmuebles y campos, se han convertido en refugio ante la debacle de las economías que aún son consideradas potencias.</p>
<p>Por la ansiedad que demuestran por atesorar dólares parece ser que ese panorama internacional no les provoca inquietud a pequeños, medianos y grandes compradores compulsivos de billetes verdes en el país. Pero deberían estar advertidos de que los principales tenedores de dólares fuera de Estados Unidos admiten –en los hechos– que se enfrentan a un dilema de supervivencia: gran parte de sus reservas está colocada en una moneda que se debilita, pero no pueden desprenderse de ella en forma inmediata sin autoinfligirse un daño mayor. En ese inestable equilibrio de la arquitectura financiera internacional comienzan a desarrollar una lenta pero persistente diversificación de activos. El oro emerge como uno estratégico, de refugio frente a un contexto mundial que está transitando la decadencia del reinado de la moneda hegemónica. Por ejemplo, en los dos últimos meses el Banco Central de Corea del Sur hizo sus primeras compras de oro en el mercado mundial en 13 años, por un total de 25 toneladas de oro con el fin de diversificar sus reservas, elevándolas a un total de 39,4 toneladas. Tailandia también incrementó sus compras de oro. A fines de junio sus reservas de oro habían aumentado un 15,5 por ciento, al sumar 4,07 millones de onzas. En 2010, el Banco Popular de China fue el mayor comprador en toneladas adquiriendo 454, seguido por India y Rusia. El World Gold Council (Consejo Mundial del Oro) ha publicado una actualización de las “Reservas oficiales mundiales de oro”, a agosto de 2011. La lista la encabeza Estados Unidos con 8133,5 toneladas, que representan el 74,2 por ciento de sus reservas en divisas. Alemania le sigue con 3401,0 toneladas de oro, el 71,4 por ciento de sus reservas en divisas. Las reservas de oro de Rusia aumentaron en julio 6,2 toneladas hasta las 836,7. Argentina ocupa el puesto 42º con 54,7 toneladas, equivalentes a 5,1 por ciento de sus reservas en divisas, según el Consejo Mundial del Oro. Una estrategia prudencial del Banco Central indicaría que esa proporción debería ser más elevada teniendo en cuenta los movimientos que están realizando las potencias emergentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>El oro está registrando un recorrido alcista de diez años durante los cuales su precio se multiplicó casi por cinco. A fines de 2009, el oro se negociaba a 1200 dólares la onza (28,349 gramos; y la troy, 31,103); hoy cotiza por encima de los 1700. Esos valores nominales impactan porque superan máximos históricos. Pero en términos reales, ese precio se encuentra todavía por debajo de los 850 dólares que alcanzó en enero de 1980: la cotización del oro ajustada por la inflación de ese período debería estar cerca de los 2000 dólares la onza para ser equivalente a ese valor. El oro es el rey de los commodities pese a que no paga ni intereses ni dividendos, por lo tanto su renta está vinculada exclusivamente con la evolución de su precio. Si se observa el precio del oro en dólares y la inflación en los Estados Unidos, se observa que la fama del oro como refugio de la inflación estuvo bien ganada en la década del ’70, cuando esa variable se disparó. En ámbitos académicos de los países centrales una de las opciones que se sugieren para hacer más manejable la abultada deuda de Estados Unidos, como la de países europeos, es la inflación que la licuaría, antes de aplicar un default con quita y refinanciación de pasivos que afectaría inmediatamente el patrimonio de los bancos.</p>
<p>El recorrido del precio de un activo en términos nominales y reales ajustado por inflación resulta muy ilustrativo. Es un sendero complejo de abordar, puesto que con el oro o incluso con el dólar actúa lo que se conoce como ilusión monetaria. Afecta a gran parte de los agentes económicos. Tienen la impresión de haber aumentado su capacidad de compra por alzas en valores nominales sin calcular el alza del resto de los bienes, que en algunas ocasiones produce una pérdida del poder adquisitivo del dinero. La ilusión monetaria genera la creencia de ser más rico por el incremento nominal del capital pese a que en términos de la capacidad adquisitiva es igual o menor que antes de esa suba. Por ejemplo, un millón de dólares de hoy no compra lo mismo que hace veinte años, aunque ese monto de dinero sigue siendo importante. Incluso el oro que hoy cotiza en valores nominales máximos, en términos reales todavía se encuentra por debajo de su record.</p>
<p>La ilusión monetaria interviene con intensidad en períodos de alta inflación. Aunque ese comportamiento está adquiriendo otra característica, que no se refiere a ese concepto original, sino que se redefine a partir de un fenómeno nuevo consistente en la pérdida de la hegemonía monetaria del dólar. La cuestión más fascinante y llena de incertidumbre de la actual crisis global reside en que ese patrón dólar está tambaleando. La patología argentina con el dólar no sufrirá una terapia de shock, puesto que los procesos de decadencia no son automáticos. Aunque esa conducta no deja de ser extraña cuando la actual crisis se desarrolla con final abierto, pérdida adquisitiva del dólar y un sistema monetario mundial futuro desconocido. Por lo pronto, el Premio Nobel Joseph Stiglitz afirmó que “el sistema de reserva global basado en el dólar ya está desgastado: el dólar demostró no ser una buena fuente de almacenamiento de valor”.</p>
<p><a title="" href="mailto:azaiat@pagina12.com.ar">azaiat@pagina12.com.ar</a></p>
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