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	<title>Rumos do Brasil &#187; Gilberto Marques</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>Uma receita para o bolo tributário</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 20:13:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política Fiscal]]></category>

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		<description><![CDATA[A carga Tributária brasileira é escorchante – tira a pele e o miolo do cidadão. Quem não sabe, sente o peso. Desde Xica da Silva, a questão propagou-se na história nacional. O contratador comia de um tudo. O duro é saber que o Rei foi-se, mas ficou o filho que ganhou no grito.  Ainda tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center">A carga Tributária brasileira é escorchante – tira a pele e o miolo do cidadão. Quem não sabe, sente o peso. Desde Xica da Silva, a questão propagou-se na história nacional. O contratador comia de um tudo. O duro é saber que o Rei foi-se, mas ficou o filho que ganhou no grito.  Ainda tem o Dia do Fico nos registros da façanha. A turma lusitana ficou no poder por 389 anos.</p>
<p style="text-align: left;">Na República, Deodoro,  um general monarquista deu uma volta de cavalo e tomou assento na Presidência. Mudou a forma de Governo e só. Floriano, que também era general e alagoano, não fez florescer o novo dia. Rui Barbosa, no seu Credo Político, disse: “a República decai porque se deixou estragar”. Apesar do brilho e prestígio, Rui nunca foi eleito Presidente.</p>
<p style="text-align: left;">Veio o golpe de 30. O golpe de Getúlio em cima do golpe de 1930, estendendo por quinze anos o seu julgo. Depois, a Constituição Democrática de 46. Juscelino e as despesas com Brasília. A vassoura janista, a ilusão da limpeza. Jango, 64, a Ditadura de novo e, mudança que é bom&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">Eleito, FHC seria, pelo menos, progressista. Não foi. É agora, depois que seu tempo passou. Por fim, um trabalhador nos braços do povo. Na crista da onda, Lula manteve, inclusive, a malfadada CPMF. O Senado, por birra e vingança, fez o que ele prometera no palanque. E Lula praguejou contra os Senadores. Na verdade, a Contribuição vinculada às contas bancárias nunca deu saúde a ninguém. Foi mais desviada que as Caravelas de Cabral. A Nação permaneceu doente e a saúde continuou por um fio.</p>
<p style="text-align: left;">O Congresso agora aprecia a PEC nº 29, que pretende dar vigência ao que já existia na Constituição de 88. “Saúde é direito de todos”, na Carta Cidadã. A Presidente Dilma não macaqueou e chamou a iniciativa de presente de grego. O cavalo de Tróia anda nas bocas, mas continua sem dinheiro no lombo.</p>
<p style="text-align: left;">As lideranças partidárias reunidas discutiram fórmulas para aumentar a receita nacional. Imposto novo – como sempre, taxa extra, bandeira dois, etc. Até que surgiu a proposta do novo líder como na fábula A Convenção dos Ratos e propôs a legalização do jogo de azar. Azar não, sorte. A perseguição ao jogo do bicho do século XX foi por conta da loteria federal. O fechamento dos cassinos é da mesma época. Criou-se uma falsa moral anti-jogo. Lembra a Lei Seca dos EUA e seus efeitos nefastos, até hoje.</p>
<p style="text-align: left;">O Ordenamento, todavia, não conseguiu brecar a jogatina. Pelo contrário. Nasceu a leniência corrupta no vaivém da cópula estéril. A idéia é lúcida e factível: receita nova de fórmula velha. Engavetada no subterrâneo de interesses inconfessáveis. Pronta, contudo, para legalizar empregos e profissões. Riqueza certa no bolo tributário, sem alterar a vida do cidadão comum ou a despesa do jogador habitual. De lambuja, pode acalentar a insônia das velhinhas que fumam e jogam nas casas clandestinas. Na noite escura, ficam sujeitas às batidas e aos assaltos. No planeta, só Cuba e Brasil são sectários. Os protestantes ianques tem Las Vegas e outras Las para gerar diversão e dinheiro. Imposto leve, com gosto de festa. Quem vai botar o guizo no pescoço do gato? Ô bolo!</p>
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		<title>A eloquência do calar</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 12:44:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ordem Jurídica]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rio de Janeiro continua lindo. E como disse Antônio Maria: “gosto de você”&#8230; desse céu, desse mar, dessa gente feliz. Apesar de todas as loas e da Ararinha Azul que voou para lá, outra nuvem sombria pousou nos céus do lugar escolhido para os braços abertos do Redentor. Um maluco ressentido, antes do vilipêndio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rio de Janeiro continua lindo. E como disse Antônio Maria: “gosto de você”&#8230; desse céu, desse mar, dessa gente feliz. Apesar de todas as loas e da Ararinha Azul que voou para lá, outra nuvem sombria pousou nos céus do lugar escolhido para os braços abertos do Redentor.</p>
<p>Um maluco ressentido, antes do vilipêndio derradeiro, da auto misericórdia, atacou crianças e adolescentes. Curioso. Nos atentados desse porte as escolas, as crianças, os estudantes são o alvo preferido. Talvez pelo riso fácil, pela alegria que ulula nas escolas. Criança corre lépida, fala muito, ri à toa. Felicidade incomoda, inveja mata.</p>
<p>Comum nos ataques é o suicídio do epílogo. Na morte o que não obteve na vida. Na verdade o facínora, mal resolvido, patrocina um Mega Show no último ato. Não agüenta mais conviver consigo mesmo. Perturba-se com a iniqüidade que lhe assalta o espírito toda hora, o tempo todo. A dor do insucesso recheia a vaidade reprimida.</p>
<p>Prepara o roteiro, rumina o ódio, escolhe o cenário. Na cesta o pão é a pistola, o recheio a munição. A toalha, do piquenique, é negra do luto planejado. Cuidadoso e lento, frio e calculista refestela-se no mal que antecede o gesto. Quanto mais câmeras melhor. A trilha sonora o estampido fatalista. Os tambores, do revólver, gritam ratatatá.</p>
<p>A carta explica tudo, suprime dúvidas, anuncia o epitáfio. O de Realengo disse, inclusive, o lugar da sepultura escolhida e a vizinhança da mãe de criação. No auge do delírio psicótico exigiu luva nos impuros que haveriam de tocá-lo no exame cadavérico. A luva é obrigatória nas mãos do legista a não ser no IML de Pernambuco. O pedido é irônico. A exigência é picardia.</p>
<p>Enfim a calçada da fama. Microfones e refletores. A notoriedade do chinfrim na peroração o último desejo do condenado por si mesmo. A ribalta, a eternidade dos cartórios, o prêmio da mídia. O Zé Ninguém na pluralidade das lentes. Câmeras e microscópios atenção, claquete: filmando.</p>
<p>Paro, penso, choro pelas crianças como Dilma. Em nome dos brasileirinhos peço e rogo. Proponho um pacto, porém: no lugar do clássico minuto de silêncio em homenagem as vítimas indefesas, o silêncio eterno do não. Sem rosto e sem nome queimem o assunto. Sem nome e sem rosto o malogro do plano. Negue-se a imortalidade aos acadêmicos do horror.</p>
<p>O fogo eterno do reino de Lúcifer pode começar pelo forno da cremação. Larvas e baratas merecem cardápio melhor. O equilíbrio ecológico agradece. O fim da história, sem contador prá contar é um bom começo. O discurso do silêncio de Cícero, no Senado Romano, ecoa até hoje. Jornais e revistas de todos os matizes psiu&#8230; Deixem a lágrima correr calada. O silêncio pode matar a idéia do matador. Sem repercussão não há motivação.</p>
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		<title>Apenas um ato!</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/03/24/apenas-um-ato/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Mar 2011 13:51:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ordem Jurídica]]></category>

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		<description><![CDATA[O Vice José Alencar teve a vida que pediu a Deus. Nasceu pobre de marré, marré, marré. Ficou rico apesar de marré deci. Cresceu no comércio migrou para a indústria, juntou os dois. O sucesso estimulou a pretensão eleitoral. Do empório para o partido foi um pulo. Perdeu a primeira, ganhou a segunda – foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Vice José Alencar teve a vida que pediu a Deus. Nasceu pobre de marré, marré, marré. Ficou rico apesar de marré deci. Cresceu no comércio migrou para a indústria, juntou os dois. O sucesso estimulou a pretensão eleitoral. Do empório para o partido foi um pulo.</p>
<p>Perdeu a primeira, ganhou a segunda – foi Senador da República. Em Brasília, acostumou-se a ganhar. Não perdeu mais. Deu sentido a aventura lulista e foi presidente várias vezes sem ter um voto sequer. O vice ganha voto – e foi o caso, mas não é votado na eleição direta, fica na sombra da chapa. Aparou arestas do PT e minimizou o medo de Regina Duarte. O poder econômico rendeu-se aos encantos do labor. A dupla passou oito anos no Planalto e de lambuja fez Dilma.</p>
<p>O tempo, porém, é inexorável e a morte não respeita dinheiro, poder e outras rezas. No caso de Alencar o convite foi reiterado dezessete vezes. O destino escolheu o câncer. Ele ficou no ringue 18 rounds. A luta de titãs fez pouco de Mike Tyson e seus colegas de bofete. Duro na queda entrava alquebrado, saía novo. Pronto para outra. Rindo fazia troça dos danos e da patologia. Foi paciente, cobaia e macho que nem preá. A história do preá é que complica o meio campo. Onde tem mocó, tem cobra. E cobra é um perigo.</p>
<p>O homem era vivedor de primeira categoria. A festa, a diversão, o prazer, fazem parte da vida. Ficar rico e não usufruir dos privilégios é maluquice de “Workaholic”.  Virou herói aos olhos da mídia, da política, dos colegas de riqueza. Mas na zona perdeu o cartaz.</p>
<p>Pois é, nas suas andanças pelo mundo Alencar foi namorador também. No conjunto de amores surgiu um rebento extranumerário. A filha, havida fora do casamento com dona Mariza, resolveu investigar a paternidade. Quando o fez, o homem já era rico, notório, poderoso. Chamado pela Justiça disse não, inclusive, à perícia do DNA. O Juiz, corajoso, prolatou a Sentença e a negativa justificou a presunção. Inconformado, recorreu.</p>
<p>Embora os feitos da Vara de Família corram em segredo de Justiça. A condenação vazou para a mídia. Provocado pelos repórteres, foi cruel com a filha suposta: “Todo rapaz ia para zona no meu tempo”. E daí? A responsabilidade é objetiva na concepção!</p>
<p>A lei não confere o direito de escolher. Ser ou não ser depende apenas da cópula. É como no restaurante, comeu tem que pagar – Artigo 176 do Código Penal.</p>
<p>A COTEMINAS é uma empresa bilionária ao que se diz. É claro que Alencar, como dono, também o é. Dinheiro grande, coração pequeno. O sucesso na política, na indústria, no comércio e sua luta contra o câncer deu muito o que falar. A beira da morte, muitas vezes ia e vinha. Dilma, a presidenta, colega nos governos e no câncer, falou da “marca indelével” que deixara. Lula, aos prantos, agradecido e saudoso, foi o Lula de sempre: “Éramos como dois irmãos, pai e filho&#8230;” E completou: “a gente funcionava como se fôssemos uma orquestra.” Que orquestra! Assisti ao filme. Em matéria de pai, sou mais dona Lindu.</p>
<p>Para ser pai basta apenas um ato. Para desmentir a bonomia e o heroísmo também basta um. Dizer, na galhofa, que a moça é filha de uma prostituta gera, à luz da física elementar, reação igual e contrária. E, de lambuja, vem a <strong>cremação</strong>.</p>
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		<title>A mordomia e o caixa</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/02/24/a-mordomia-e-o-caixa/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 14:43:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ordem Jurídica]]></category>

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		<description><![CDATA[Há muito ouço falar das prerrogativas que o cargo público de relevância concede. No início da Abertura Democrática, notícias vazavam dos intestinos do Planalto. Vinho, filé, lagosta saíam aos montes no exagero das fofocas. A quantidade apontada surpreenderia qualquer restaurante da grande porte. O que ninguém sabe é se a comilança era na cozinha ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito ouço falar das prerrogativas que o cargo público de relevância concede. No início da Abertura Democrática, notícias vazavam dos intestinos do Planalto. Vinho, filé, lagosta saíam aos montes no exagero das fofocas. A quantidade apontada surpreenderia qualquer restaurante da grande porte.</p>
<p>O que ninguém sabe é se a comilança era na cozinha ou se saltava o muro dos palácios.</p>
<p>Mário Correia Lima, uma espécie de guru na minha juventude, apesar de ser ex-preso político, egresso do partidão, não se amesquinhou: “O Poder tem sua liturgia. A Rainha, a Presidenta, o Ministro precisam exercitar a pompa inerente ao cargo” – disse o professor de História.</p>
<p>O Estado guarda sua majestade nos alforjes da outorga popular que o concebe. A autoridade estatal vem pronta e acabada. Nasce do gene do cidadão. A organização sócio-política se alimenta do poder de polícia, que é inerente a autoridade. É comum, porém, não se associar o Estado ao Povo. O governo é sazonal, em todos os aspectos, inclusive na sua forma de apresentação. O Estado, no entanto, ficou perene ao longo da história e cristalizou-se com o crescimento demográfico. A multiplicação humana avolumou os problemas e criou novos – poluição e trânsito são bons exemplos. O mundo cresce vertiginosamente. O Estado é, pois, inalienável.</p>
<p>Recentemente, o que pareceria humildade no primeiro gesto, fez-se arrogância no segundo ato e a merda virou boné no andar de cima. No Superior Tribunal de Justiça, o palco e um imbróglio que poderia ser evitado com a pompa do mordomo. O Ministro Presidente do Tribunal, em vez de mandar, foi. Desceu a rampa, andou nos corredores, furou a fila, botou o dedo no botão. Caixa Eletrônico é lugar de estagiário e não de Ministro. Se ainda fosse na rua&#8230; Na rua tem o risco dinamite.</p>
<p>Segundo o noticiário, o Ministro Ari Pargendler bateu boca, arrancou o crachá e demitiu um estagiário de 24 anos. Marco Paulo dos Santos, que é negro e também estava na fila do caixa, correu para a Delegacia. O caso foi parar no Supremo, que é competente para julgar Ministros. No processo administrativo, a censura pública é pena agravada. Essa, portanto, já foi executada. O affair e a execração ganharam o mundo. A mordomia é peça importante no conjunto litúrgico. É profilática. Será que em Pernambuco a polícia faria os dois se beijarem? “Perdão foi feito pra gente pedir&#8230;” Brasília não tem mar. Beira mar só o Fernandinho.</p>
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		<title>O risco de viver</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2011/01/27/o-risco-de-viver/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 03:54:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Políticas Urbanas]]></category>

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		<description><![CDATA[A tragédia carioca trouxe consigo algumas peculiaridades. A mais significativa talvez seja a que atingiu, de frente, a classe média e alta. A chuva e a estiagem, no mais das vezes, ofende a população ribeirinha, da favela, do morro, da caatinga. Lá não se vê gente bem aquinhoada. A não ser a turma da maconha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A tragédia carioca trouxe consigo algumas peculiaridades. A mais significativa talvez seja a que atingiu, de frente, a classe média e alta.</p>
<p>A chuva e a estiagem, no mais das vezes, ofende a população ribeirinha, da favela, do morro, da caatinga. Lá não se vê gente bem aquinhoada. A não ser a turma da maconha ou congêneres.</p>
<p>Na possessão enfitêutica da família real – Petrópolis, Teresópolis e adjacências, nem Nossa Senhora sobrou, nas igrejas, para contar a história, tal qual em Barreiros-PE.</p>
<p>A falta de prevenção, planejamento e fiscalização do Estado, num instante foi diagnosticada. E há prejuízo sem remédio. Medo, dor e saudade têm de sobra no evento.</p>
<p>O caso fortuito ou de força maior se justifica, perante a Lei, por ser incoercível e pela imprevisibilidade.</p>
<p>No entanto, se a gente, que não é prefeito, nem fiscal, olhar em volta, vê que muita coisa é previsível. O barracão pendurado no morro, o montão de lixo solto ladeira abaixo, o assoreamento do mangue, dos rios e marés ajuda o acidente de percurso, colabora com o fato, avoluma a tragédia.</p>
<p>Na Estrada do Arraial, em frente a Rua Des. Célio Montenegro, nos fundos da sede da APAE – recém construída, tem tudo isso: construção irregular, casa pendurada, deslizamento, lixão e omissão. Nas histórias do Recife é comum João dar as costas. A lona preta das encostas pode ser apenas, antecipação do luto. Não se tapa o sol com peneira, nem chuva com lona preta.</p>
<p>Se o Alto Santa Isabel vier abaixo leva tudo com ele. Além da Santa, vai o Solar das Palmeiras e o que mais tiver no caminho das águas. Com o rim novo seu prefeito ficou mal, acabou até com o Rei Momo gordo. Se bem, que desde o começo ele mostrou que era contra o rei.</p>
<p>Na Maternidade da Encruzilhada colocaram um caixa eletrônico na frente do quarto dos médicos. Há rumores que, com a chegada do Bradesco, outros caixas serão instalados, no mesmo lugar. Haja dinheiro no corredor&#8230;</p>
<p>Como menino não tem hora para nascer, a Maternidade vive de plantão. E os médicos, no quarto, esperando neném. Os caixas não perdem por esperar. É bomba. Certamente, quem gosta de dinheiro não pensa nas criancinhas. Será o caso dos banqueiros e dos bandidos? Nuncas se sabe. O certo é que a rampa do CISAM não agüenta dinamite. A turma atacou o Hiper Bombreço de Casa Forte em plena luz do dia</p>
<p>Após as tragédias de janeiro: Rio, São Paulo, Santa Catarina, Afogados da Ingazeira e outras, a ordem é prevenir para evitar. Com a palavra Dilma Roussef.</p>
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		<title>O plano fatal</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2010/12/04/o-plano-fatal/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 20:32:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ordem Jurídica]]></category>

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		<description><![CDATA[João Alves tinha problemas sérios com a sogra. O casamento seria perfeito sem aquela intromissão repetida dia após dia, ao longo dos anos. O divórcio rondara o lar inúmeras vezes e o motivo era sempre o mesmo: a sogra. O tempo impusera uma calvície ridícula. A proeminência da testa era tanta e ele nem percebera. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Alves tinha problemas sérios com a sogra. O casamento seria perfeito sem aquela intromissão repetida dia após dia, ao longo dos anos.</p>
<p>O divórcio rondara o lar inúmeras vezes e o motivo era sempre o mesmo: a sogra.</p>
<p>O tempo impusera uma calvície ridícula. A proeminência da testa era tanta e ele nem percebera. O diagnóstico veio na boca de um menino de rua. No semáforo após negar a moeda pleiteada foi lancinado pelo moleque: Careca. Achou pouco e repetiu soletrando: C+A=CA, R+E = RE, C+A = CA CARECA!. A largura do cinto e o sulco em volta dos olhos;  os óculos de leitura&#8230; grandes mudanças. A mulher também fenecia nas intempéries. E pensar que pensava: Ela não vai mudar nunca. O constrangimento maior, porém, ficava na melancolia sem remédio do olhar da companheira.</p>
<p>O olhinho azul já não tinha o mesmo brilho. O vigor do colo apontava outro caminho. As coxas roliças ganharam filetes azuis e um aporte lipídioso, a tal celulite – as meias finas porém cuidavam desse ponto muito bem.</p>
<p>A velha é fogo, dizia aos amigos e a si mesmo. A velha é fogo. Viúva, de pouco, ficou pior. Aumentou a freqüência das visitas. Ainda bem que veio morar perto, refletia João. No começo ficava hóspede meses e meses, todo ano.</p>
<p>Depois de viúva, ao contrário da filha, a velha rejuvenesceu. Voltou a estudar: entrou na escola de danças, no curso de culinária, pintura, arranjos florais e outros. Toda quarta caia na gandaia até a meia noite. Com vários parceiros rodopiava ao som de boleros, tango e muito samba canção. Dizem que beliscava uma cervejinha sem pudor. Nunca a vira na festa, mas dava para imaginar. E o Coronel, coitado, dormindo sono solto no cemitério. Ia de táxi para a esbórnia. Temia as blitz da polícia de trânsito. Na manhã da quinta lampeira invadia a casa cedinho. Cheia de vigor e alegria: dancei foi muito. Contava alto, a filha.</p>
<p>João lendo o jornal, ouvia tudo e dizia baixinho: a velha é fogo.</p>
<p>O hábito da leitura matinal foi a sede do mote. No caderno de saúde/ciência tomou conhecimento que a 3ª idade contrai, fácil, infecção respiratória, infecção intestinal e traumas ortopédicos decorrentes de queda. Ficou alerta. É bom prevenir o futuro e jogou o cigarro longe. Levantou e vestiu uma camisa, o vento de agosto é meio frio. Acrescentou as caminhadas no planejamento, banho de mar e natação, uma boa idéia. Que tal o vôlei. A turma parecia animada.</p>
<p>Na semana seguinte foi o caderno de turismo que completou a trama. Pacote para Argentina a preços módicos, sem juros. O programa era fantástico: Tango em Buenos Ayres, churrasco no país inteiro. Em Bariloche neve, esqui, chocolate.</p>
<p>Vou pagar, vou pagar, vou pagar. Levantou eufórico repetindo. Vai pagar o que João? A viagem de sua mãe pra Argentina. Eu nunca dei nada a minha sogra&#8230; disse com um riso maroto no canto da boca.</p>
<p>O cálculo foi rápido. A velocidade da operação aritmética deixou-o  vaidoso da perspicácia.</p>
<p>Na chegada: bom vinho; tango e muita carne. A velha suporta. A velha é fogo.</p>
<p>Dois dias depois Bariloche, chocolate, carne, vinho, tango e frio. Muito frio. Neve, esqui. Maravilha.</p>
<p>Aprendeu a dançar com uma semana, certamente com dois dias fica bamba no esqui. O vento batendo no peito. Vou pagar.</p>
<p>João recostou-se na cadeira, fechou os olhos e imaginou a garota da quarta escorregando ladeira abaixo na montanha de neve.</p>
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		<title>Guerra anunciada</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 21:45:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Políticas Urbanas]]></category>

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		<description><![CDATA[O céu ficou nublado. Fumaça muita, lampejos de luz, fogo cerrado. Não se via o Cristo, o Pão-de-Açúcar, o Corcovado. É guerra. Quem ligou a TV pensou que era reprise de Tropa de Elite, o filme. A turma do Capitão Nascimento tangia bandido como se tange gado. O Caveirão tentava subir o morro. O tanque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O céu ficou nublado. Fumaça muita, lampejos de luz, fogo cerrado. Não se via o Cristo, o Pão-de-Açúcar, o Corcovado. É guerra. Quem ligou a TV pensou que era reprise de Tropa de Elite, o filme. A turma do Capitão Nascimento tangia bandido como se tange gado. O Caveirão tentava subir o morro. O tanque dos fuzileiros enfrentava o óleo e os olhares. Helicópteros e aviões disputavam espaço no céu. Câmeras abelhudas documentavam, à distância, a debanda e a derrocada.</p>
<p>Copacabana – princesinha do mar lembra Maria. Antônio Maria e tantas Marias que enfeitavam as praias coloridas pelo sol. No meio da guerra nem dá para cantar: “Rio de Janeiro, gosto de você, gosto de quem gosta desse céu, desse mar, dessa gente feliz&#8230;”. Diante do que se vê na tela, vem Gonzaguinha na esteira pra dizer: “Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz&#8230;”.</p>
<p>Quando assisti Tropa de Elite saí chocado do cinema. Andei lentamente até o carro. No passo miúdo, ouvia o comentário dos meus colegas de infortúnio. Para minha surpresa, o Capitão Nascimento virava herói. A vida, naquela balança, valia muito menos que o dinheiro abiscoitado pela malandragem no peculato, na extorsão.</p>
<p>A lei que pune o ladrão também pune o homicida. O Código Penal começa com o elenco dos tipos descrevendo condutas incriminadas no artigo 121. “Matar alguém” é o texto mais completo, mais perfeito, mais enxuto da Lei Penal. Diz tudo de uma vez só. Pois é, a vida humana é o bem mais caro aos olhos do Legislador de 40, e não podia ser diferente.</p>
<p>Mesmo quem acredita no paraíso sabe que lá não tem caderneta de poupança e muito menos caixa eletrônico. No inferno nem pensar. Prevalecem os ditames do SERASA e seus assemelhados. No inferno é assim, só há dívida e devedores.</p>
<p>Capitão Nascimento, portanto, era corrompido pelo excesso de violência, a falta de respeito à Lei, o desprezo pelas conquistas humanas; pelos Direitos e Garantias Fundamentais. Enfim, o bordão do filme que virou piada, “pede pra sair, pede pra sair, pede pra sair”, não raro se dirigia à própria vida. Matava sem dó e na covardia. Prendia, interrogava, torturava, ensacava, julgava, condenava e executava. O Capitão Nascimento desmentiu Vandré em “Disparada”: “Porque gado a gente mata, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente”. É não. Com ele, bandido pede pra sair. E o pior: o povo achou bom.</p>
<p>No Tropa de Elite 2 a evolução de Nascimento não fica na promoção à Tenente-Coronel. Ele tem inveja do marido da ex-mulher; ciúme do filho; descobre que violência corrompe e se rende aos encantos e à verdadeira coragem do Fraga. Fraga sim é macho. Tem coragem. Trocou a pistola pela inteligência. A violência pelo diálogo. Apesar da deformação do Estado, foi capaz de entrar no Parlamento e dar sentido ao voto que recebeu. Honrou o cargo e deu norte e direção ao seu agir. Usando o próprio Estado e os mecanismos jurídico-legais que o sistema democrático formal põe à disposição. Pode dizer aos corruptos: pede pra sair, pede pra sair, pede pra sair.</p>
<p>Os americanos invadiram o Iraque. Com uma semana ganharam a guerra. Ficaram. Todo dia perdem alguma coisa. O day after é a equação, o verdadeiro problema. Entrar é fácil.</p>
<p>Nos EUA é costume dizer: make love, not war. Logo eles, que vivem pendurados no canhão. Quando soltam bomba, não é dia de São João. Não custa nada, porém, repetir em bom português: faça amor, não faça guerra. Depois não diga que eu não avisei, que não avisei, que não avisei&#8230;</p>
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		<title>Tiririca é só uma piada?</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2010/11/03/tiririca-e-so-uma-piada/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 15:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições 2010]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez não! O palhaço que brilhou no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio vai ter que rebolar. Pois é. Apesar do envolvimento da justiça, do patrocínio e da verba pública, dessa vez era um palhaço mesmo. Inteirinho: cara de palhaço, boca de palhaço, pinta de palhaço, peruca de palhaço. Mas o começo da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez não! O palhaço que brilhou no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio vai ter que rebolar. Pois é. Apesar do envolvimento da justiça, do patrocínio e da verba pública, dessa vez era um palhaço mesmo. Inteirinho: cara de palhaço, boca de palhaço, pinta de palhaço, peruca de palhaço. Mas o começo da carreira promissora pode virar seu fim e beneficiar o fim de muitos.</p>
<p>O Parlamento comporta tudo. Até um palhaço. E não seria a primeira palhaçada na história. Na Europa houve pior. Ou melhor? Não dá pra esquecer a atriz pornô Cicciolina no Congresso Italiano. De uma vez só era da e deputada. Aliás, é de simples explicação: foi a vez da mãe.</p>
<p>O caso de Tiririca, no entanto, tem peculiaridades que quase superaram a figura telúrica e nostálgica do palhaço. Um milhão e trezentos mil votos.</p>
<p>Pouco tempo antes do pleito, pipocou o fato e a fraude dele decorrente. A falsidade ideológica em matéria eleitoral também é crime.</p>
<p>O tipo original diz, textualmente: “Omitir, em documento público ou particular, declaração que devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.”</p>
<p>Quando a gente lê a descrição da conduta incriminada não lembra apenas do palhaço. Mas será que o cearense Tiririca entrou por uma perna de pinto e saiu por uma perna de pato?</p>
<p>É bom lembrar que a norma e sua interpretação teleológica cristalizou o entendimento: na lei, na doutrina e jurisprudência o voto é do partido. Não é do candidato. É da coligação partidária que nesse caso tem o PT,  o PC do B e somou 6.789,336.</p>
<p>O palhaço foi colocado no palco, fez sucesso, conquistou mais de um milhão de votos, que vale milhões. Mal terminou o processo eleitoral querem retirá-lo do picadeiro.</p>
<p>Tiririca é o assunto principal da eleição. Tão falado quanto Marina. Ele veio do Ceará e ganhou em São Paulo. Marina rodou o Brasil, nasceu no PT, ficou verde e perdeu no Acre. Vizinho é fogo, conhece de perto.</p>
<p>O Presidente Lula foi satirizado a partir de 1989 quando ousou ser candidato a presidente. De piada em piada Lula venceu. E a vitória se multiplicou com a reeleição e os mais de 80% de aprovação no segundo mandato.</p>
<p>O enredo de Tiririca pode ter, entretanto, um destino bizarro. Muita gente “boa” que ficaria fora da festa da vitória logrou êxito. Alguns com votação inexpressiva. O Delegado Protógenes, por exemplo, ficaria de fora com seus minguados 94.906 votos. O xerife só vingou graças a São Tiririca e o milagre da multiplicação.</p>
<p>Tudo isso lembra a história da tartaruga em cima da árvore. Considerando que tartaruga não sobe em árvore, alguém a colocou. Quem teve a idéia do “pior não fica”? Ainda resta uma pergunta: por que pode votar e não ser votado?</p>
<p>Cabe à Justiça Eleitoral, pois, em caso de anulação da candidatura, anular também os 1.353.820 votos. Isso, sem dúvida, fere o interesse de muita gente que já tomou champanhe. Inclusive, porque se ele sair sem levar os votinhos, a vantagem trará mais um apaniguado: o primeiro suplente. O que dá pra rir, dá pra chorar.</p>
<p>advgilbertomarques@hotmail.com</p>
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		<title>O DNA de Eliza</title>
		<link>http://www.rumosdobrasil.org.br/2010/07/20/o-dna-de-eliza/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 17:12:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[O noticiário policial ocupa todos os espaços da mídia. Dessa vez sobrou pimenta. A barbárie é assustadora. Baseados em prova oral, os fatos chocam por sua peculiaridade. Muita coisa a lamentar. Um menino pobre conseguiu vencer as adversidades congênitas e mudou de vida. O salário, de plano, é 9 vezes o salário de um Ministro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O noticiário policial ocupa todos os espaços da mídia. Dessa vez sobrou pimenta. A barbárie é assustadora. Baseados em prova oral, os fatos chocam por sua peculiaridade. Muita coisa a lamentar.</p>
<p>Um menino pobre conseguiu vencer as adversidades congênitas e mudou de vida. O salário, de plano, é 9 vezes o salário de um Ministro do Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Casa nova, roupa cara, carros, luxo e pompa. Amigos e vizinhos da adolescência continuam os mesmos, os parentes também. Bruno virara ídolo da torcida do Flamengo e da vicinal. Como ele não deixa passar nada – agarra tudo, muitos o odeiam.</p>
<p>Foi dentro dessa perspectiva que o goleiro agarrou a gueixa. Na farra adulterina, o diabo fez sua parte: rasgou a camisinha. O óvulo emplacou o sêmen e a merda virou boné. A gravidez indesejada suplantou o citotec, 2- piperidinona, 1- acetil piperidina, chute, pontapé e etcetera.</p>
<p>Entre tapas e queixas o bebê chegou ao cenário. Eliza ganhou fôlego sobraçando o rebento. Diz o noticiário que ela se arrebentou na esquina. Mas o corpo sumiu. Entra no caso a polícia toda do Brasil. O lugar é Minas, também no palco a do Rio. Refletores, flashes e microfones.</p>
<p>No terror mais ácido, o Rottweiler faminto. Cachorro com fome é o cão! Sirenes e viaturas nas estradas, nas ruas. Pistola no cinto, revólver no coldre, algema nas mãos. Prisão decretada, escândalo, perseguição, sucesso, detenção.</p>
<p>Uma parte, porém, chama mais atenção. O corpo da moça bonita virara ração. Cadê a ciência? O corpo do delito, todavia, sumiu. Parece mágica. Cava aqui, cava ali e nada. A turma de cães foi encontrada. Dez monstruosos co-autores. E a polícia querendo roer os ossos, furando o chão. Quanta bobagem. Que mico!</p>
<p>Bota o cachorro pra dormir, uma ultrassonografia poderia indicar o tal que engoliu a mão. O metabolismo dos ossos é mais lento. Uma cirurgia simples coletaria a fonte segura de prova. Os dejetos fecais também poderiam servir de instrumento na pesquisa.</p>
<p>Vai ver que lavaram o chão – da jaula! Afinal de contas, bosta é só cocô. O metabolismo do Rottweiler pode consumir os alimentos e, de lambuja, a prova cabal. O tempo urge.</p>
<p>O que prevalece, porém, é a busca da confissão. Polícia no Brasil se faz assim: palavras, palavras, palavrão. Claquete, câmeras, ação.</p>
<p>Como disse Nicholas Cage em <em>8mm</em>: <em>“Se você dança com o demônio, o demônio não muda. Mas você muda.”</em>. Isso vale para todos nós.</p>
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		<title>A gente só ouve &#8220;saúde” quando espirra</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 22:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[advgilbertomarques@hotmail.com No desespero me “lembro da história e do que ela ensina: os piores criminosos, os piores tiranos um dia caem”. Com essa frase, Gandhi retomava a esperança e alimentava o espírito no tempo do jejum voluntário e suicida. O destino da Índia mudou com o martírio do Mahatma, na vida e na morte. As [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>advgilbertomarques@hotmail.com</p>
<p>No desespero me “lembro da história e do que ela ensina: os piores criminosos, os piores tiranos um dia caem”. Com essa frase, Gandhi retomava a esperança e alimentava o espírito no tempo do jejum voluntário e suicida.</p>
<p>O destino da Índia mudou com o martírio do Mahatma, na vida e na morte.</p>
<p>As vezes me socorro da história, não raro busco imagens na memória, do passado recente procuro lições. Vejo-me, por exemplo, nos idos de 1978, empolgado na direção de um “fusquinha de som”. Além de motorista era o operador, o redator, o locutor e etc. O microfone, antigo e pesado, preso pelo rosto ao ombro e o sonho na oração: contra a ditadura; contra a corrupção, pela constituinte e saía danado nas ruas do Recife prolatando minha indignação. Como Gandhi, acreditava nas mudanças.</p>
<p>A Constituinte veio e com ela a Constituição Cidadã: “Todos são iguais perante a Lei”. Por isso “é proibido, tanto ao rico quanto ao pobre, dormir embaixo das pontes e furtar um pão”. É preciso, portanto, mudar o destino da prática política, racionalizar a divisão de riqueza. A Lei só estabelece os princípios, porém a vigência esbarra nas vicissitudes.</p>
<p>Aqui em Pernambuco, a Prefeitura da Cidade do Recife entra no terceiro mandato do PT. Nove anos de operários no poder. Entra João, sai João e mantém-se a situação: “Pedro pedreiro penseiro esperando o trem/ Manhã parece, carece de esperar também&#8230;”.</p>
<p>O Governo do Estado é socialista “e a mulher de Pedro tá esperando um filho pra esperar também”. Os hospitais públicos estão no caos. Na Maternidade da Encruzilhada cultivam-se inúmeros criatórios de Dengue, só para começar. Na Barros Lima, a cria é o seqüestrador. No Barão de Lucena só não tem barão.</p>
<p>A partir do Hospital da Restauração, 490 empregos, em ano eleitoral, serão dados – sem concurso – para resgatar a rede pública de saúde. Nenhum deles é para médico. Além disso, resolveram destruir as barraquinhas. Tem gente que há quase 30 anos vive dali e o salvador resolveu destruir.</p>
<p>É isso mesmo. Entre o palanque e o palácio existe um fosso intransponível. Muda a Lei, muda o Regime, muda o Rei. Só não muda a cama que escolherei.</p>
<p>Quem pode acreditar nas promessas? Aumentou a população eleitoral. Analfabeto vota. Escreveu não leu, o pau comeu.</p>
<p>Os preços nas compras públicas superam o mercado comum sempre. É que o fornecedor inclui a inadimplência e o risco certo dos atrasos. A barraquinha dos hospitais só faz negócio porque o restaurante não funciona, não atende, não agrada. É a prevalência da livre escolha.</p>
<p>O flanelinha do sinal agora é o frutinha. Caju tem o ano inteiro, caqui só havia em São Paulo, Rio de Janeiro. Manga espada, manga rosa, jabuticaba e pinha suculenta, doce. Jambo do Pará, pipoca novinha. Água de beber. Mas tem, também, o assaltante com revólver ou com faquinha.</p>
<p>O que causa espécie é esse conjunto Prefeito-Governador para tanger o barraqueiro camelô. A quebra das feiras italianas, da Roma Antiga, volta com horror. Enquanto isso no hospital falta Doutor.</p>
<p>O perigo não mora nas calçadas. Ivone, a mulatona da faxina, passou na memória cantarolando: “se essa rua, se essa rua fosse minha&#8230;”. E agora, Lula? Psiu! Cuidado com a multa.</p>
<p><em> </em></p>
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