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	<title>Rumos do Brasil &#187; Darc Costa</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>América do Sul: um novo espaço em construção</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:43:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darc Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Integração da América do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[américa do sul]]></category>
		<category><![CDATA[comercio internacional]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nós &#8211; o Brasil &#8211; somos a América portuguesa posta diante de uma dualidade clara que contrapõe a América espanhola à América inglesa. Dualidade que já estava posta no continente europeu. O processo de colonização espanhola na América sempre foi contestado pelos ingleses, e nós, como terceiros interessados, colonização portuguesa, acompanhamos, à época da colônia, esta contestação. Quando houve a independência nas Américas, manteve-se por inteiro a contraposição entre a América inglesa e a América espanhola. Por trás do imaginário inglês, há uma visão bem posta nas obras de Shakespeare, uma visão pragmática, muito realista, enquanto que o imaginário espanhol está posto numa visão sonhadora, não pragmática, construtiva de mundos imaginários, como está claramente posta na obras de Cervantes. Nós somos a América Portuguesa e, portanto, continuamos sendo um terceiro interessado.</p>
<p>O que acontece basicamente é que nós fizemos nossa primeira opção, logo após a independência, em 1823, pela visão inglesa, pela doutrina anglo-saxônica na América: A doutrina Monroe para nós era interessante, naquele momento. Nós fizemos esta opção pelo apoio a este discurso, pois estávamos isolados, cercados por um cordão de isolamento hispânico desde o tratado de Santo Ildefonso e víamos na Europa, após o congresso de Viena, a possibilidade de um processo de uma nova colonização. Esquecíamos o sonho espanhol, a utopia de Bolívar, a visão de uma união dos povos ibéricos postos na América, algo que também se perdia na repartição da América espanhola. Nós, até vinte anos atrás, estávamos afinados com a doutrina Monroe. Será que, neste momento da história, não nos cabe, como terceiros interessados, ou seja, como América portuguesa, mudar de posição, pendular e reconstruir o sonho de Bolívar, ou seja, buscar uma integração dos países de origem ibérica na América?</p>
<p>A resposta a esta questão já está dada, e é sim. Isto passa obrigatoriamente por um processo de cooperação sul-americana, que leve a integração dos países da América do Sul. Isto explica porque a nossa maior prioridade em termos de relações internacionais é o de construir um processo de cooperação sul-americana. A cooperação sul-americana é o caminho para a inserção internacional do Brasil. Esta conclusão não é autônoma nem empírica e não foi feita de forma isolada. É fruto de uma reflexão muito mais profunda que passou por uma avaliação do mundo político e do mundo econômico atual e passou por uma avaliação das nossas vulnerabilidades perante os outros países do mundo. O Mercosul foi uma resposta que nós pudemos dar a algumas dessas vulnerabilidades. Mas, uma resposta inicial que se insere na nossa concepção estratégica. Qual é a nossa concepção estratégica? Seu preâmbulo está no parágrafo único do artigo quarto da Constituição Federal do Brasil:</p>
<p>“A República Federativa do Brasil buscará integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.</p>
<p>Nosso objetivo central nesse artigo será o de reafirmar esta concepção, sua viabilidade, mediante a proposta já adotada de escaloná-la, passando previamente pela cooperação sul-americana.</p>
<p>Do ponto de vista geográfico, a América do Sul pode ser conferida, grosso modo, a categoria de continente do hemisfério sul. Tendo forma triangular, o setor mais largo do continente se concentra na zona equatorial terrestre; estreitando-se ao atingir a faixa temperada para afunilar-se no vértice meridional na frente polar antártica. Nas baixas latitudes, a população para evitar as temperaturas mais quentes, notadamente dos países banhados pelo Pacífico, deu preferência às zonas andinas. Em contrapartida, os países banhados pelo Atlântico estando em contacto a América do Norte/Europa/África têm seus principais centros demográficos no litoral. Tal fato gerou a oposição entre as duas vertentes oceânicas.</p>
<ul>
<li>A do Pacífico, “mar solitário”, de navegação extensiva, com feixes de circulação bem mais regional;</li>
<li>A do Atlântico de navegação intensiva com feixe de circulação intercontinental.</li>
</ul>
<p>Quer pela oposição das duas vertentes oceânicas, quer pela existência das zonas excludentes, implantaram-se áreas geopolíticas neutras que por sua posição no <em>hinterland </em>predispuseram os países sul-americanos a uma dissociação econômica, vivendo de costas uns para os outros.</p>
<p>Agora, pensemos o mapa do mundo. Verificamos ao fazê-lo que o Brasil, naturalmente, por posicionamento geográfico e a América do Sul, também, por questões geográficas, estão afastados das rotas internacionais do comércio. O Brasil e toda a América do Sul têm uma desvantagem operacional com respeito ao comércio mundial, porque as rotas mundiais do comércio se processam no hemisfério Norte e envolvem basicamente a parte norte do Hemisfério Ocidental, a Europa e a Ásia. O comércio da América do Sul é um processo marginal do comércio mundial. Isto pode ser um problema, mas, também, pode ser uma solução. Por que afirmamos isto? Olhando a história concluímos que foram sempre os periféricos de seu tempo que conquistaram o centro, como, por exemplo, Portugal e Espanha, no século dezesseis, a Inglaterra no século dezoito e os Estados Unidos no século vinte.</p>
<p>Contudo, na América do Sul nada é mais competitivo sob o ponto de vista de localização geográfica que os próprios países da América do Sul. A posição do Brasil no continente sul-americano é impar. Nós temos limites com quase todos os demais estados nacionais, com exceção de dois, o Chile e o Equador. Isto nos coloca em uma posição privilegiada, como articulador da integração do vasto território da América do Sul. Então, a posição geográfica dos países do Mercosul, em especial do Brasil, os coloca em uma situação singular, pois, em decorrência de sua periferia, em relação às rotas do comércio mundial, fomenta, em um primeiro momento, uma integração, como uma subpolarização, que tem claras características de futura expressiva polarização.</p>
<p>Para se entender o termo polarização, é preciso entender que, no mundo de hoje, este é o fenômeno econômico determinante e não a globalização. Na verdade, o processo que está ocorrendo é a polarização. Isto porque o mundo hoje se polariza cada vez mais economicamente, politicamente, tecnologicamente e fisicamente em torno da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos. A título de exemplo desta polarização cabe a concentração empresarial. Se nós pegarmos as quinhentas maiores empresas, veremos que duzentos e quarenta são americanas, cento e vinte são japonesas e das restantes, oitentas são alemães.</p>
<p>Leia o <a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/wp-content/uploads/2009/11/America-do-sul-um-novo-espaco-em-construcao.pdf">artigo original </a>na íntegra.</p>
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