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	<title>Rumos do Brasil &#187; Gustavo Galvão dos Santos</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>Por que não uma montadora brasileira?</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2009/11/14/por-que-nao-uma-montadora-brasileira/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 22:50:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Galvão dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política Industrial e Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise oriunda do mercado de capitais norte-americano transbordou rapidamente para a chamada economia real. O episódio recente da intervenção do governo dos EUA na GM demanda reflexão sobre a importância estratégica de certas indústrias. Os setores metal-mecânico, químico e eletroeletrônico respondem por algo entre 55% e 75% das exportações dos países mais desenvolvidos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crise oriunda do mercado de capitais norte-americano transbordou rapidamente para a chamada economia real. O episódio recente da intervenção do governo dos EUA na GM demanda reflexão sobre a importância estratégica de certas indústrias.</p>
<p>Os setores metal-mecânico, químico e eletroeletrônico respondem por algo entre 55% e 75% das exportações dos países mais desenvolvidos e dos tigres asiáticos. Chamamos esses setores de indústrias centrais. A metal-mecânica é o núcleo duro da indústria dos países mais desenvolvidos e também, como uma nova política industrial brasileira, deveria prestigiar as regiões menos desenvolvidas, como é o caso do Nordeste, a partir de estímulos e ações indutoras da instalação competitiva de indústrias centrais.</p>
<p>As indústrias centrais constituem a base das inovações e da competitividade dos países mais desenvolvidos. Para se ter apenas uma rápida dimensão, basta mencionar que os Estados Unidos, a Europa e o Japão respondem por pouco menos de 70% dos gastos globais em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D). Quem desejar se tornar desenvolvido, precisa estar presente competitivamente nas indústrias centrais. Compreendemos que elas devem articular uma nova política industrial para os países menos desenvolvidos.</p>
<p>Após a Segunda Guerra, o Japão era um país derrotado. Duas bombas atômicas haviam destruído vidas e deixado marcas profundas de humilhação. No início da década de 1950, grupos de engenheiros e técnicos da Toyota viajaram para os EUA com o intuito de observar como se poderia ser competitivo na fabricação do automóvel. O jogo já era global naquele tempo. Eles visitaram as instalações da Ford e perceberam que não teriam condições de adotar ortodoxamente tal paradigma de organização da produção. Posteriormente, a administração Reagan imporia cotas de importações sobre o Sistema Toyota de Produção. Combinando automação de baixo custo com trabalhador multifuncional, a Toyota revolucionou a indústria automobilística.</p>
<p>No início da década de 1960, o Produto Nacional Bruto (PNB) per capita sul-coreano era menor do que o do Sudão e não ultrapassava as casa dos 33% do produto mexicano. A rápida industrialização da Coréia do Sul derivou em grande parte da imitação (engenharia reversa, por exemplo), legal ou não, e no desenvolvimento de aptidões tecnológicas, que, por sua vez, compreendem investimentos combinados nos sistemas de produção e inovação. O Estado jogou um papel-chave ao longo do processo de mudança econômica no momento em que o os agentes econômicos nacionais mostravam-se frágeis frente aos riscos e às incertezas do desafio do desenvolvimento.</p>
<p>Hyundai e Kia são realidades hoje na indústria automobilística mundial. A Kia, por sua vez, iniciou suas operações, em 1944, como fabricante de bicicletas em Seul. Atualmente ela se faz presente em mais de 170 países vendendo automóveis. Essa empresa foi a primeira fabricante de veículos sul-coreana e a sua primeira exportadora de automóveis. A primeira moto C-100 foi introduzida em 1961 no mercado interno pela empresa e, em 1974, ela começou a produzir o carro de passeio Brisa, que, em 1975, foi o primeiro automóvel exportado pela Coréia do Sul, embarcado para a Grécia e Oriente Médio. Em 1976, a Hyundai exportaria o modelo Pony, que utilizava tecnologia japonesa da Mitsubishi.</p>
<p>No ano de 1986 a Hyundai iniciou a exportação do modelo Excel para os EUA, ingressando oficialmente no maior mercado do mundo. O Excel foi bem aceito inicialmente, porém após tentativa da empresa de barateá-lo, a qualidade do produto foi afetada, afetando em decorrência a própria imagem da Hyundai. O modelo esteve sujeito a problemas de controle de qualidade, precisando constantemente trocar peças. Somente a partir de 1991 a Hyundai apresentou o primeiro motor de fabricação própria, iniciando naquele momento o caminho da independência tecnológica e dando origem a uma família de motores com elevados níveis de desempenho. Com uma imagem associada à má qualidade, principalmente no mercado norte-americano, a montadora decidiu investir na qualidade e no design dos seus automóveis. Os esforços da Hyndai foram premiados com o 2003 Global Automotive Shareholdes Value Award, entregue pela PriceWaterhouse Coopers e Automotive News.</p>
<p>Essas empresas sul-coreanas evoluíram tecnologicamente desde sua constituição e buscam atualmente convergir esforços no desenvolvimento de tecnologias mais limpas do ponto de vista ambiental. Para tanto, elas buscam articular tais metas a partir dos seus programas de P&amp;D.</p>
<p>A indiana Tata Motors vem operando desde 1945. Ela possui, desde 2005, uma aliança estratégica com a Fiat. Através de subsidiárias e companhias associadas, a Tata opera na Grã-Bretanha, na Coréia do Sul, na Tailândia e na Espanha. Destaca-se também uma joint venture com a empresa brasileira Marcopolo, constituída a partir de 2006. Com mais de 2.500 engenheiros e cientistas, seu Centro de Pesquisa em Engenharia, estabelecido em 1966, vem propiciando o desenvolvimento de tecnologias e produtos.</p>
<p>Paradigmas produtivos evoluíram, mas a relação de complementaridade estratégica entre Estado e mercado nacional mostra-se permanente. Ao longo do século XX, deve-se observar que Japão, Coréia do Sul, e, mais recentemente, Índia e China não inventaram a roda do desenvolvimento econômico. A GM foi recentemente “nacionalizada” por razões estratégicas.</p>
<p>A indústria automobilística testemunhou transformações profundas nos últimos vinte anos. Ciclos de vida de produtos reduzidos dramaticamente, mais de 50% em média, e logística empresarial flexível não são obstáculos intransponíveis de serem vencidos pelo Brasil.</p>
<p><em>Este artigo foi escrito em co-autoria com Rodrigo L. Medeiros e foi publicado originalmente no dia 17/06/2009, no jornal Monitor Mercantil.</em></p>
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		<title>Perspectivas de um pacto suprapartidário pelo desenvolvimento</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 18:58:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Galvão dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política Industrial e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[metal-mecânico]]></category>
		<category><![CDATA[pre-sal]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao que tudo indica, a sagacidade do presidente Lula conseguiu influenciar os rumos dos debates políticos de 2010. O debate do pré-sal deverá polarizar ideologicamente governo e oposição. Pensamos que essa polarização não deveria ser objeto de desagregação política. Afinal, quem é contra o desenvolvimento brasileiro? Há certamente visões conflitantes sobre como esse processo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao que tudo indica, a sagacidade do presidente Lula conseguiu influenciar os rumos dos debates políticos de 2010. O debate do pré-sal deverá polarizar ideologicamente governo e oposição. Pensamos que essa polarização não deveria ser objeto de desagregação política. Afinal, quem é contra o desenvolvimento brasileiro?</p>
<p>Há certamente visões conflitantes sobre como esse processo de desenvolvimento se daria. Nada de anormal em uma democracia que busca se aprofundar e consolidar. Ademais, o jogo político prevê o dissenso e o contraditório em sistemas democráticos, ainda que muito imperfeitos.</p>
<p>Defendemos que o pré-sal poderia se tornar peça de um importante pacto novo-desenvolvimentista por compreendermos que os setores metal-mecânico, químico e eletroeletrônico respondem por algo entre 55% e 75% das exportações dos países desenvolvidos e dos tigres asiáticos, e por mais de dois terços das patentes industriais. Chamamos esses setores de indústrias centrais.</p>
<p>As indústrias centrais constituem a base das inovações e da competitividade das nações desenvolvidas, cujos gastos em P&amp;D respondem por 70% dos globais. Quem desejar se tornar desenvolvido precisará estar presente competitivamente nessas indústrias.</p>
<p>Por que não transformar o debate do pré-sal num pacto suprapartidário pelo desenvolvimento sustentado brasileiro? Como se poderia articular o ritmo da exploração do pré-sal com uma nova estratégia de desenvolvimento industrial?</p>
<p>Receitas para o desenvolvimento das sociedades organizadas são muitas. Conforme tem escrito há pelo menos uma década Dani Rodrik, as sociedades precisam estar abertas à experimentação e a políticas heterodoxas.</p>
<p>A análise econométrica empreendida pelo respectivo acadêmico aponta para o fato de que os países que conseguiram sustentar o processo de crescimento econômico após a Segunda Guerra foram capazes de articular uma ambiciosa política de investimentos produtivos com instituições capazes de lidar com os choques externos adversos, não os que confiaram na mobilidade do capital e na redução indiscriminada de suas barreiras alfandegárias.</p>
<p>Em síntese, os países devem buscar alargar suas margens de manobra no concerto das nações e experimentar políticas de desenvolvimento capazes de levar em conta suas especificidades e interesses.</p>
<p>A suposta separação entre Estado e mercado não se sustenta como um fato nas realidades vividas pelas sociedades organizadas mais desenvolvidas. Nota-se, ademais, que a cooperação pelo desenvolvimento econômico estrutura relacionamentos duradouros entre ambos, pouco importando em alguns casos qual agremiação política encontra-se à frente do governo nacional. A respectiva divisão do trabalho e a coordenação dos processos inovadores extrapolam a abstrata perspectiva do equilíbrio involuntário.</p>
<p>Para o caso brasileiro, bancos públicos, com destaque para os bancos de desenvolvimento, podem jogar um papel importante na garantia do acesso ao crédito para empresas que desejarem realizar investimentos produtivos. Defendemos que se priorize a alocação de recursos nas indústrias centrais a partir da articulação de uma nova política industrial capaz de atacar eficazmente as persistentes disparidades regionais brasileiras.</p>
<p>O contexto se mostra favorável para se rever posicionamentos estratégicos organizacionais na medida em que os próprios industriais constatam atualmente a perda de competitividade exportadora das manufaturas brasileiras.</p>
<p>Além da complementaridade entre manufaturas e serviços, deve-se destacar que a produtividade costuma ser mais elevada nas manufaturas, tendendo a aumentar mais rapidamente do que na agricultura ou nos serviços. Portanto, sem um setor de manufatura forte, torna-se praticamente impossível desenvolver serviços de alta produtividade.</p>
<p>Os ganhos de produtividade não ocorrem por acaso. Eles resultam de esforços e processos de aprendizado coletivo. Nesse contexto de esforços coletivos para o desenvolvimento econômico, dificilmente o Estado poderá se dedicar apenas a áreas básicas da vida nacional. Os esforços para o desenvolvimento demandam coordenações institucionais que extrapolam a lógica dos sinais de mercado.</p>
<p>A importância das indústrias centrais para o desenvolvimento das sociedades torna-se clara. Mas o Brasil teria condições de ser competitivo em “setores consolidados”? Pode-se lograr êxito com esforços, condições macroeconômicas adequadas, capacitação tecnológica e investimentos. Deve-se aceitar o fato de que o país não investe adequadamente em ciência básica como um entrave?</p>
<p>Dados dos EUA informam que aproximadamente dois terços da P&amp;D estão no D, ou seja, são empregados no planejamento, no teste do produto, no re-design e na melhoria do processo de produção. O desenvolvimento científico se tornou cada vez mais dependente do progresso tecnológico, e este, por sua vez, do desenvolvimento econômico das sociedades. Esse fato deveria abrir um novo campo reflexões no Brasil.</p>
<p>Quando se amplia o escopo atual do debate, nota-se como o esforço inovador ainda é baixo na América do Sul e a qualificação de recursos humanos revela-se ainda insuficiente. Deve-se destacar, entretanto, que a capacitação técnica da força de trabalho asiática nas últimas cinco décadas foi sendo construída ao longo do processo de melhorias contínuas na produção e na gradual agregação de valor local. Ela não foi um fator majoritariamente constituído a priori.</p>
<p>Guardadas as devidas proporções, o Brasil poderia viver um processo similar de construção nacional a partir de um pacto suprapartidário pelo desenvolvimento em torno do pré-sal.</p>
<p><em>Este artigo foi escrito em co-autoria com Rodrigo L. Medeiros e foi publicado originalmente em 16/09/2009, pelo jornal Monitor Mercantil.</em></p>
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