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	<title>Rumos do Brasil &#187; Alessandro Carvalho</title>
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	<description>Propostas para um país melhor</description>
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		<title>A Dialética do Fictício</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 18:10:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Cidadania]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil parece ter encontrado um lugar verídico na Dialética. O país pretende ser uma síntese de tudo o que existe de pior no mundo em termos de desenvolvimento socioeconômico. Vislumbrando o ainda virtual, porém colossal, excedente econômico do Pré-sal, vejo que os atuais marcos jurídicos de regulamentação para a exploração petrolífera mais a política [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil parece ter encontrado um lugar verídico na Dialética. O país pretende ser uma síntese de tudo o que existe de pior no mundo em termos de desenvolvimento socioeconômico. Vislumbrando o ainda virtual, porém colossal, excedente econômico do Pré-sal, vejo que os atuais marcos jurídicos de regulamentação para a exploração petrolífera mais a política econômica neoliberalesca, isto é, de baixo percentual de investimento e de uma completa falta de planejamento (beirando a criminalidade), serão um sério estorvo num futuro próximo. Não quero acreditar, mas o Brasil está adotando em partes o modelo africano. Um pouco de Angola e Etiópia, outro pouco de Nigéria e Sudão, um tanto de África do Sul e, por fim, uma pitada de Malawi no caldeirão da nossa miséria verdadeira.</p>
<p>De acordo com alguns pareceres técnicos preliminares, o Pré-sal daria ao Brasil uma parcela significativa das reservas mundiais de petróleo. Contudo, nada foi dito de forma oficial. E, por enquanto, a expectativa é maior que a realidade. Certezas: as empresas que extraem o óleo serão 100% proprietárias dele; os royalties poderão ser pagos em barris de petróleo e o Brasil se projetará no mundo como um grande país exportador de óleo bruto, utilizando também a queima de boa parte do petróleo nacional no modelo energético de termoelétricas.</p>
<p>Por se tratar de petróleo, hoje, o excedente econômico do Pré-sal tranquilamente transitaria pela faixa dos trilhões de US$. Para mim, que namoro a pobreza há anos, essas cifras são de ficção científica. Pois bem, se nós constituíssemos um ativo financeiro público com essa grana, o Brasil seria certamente redesenhado. Entretanto, as novas regras legais de exploração petrolífera caminham no sentido contrário. Não para as empresas do ramo (Obs.: elas e as ações delas são extremamente verídicas). Ecologistas, em breve, nós entraremos definitivamente no clube da chuva ácida. Quem sabe, não vem aí a BP para acabar com o azul do mar? Imaginar que alguém credita ao futuro a queima de combustível fóssil como fonte de riqueza&#8230; Isso será um suicídio lento e doloroso.</p>
<p>A idéia de um ativo financeiro público para redesenhar o país é a maior heresia desenvolvimentista, na opinião dos prepostos neoliberalescos dos interesses estrangeiros. Pensa num Brasil menos desigual. Sem saudosismos. Só que o projeto de “unificação” e internacionalização do sistema financeiro brasileiro em andamento anularia qualquer iniciativa de planejamento econômico a curto, médio e longo prazos. Aliás, as perdas financeiras da última crise mundial estão encontrando no aniquilamento econômico da periferia capitalista uma compensação satisfatória. Caso a poupança não se converta mais em investimento, haverá a virtualidade da variável econômica. Ela existirá em números, não efetivamente. Uma cifra digital apenas.</p>
<p>Pelo menos o problema chinês com a brutal poluição oriunda da queima de combustíveis fósseis poderia ser evitado aqui. O que foi aquela neblina durante a última olimpíada? Em tese, é possível gerar energia limpa até com a antimatéria. Termoelétricas&#8230; francamente. O biodiesel expande a base social do modelo, contudo não deixa de ser uma matriz poluidora. E o Brasil acumulando os escombros paradigmáticos da modernidade burguesa.</p>
<p>Nenhum país africano superou o quadro de pobreza e miséria exportando petróleo. Todos conseguiram degradar sim o meio ambiente, retroceder socialmente (quem já tinha deixado a Idade da Pedra) além de afogar o povo em doenças e guerras. O desastre ecológico recente no Caribe acontece há décadas no Rio Níger. O petróleo da África enriqueceu uma elite europeizada e promíscua, adepta dos 10%, a mais sincera instituição política da periferia capitalista. 10%.</p>
<p>Agora mesmo, grandes fundos inversores árabes, indianos e chineses, além dos europeus, partilham os solos férteis africanos com a atividade agroexportadora. A economia de subsistência, que nunca foi algo excepcional, é reduzia ao desaparecimento, inflacionando os alimentos. Em Economia do Trabalho, encontramos na África o modelo gerencial ‘trabalhar-sem-comer-até-morrer’. Não sei como ficaria essa expressão em alemão ou inglês, algo como No-Way Jobs. “O governo sudanês acaba de criar mais 1.000.000 de novos No-Way Jobs dentro dos campos-cidades de refugiados”. Não falta muito para o pedido de selo de qualidade administrativa ganhar o carimbo japonês.</p>
<p>Um amigo meu recém-doutor, André Villar, tricolor e teórico da escombrologia, vibra de ódio quando escuta falar dos derivados do petróleo, sobretudo do ácido acetilsalicílico. Quem sofre com dores de cabeça vendo seu time de futebol fictício em campo conhece os tormentos do meu amigo André. Impressionante, em tudo há derivados do petróleo. Não preciso dizer que eles nos provocam câncer. De todos os tipos. “Lá vem o Brasil descendo a ladeira&#8230;” Com a bola no pé? Ridículo. Morrerá no asfalto?</p>
<p>O fictício quando se materializa extermina o verídico. Assim é na Epistemologia, tanto quanto na contabilidade financeira. As cidades de lata sul-africanas representam ouro e diamantes exportados. O inverso da riqueza nacional (fictícia para o povo) é a veracidade das barracas de rato seco vendido no Malawi. Digitalmente, teremos somas exponenciais nas contas nacionais (sem brincar com rimas).</p>
<p>Eu vi no documentário “O pesadelo de Darwin”, sobre a exploração econômica européia na África, um vigia noturno guardando os portões de uma empresa estrangeira com arco e flecha. Sinceramente, desconheço os limites da realização dialética do fictício. Compreendo aqui o eufemismo ‘virtual’. Em termos virtuais, a África seria um continente muito pungente, por exemplo, na opinião do Fórum Econômico Mundial, cuja riqueza é disputada a tapas e defendida a pedradas. A segunda oração da frase anterior é, sem dúvida, a parte verídica da construção figurativa. O fictício é o verídico num espelho partido. Ou, o fictício é o verídico vestido de pano de chão. Seria este o ‘Paradoxo dos Escombros’, meu amigo André?</p>
<p><em> </em></p>
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		<title>Esporte profissional e …</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 17:19:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes e Cidadania]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos começar pelas redes públicas de educação, partindo do pressuposto que os futuros atletas pudessem despontar para o início de uma carreira profissional ali. Longe de querer uma abordagem do desporto igual aquela defendida no período da ditadura militar. Esta eu conheci: “corpo saudável, nã-nã-nã&#8230; nã-nã-nã&#8230;”, a mesma baboseira fascista de sempre quando se pretende [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos começar pelas redes públicas de educação, partindo do pressuposto que os futuros atletas pudessem despontar para o início de uma carreira profissional ali. Longe de querer uma abordagem do desporto igual aquela defendida no período da ditadura militar. Esta eu conheci: “corpo saudável, nã-nã-nã&#8230; nã-nã-nã&#8230;”, a mesma baboseira fascista de sempre quando se pretende adestrar as bestas à repressão, vide a atual ‘geração academia’, não-realizada em expressão estética de caráter humano. Voltando às escolas da rede pública, tomo o caso do Rio de Janeiro, como estão o ensino e a prática de esportes hoje na educação básica?</p>
<p>Na rede pública municipal (Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro), a antiga educação física passou à atividade recreativa simples, apesar da capacitação técnica de professores e educadores. As meninas jogam queimado e os meninos, uma pelada. Ou todos vão passear no Shopping Center mais próximo. Da forma em que o esporte foi concebido pela prefeitura, restaram apenas o lúdico e o passeio protoconsumista.</p>
<p>Agora, quando falamos de ensino e práticas esportivas na rede pública estadual, a coisa é bem pior mesmo. Quem quiser jogar alguma coisa tem que trazer a bola de casa. Se existe uma piscina, falta cloro. As quadras poliesportivas abandonadas à crítica das intempéries não foram contempladas pela proposta técnica profissionalizante em escolas outrora referências em futebol, vôlei e handebol. Assim, temos quase 100% dos estudantes dando voltinhas nos Shoppings em três turnos (manhã, tarde e noite). Tudo bem, alguns vão à praia.</p>
<p>O projeto neoliberal para a educação é similar a uma bomba-relógio atômica. Restam escombros ou, se preferir, mão-de-obra barata e subqualificada com mentalidade de zumbi. ‘Madrugada dos mortos’. Pouco importam os projetos político-pedagógicos construídos por educadores responsáveis. Ao final, o neoliberalismo sequer lhes garante um emprego. Os escombros assumem a forma de consumo predatório, garantido com crédito virtual, para esculhambar o que resta de Planeta e do ser humano.</p>
<p>Quem estudou ou estuda em escola particular possui mais oportunidades nos esportes. São oportunidades relativas, óbvio, pois são extremamente limitadas no Brasil. E, pode virar zumbi também. Entretanto, algumas escolas ainda estimulam uma atividade física saudável. Saudável porque criam um convívio agradável no meio do terror que é a educação burguesa e a sua maldita competição permanente. Particularmente, gostava de ir para a escola por causa do ambiente formado pela rapaziada praticante de vôlei, basquete e handebol. Era proibido jogar futebol e nós conseguíamos burlar a hipocrisia.</p>
<p>O handebol, por exemplo, ganhou destaque televisivo nos últimos 10 anos. Isto não significa dizer que o esporte tenha uma estrutura profissional completa. Mas para os idiotas que vivem por trás do esporte, significa. Não me lembro de ninguém, infelizmente, que estudava em escola pública municipal ou estadual com destaque esportivo ou alguém que tenha se aposentado graças exclusivamente ao handebol agora. Para ser sincero, a cobertura dada aos esportes em mídia não me comove e ela muito se assemelha às políticas públicas da área. Ora palhaçadas, ora presepadas.</p>
<p>Não existe no Brasil nem vida nem cultura profissionais esportivas, inclusive de futebol. Existe uma paixão pelos times. Formação? Esta certamente já era. As exceções são como os prêmios da loteria. A paixão pelo esporte não garante uma existência digna a ninguém, muito menos uma velhice agradável. Para os ideólogos talvez, mas isso por alimentarem falsos debates e mesas redondas quadradas. Os casos de ex-atletas largados pelas ruas e aos vícios, nós os temos aos montes então somados aos que nunca foram nada. Em poucas décadas, ficará muito difícil encarar os gringos nos esportes consagrados pelo próprio povo brasileiro. Aceitamos ser um mercado complementar de atletas. Os jogadores são moedas de troca, ganha-se muito no compra-e-vende. Em uma, duas temporadas e tudo acabado. A garota ou o garoto não amadureceu, meteu um ‘qualquer’ no bolso e voltou para a mesma. Quem foi treinar lá fora e retornou para tentar viver do esporte aqui deve ter alguma patologia psíquica. Não planejamos, ou melhor, sequer compreendemos o conceito ‘planejar’.</p>
<p>O exemplo do Flamengo é hilário. No campeonato brasileiro de 2009, o meu time de coração levou cada sacode horroroso. Aí, lá pelas tantas, contratou um técnico conhecedor da bola, Andrade, que acabou logo com esse papo ridículo de três zagueiros. Pois, o Flamengo jogou bem, menos que um turno, e se sagrou campeão. Qualquer mente sã imaginaria uma progressão positiva. Ao contrário, em 2010, o Flamengo voltou ao que era antes do nosso eterno cabeça-de-área.</p>
<p>Ridículo&#8230; salário alto não implica em profissionalismo. Por aí vai, jogador de seleção brasileira, quanto mais se precisa do profissional para superar um momento difícil na partida, ele levanta a mãozinha pedindo para sair, se é que ele foi escalado, pois poderia ficar no antidoping. Ou abaixa para amarrar as chuteiras no momento exato do cruzamento adversário. Por outro lado, os clubes são geridos por máfias preocupadas em ganhar dinheiro rápido e fácil. Bem, os atletas aprendem a racionalizar tal lógica. O torcedor ama o time, o time mais a equipe técnica amam ‘se-dá-bem’. A camisa poderia levar o número em cifrão no meio aos nomes dos patrocinadores, certamente.</p>
<p>Por fim, aparecem os jornais e as TVs num lero-lero fiado dando voltas para morder o rabo. O atleta verdadeiramente profissional condena o sistema social autoritário que só se satisfaz com o domínio total sobre os zumbis. A prática do esporte é permitida desde que alguém seja o dono. O dono do passe, o dono da marca, o dono do clube, o dono da imagem, o dono do debate, etc. O cara ganha uma medalha de ouro e o ‘dono’ é o presidente em Brasília. Por acaso, algum comentarista entrou neste mérito da questão? Trouxemos uma visão mais cretina da escravidão com relação a isso e nos apegamos bem firme as idéias escrotas daí emanadas. Tudo se repete e os editores sabem disso. Sequer questionamos quando um patrocinador escolhe quem joga ou não. Cobrar uma postura independente, de quem?</p>
<p>Olimpíadas? Só se for para competir em ParTOBA com o Mundo Canibal. A Copa do Mundo será uma caixinha de incerteza. Quem viu as casas de lata na África do Sul? Fato é que não possuímos uma estrutura profissional esportiva e perdemos um provável centro formador de atletas, as redes públicas de educação básica. Nada indica um movimento contrário. Nossos problemas sociais podem também encontrar um lugar debaixo do tapete vermelho. A prática de esportes parece até com uma instituição imperial dentro da República: depende da família. As redes de comunicação em massa são esportivamente mais importantes que os treinadores. Dinheiro para obras eu acho que vai ter e coisa e tal&#8230;</p>
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		<title>Os aportes da cognição &#8211; René Armand Dreifuss</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 23:39:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Cidadania]]></category>

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		<description><![CDATA[Oportuno é o pensamento do meu amigo, professor orientador e saudoso vascaíno René Armand Dreifuss nas discussões propostas aqui no blog. Interessante, há quase dez anos estou para expressar o que agora dou início. Certamente, foi o tempo em maturação de algo então vivido e perpasso a descrevê-lo ainda sem maiores definições. Para isso, gostaria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oportuno é o pensamento do meu amigo, professor orientador e saudoso vascaíno René Armand Dreifuss nas discussões propostas aqui no blog. Interessante, há quase dez anos estou para expressar o que agora dou início. Certamente, foi o tempo em maturação de algo então vivido e perpasso a descrevê-lo ainda sem maiores definições. Para isso, gostaria de problematizar um tema tomando como referência minhas longas conversas com René. O nosso café com bolo de nozes ouvia ao longo das horas assuntos econômicos, políticos, militares e culturais. Entretanto, sempre debatíamos questões epistemológicas pelo fundo dos fatos e fenômenos contidos em minha dissertação de mestrado sobre o Fórum Econômico Mundial e nas pesquisas sistematizadas em parte hoje no livro dele Transformações: Matrizes do Século XXI. Seja o nosso tema a crise de subjetividade.</p>
<p>Em meio ao trabalho empírico de Transformações, René desenvolvia uma abordagem cognitiva em textos verdadeiramente estimulantes. Lembro que pela primeira vez conheci a expressão ‘materialização da metafísica’. Objetividades e subjetividades recebiam cortes e continuidades específicas. Para ele, a visão do conhecimento merecia profundidade e lateralidade a fim de interpretar melhor a realidade e assim conceber conceitos mais justos. A ‘jornada da alma’ compreendia desde a interação com o Universo até, em contra partida, a tradução do Espírito em Matéria (há um pouco de Ibn Sina aqui). René tinha uma formação enciclopédica. Nesse sentido, tal viagem lhe era fácil. Esses textos versavam sobre outras tantas implicações subjetivas e lendo-os propus duas outras dimensões do pensamento ao meu professor: velocidade e complexidade. Graças ao René, com a sua generosidade característica, eu era provocado a perceber quantas variáveis necessárias à descrição do pensar fossem possíveis e, por negação, impossíveis também, porém realizáveis. Olhávamos para a Internet, líamos os novos pensadores, observávamos linguagens e costumes recém-surgidos, esse era o tom das suas aulas. Foi aí que eu vi o caminho a ser feito pelo próprio caminhante. O a-ser-feito dependia diretamente do a-ser-imaginado. Além disso, óbvio, somos um eterno devir. A crise de subjetividade surge quando sequer percebemos o atropelamento histórico dos fatos. Se é que os fatos são vistos.</p>
<p>Vejo inúmeras elaborações geopolíticas e militares com cálculos baseados no número de ogivas nucleares que cada ator possui. Quem se sobrepõe a quem, correlações de influência, pressões diplomáticas, etc., por intelectuais responsáveis e escolas importantes, alimentando jornais, revistas, palestras e conferências. Bem, a partir do nosso tema problematizado, eu posso interpolar pelo uso de um novo tipo de arma de destruição em massa que não fosse atômica, química ou biológica. Muitos gritariam: _“Impossível!!!” Eu diria – realizável.</p>
<p>Outro exemplo curioso de crise subjetiva, eu vejo na teoria econômica contemporânea quando esta se paralisa diante da esclerose da oferta e do colapso da demanda. Simplesmente, os nossos teóricos, sobretudo os neoliberais, pedem para ignorarmos os fatos. Os fatos mentem e verdadeiro é somente o comprometimento ideológico com o sistema capitalista. Por isso, exigem regimes ditatoriais para materializar suas idéias iníquas. Podemos pensar a criação e a distribuição de riquezas sem destruir a Humanidade e o Planeta. Aliás, já imaginamos um mundo assim.</p>
<p>Sempre me proponho a analisar desdobramentos, conexões, interações e movimentos, às vezes, apenas tendências. Gostaria de dizer aos leitores de Rumos do Brasil que devo o meu olhar científico ao Professor Doutor Dreifuss. Aprendi com ele a conjugar as dimensões cognitivas, tanto as que temos quanto as que buscamos. A nossa comunicação era interrompida só por uns instantes, propositalmente, quando eu começava a falar do Flamengo. Aí ele dizia que eu estava falando besteira. Engraçado, para mim, o Mengão provoca crises de subjetividade, em particular, na torcida contrária. Eu queria explicar para ele isso&#8230;</p>
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		<title>Alice – As imagens te dizem o que fazer</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 11:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Cidadania]]></category>

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		<description><![CDATA[Há momentos, quando estamos presos historicamente a racionalidades técnicas e a razões funcionais, do sonho transcendental. Em particular, existem também os delírios psicotrópicos. Contudo, viajamos além de uma circunscrição subjetiva através de figuras oníricas. Fundamos religiões depois de um sonho revelador. No Oriente, sobretudo em língua árabe, é a projeção de uma nova Humanidade. Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há momentos, quando estamos presos historicamente a racionalidades técnicas e a razões funcionais, do sonho transcendental. Em particular, existem também os delírios psicotrópicos. Contudo, viajamos além de uma circunscrição subjetiva através de figuras oníricas. Fundamos religiões depois de um sonho revelador. No Oriente, sobretudo em língua árabe, é a projeção de uma nova Humanidade. Os chineses têm a obra fundamental Dao ‘Sonho da Borboleta’. Einstein acordou para escrever a Teoria da Relatividade. Assim também, por um sonho, Charles Dodgson concebeu e publicou em 1865, sob o pseudônimo de Lewis Carroll, a estória de Alice no País das Maravilhas. Pena, é comum para os ocidentais que as coisas boas da alma tomem outros destinos.</p>
<p>Durante um acaso preguiçoso, o espaço-tempo dorme e a curiosidade infantil desperta para encontrar outro mundo, caindo, buraco ou toca, extraordinário. O que é ordinário já não nutre o humano escravizado de cada um. Minimizados para a passagem, afogamos em lágrimas as nossas incertezas. Não somos comedidos, por isso não sabemos cuidar de lugar nenhum. Vide o Planeta Terra. No primeiro capítulo de Alice, morrem a lógica e a geometria elaboradas pela sociedade burguesa em plena expansão colonialista. Século XIX, a racionalidade capitalista dominava os povos na forma de novos mercados e um livro tido para crianças subvertia a filosofia de rapina inglesa. <em>When logic and proportion have fallen sloppy dead&#8230;</em></p>
<p>A maneira encontrada para não levar adiante uma crítica séria e inteligente ao livro de Carrol foi dizer que o texto era de difícil compreensão. O conteúdo ingrato causava abordagens educadas, porém de parvas considerações. ‘Alice no País das Maravilhas’ está para o Pensamento assim como Leaves of Grass está para a Poesia (aqui, tento agradar às relações matemáticas de proporção e à Literatura de língua inglesa). Não conheço uma leitura interessante de Alice até a Contra-Cultura. Só então, com a popularização de determinadas substâncias estupefacientes, foi que alguém agraciado sacou a da lagarta sobre os cogumelos fumaçando um shisha. _<em>“Pô, o clássico do Disney tava maneiro mermu”!</em></p>
<p>O filme de Tim Burton que começou a rolar por aí é outro lance. Ele estragou o colorido do barato. Com tons mórbidos, a estória contada nada se parece com a concepção de Lewis Carroll, exceto pelo nome dos personagens. A Alice com 19 aninhos é muito bonitinha, mas o nome do diretor deveria constar nas iniciais do filme:<em> Tim Burton&#8217;s Alice in Wonderland</em> seria mais adequado. A trilha sonora prometida, com os australianos do Wolfmother e os hippongas da Grace Potter and The Nocturnals, deve ser só para quem gastar mais um no CD. Fica o clima de tensão e choque musical permanente, aliás, quem conduz o filme além dos ‘cinzas e sombras’ é a galera da orquestração. A catarse pelo barulho chato vai levando a trama estilo conto de fada, rainha boa versus rainha má resolvido pela menina que empresta a graça ao elenco. Podia ser original&#8230; O mal gosto requintado do diretor questiona até as técnicas de animação. Tá mais pra jogo de RPG do que pra longa. O final: Alice quebra os protocolos aristocráticos numa atitude rebelde para se transformar em representante comercial dos interesses britânicos na China. O bagulho é reaça. Imagina isso em 3D nos cérebros pouco resistentes das crianças? Cara, milhões de dólares nisso? Se Hollywood comprasse tudo em pirulito e distribuísse no próximo 27 de setembro seria mais emocionante, mais fiel a obra de Charles Dodgson, pelo menos em termos de inteligência.</p>
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		<title>O novo léxico da esquerda</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 14:31:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[O cabedal cognitivo da Humanidade é engrandecido pelas mentes revolucionárias. Quando Guy Debord concebeu a mediação das relações sociais por imagens, surgiu o conceito de ‘Espetáculo’ enquanto uma importante ferramenta de análise para o mundo de bombas atômicas, escravidão tardia, destruição da natureza, mudanças climáticas etc. E, certamente, encerrou-se no conceito apenas o que ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cabedal cognitivo da Humanidade é engrandecido pelas mentes revolucionárias. Quando Guy Debord concebeu a mediação das relações sociais por imagens, surgiu o conceito de ‘Espetáculo’ enquanto uma importante ferramenta de análise para o mundo de bombas atômicas, escravidão tardia, destruição da natureza, mudanças climáticas etc. E, certamente, encerrou-se no conceito apenas o que ele pôde apreender.</p>
<p>Se forjarmos um novo conceito, aumentamos o nosso léxico e mais profundamente o pensamento viaja, mais veloz fica ao passo que assume um tipo de ‘hipertexto’ subjetivo. Diria que a profundidade e a lateralidade (René Dreifuss), a velocidade e a complexidade são boas medidas para dimensionar a má-totalidade de um conceito. Assistindo as imagens das últimas chuvas na cidade do Rio, não é tão difícil ouvir da mídia a palavra ‘escombros’. Entretanto, o termo ‘ESCOMBROS’ acaba de ser inserido no léxico das esquerdas, festiva e acadêmica, tal o alcance epistemológico quando conceitualizado.</p>
<p>O conceito ‘ESCOMBROS’ ganhou num primeiro momento a configuração filosófica dos botequins sublevados e das festinhas “pesadas” cariocas. Porém, há nele mais de Leucipo que de Epicuro ainda. Por enquanto. No ir além, isso será revertido, até mesmo por outro conceito, não sei. Tenho certeza que um pouco mais de Dionísio e de Tranca-Rua&#8230; ESCOMBROS tomam um caráter libertário.</p>
<p>O importante é que no dia 09/04/2010, na Escola de Serviço Social da UFRJ, ocorrerá o magnânimo ritual de defesa da tese doutoranda ‘Acumulação (Democrática) de Escombros’ pelo meu amigo de copo e formulador conceitual Felipe Brito. Por favor, não confundam a simples palavra com o aporte filosófico do conceito. Os ESCOMBROS na tese daquele tricolor transcendem o resultado de mais de 24h chovendo forte. Não é um caso de banalização subjetiva por imagens espetacularizadas. A academia burguesa encontrará de fato a explicação do fato, pois ESCOMBROS dão conta tanto da destruição quanto da criação capitalista.</p>
<p>Hoje, é muito fácil olhar para as periferias, lixões, favelas, ruas alagadas, hordas de flagelados, etc. e pronunciar ESCOMBROS. Igualmente ridículo seria avaliar as economias de Islândia e Itália para dizer ESCOMBROS. Há de se cunhar ESCOMBROS da mesma maneira para a maquiagem clean do Design. Para os relacionamentos sociais danificados. Para o homem e para a mulher e para o consumo, ESCOMBROS. Não podemos destruir porque tudo já nos são ESCOMBROS. À imagem e semelhança, ESCOMBROS. C&amp;T, ESCOMBROS. Os pais ensinam aos filhos, ESCOMBROS. C.E.O. dos ESCOMBROS. O Estado promove e reverencia ESCOMBROS. ONU e FMI, amém de ESCOMBROS. Na Lua ou em Marte, ESCOMBROS. Os médicos, os advogados e os garis, ESCOMBROS. Rios, mares e oceanos, ESCOMBROS. Celebridades ou intelectuais, ESCOMBROS. Satélites, avenidas e janelas, ESCOMBROS. A mão amiga e o amor sincero, ESCOMBROS. As guerras, as políticas econômicas e o futebol, ESCOMBROS. Haiti, Alemanha, a calota polar, a Linha do Equador, ESCOMBROS, a poesia oficial, o Espetáculo, ESCOMBROS, ESCOMBROS, ESCOMBROS.</p>
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		<title>Berço do mar – reflexões sobre um nu natural</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Mar 2010 14:58:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[Nasci na antiga Guanabara que já não existe mais em termos políticos graças à ditadura militar. Aliás, o golpe militar arrebentou copiosamente a antiga capital federal.  Transferiu para alhures pertinho o centro econômico e financeiro do país. A pauperização da cidade foi uma simples conseqüência disso. Depois de sucessivos governos criminosos e da favelização moral [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nasci na antiga Guanabara que já não existe mais em termos políticos graças à ditadura militar. Aliás, o golpe militar arrebentou copiosamente a antiga capital federal.  Transferiu para alhures pertinho o centro econômico e financeiro do país. A pauperização da cidade foi uma simples conseqüência disso. Depois de sucessivos governos criminosos e da favelização moral pela qual ainda passamos, vejo as ruas serem tomadas e exploradas por milícias, substituindo os velhos esquadrões da morte em violência e desrespeito. Acho que não me cabe romancear tempo futuro. Tampouco a estreiteza dos bairrismos. Até existem aqueles que vivem assim, cuja profissão é pintar um antes mais bonitinho e um depois sonhador, mas o carioca nunca foi nem sabe ser bairrista. Portanto, abro mão desse charme provinciano. Somos a cidade mais cosmopolita e também a mais anárquica (em todos os sentidos) do país. Isto sim incomoda alguns idiotas que, pela inépcia política do Rio de Janeiro, sentem prazer em dar continuidade à estupidez nº 64.</p>
<p>Volta e meia, falam em compensação pela transferência da capital para Brasília, que nunca houve e sequer haverá de fato. A dívida do Metrô, quem se lembra, era federal a título disso e foi subitamente jogada no BANERJ, um dia o quarto maior banco do país que outrora encampara o BEG. Hoje, o Rio não possui um banco estadual nem um metrô que preste. Contudo, tal dívida aqui ficou para ser paga pelo povo. A corja neoliberal quis assim também, beneficiando os banqueiros, lição aprendida lá na ditadura, e assim ficamos: deveras apreensivos quando falam em compensação econômica.</p>
<p>Certamente, o petróleo poderia resolver alguns problemas locais. O Estado do Rio é o maior produtor e a Cidade Maravilhosa em tese teria direito a certos benefícios pela produção na plataforma continental adjacente. Bem, o ar poluído da queima de combustível fóssil esse fica na cidade. O Estado do Rio (politicamente) é um retrocesso institucionalizado que estrangula a Guanabara. As lideranças fluminenses souberam realizar os propósitos dos militares. Laranja e sal se foram. O óleo e o gás são levados a qualquer parte do país isentos de impostos, a pior política fiscal só para o Rio. E, os tão festejados royalties chegam bem reduzidos, inclusive para os cariocas, como fundo reparador por possíveis danos ambientais (tomados como compensação também em certas rodas de jogatina e sexo do Planalto Central). É verdade, nossos bandidos políticos levaram ‘um qualquer’ e não nos defenderam. E o pré-sal? Vamos aproveitar a onda da energia limpa. O pouco que nos cai aqui na praia podemos usá-lo esteticamente. A colagem monetária final de um novo parangolé oiticicus. O Hélio ia gostar. Nosso dinheiro não é lá grande coisa mesmo&#8230; Aí é só desfilar. Todos estão convidados.</p>
<p>Em uma oportunidade anterior aqui no blog, defendi o <a href="http://www.rumosdobrasil.org.br/2009/11/09/a-idade-do-sal/">uso da grana do petróleo pré-sal na nossa educação estética</a>. Lembro de uma música da banda carioca Módulo 1000: turpe est sine crine caput. Pelo jeito, o ovo não sairá da cloaca penosa. Confesso que não me decepcionei. A educação fluminense (geograficamente, o Estado do Rio parece fagocitar a Guanabara) se tornou um reflexo subjetivo da política de segurança pública. Tenho dúvidas com relação à aptidão pedagógica dos aparelhos de repressão estatal. Proponho agora que a nossa miséria financie museus universais. Museu de tudo, em cada esquina um. No lugar de uma padaria, um museu do pão. No do cemitério, um museu do ser humano. Shopping Center, museu do valor. Escolas e igrejas, museus do amém. Pô, assim a gente chega lá, programa ‘Museu Brasil’, todos na categoria visitante-peça.</p>
<p>A Guanabara resistirá, pois dificilmente se tornará peça de museu, como qualquer político brasileiro que curte uns 10%. Se até hoje o ‘Berço do Mar’ não nos foi totalmente apagado dos corações, e haja militares, esquadrões da morte, milícias, extermínio, corrupção e abandono, não será um dinheirinho besta que surge destruindo o planeta o definidor de futuro para os cariocas. Vamos trocar os royalties por bronzeador e birita, com muito sol, samba e futebol. Digo isso pensando no time do Flamengo, na Praia da Macumba, no som do Jorge Ben, no chopp escuro e em todos aqueles que não nasceram aqui e são bem-vindos à mais bela fonte de energia orgone do sistema solar desde o Cenozóico, a Iguaá-Mbara. Taí, não tinha pensado nisso&#8230; Guanabara; aqui o feio fica bonito.</p>
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		<title>Relembrando Edgar Morin</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 12:26:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Políticas Educacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algo de estúpido na abordagem pragmática da educação. No pragmatismo em geral isto é evidente, mas me atenho aqui ao particular das nossas escolas. Por um lado, não educamos o ser humano. Pelo outro, não lhe suprimos ao menos a subsistência. Garantir uma formação voltada exclusivamente para atender as exigências do mercado de trabalho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algo de estúpido na abordagem pragmática da educação. No pragmatismo em geral isto é evidente, mas me atenho aqui ao particular das nossas escolas. Por um lado, não educamos o ser humano. Pelo outro, não lhe suprimos ao menos a subsistência. Garantir uma formação voltada exclusivamente para atender as exigências do mercado de trabalho não é uma opção sábia e não significa o sucesso na empregabilidade dos estudantes, muito menos a certeza de renda compatível com as necessidades básicas. Entretanto, a estupidez é deveras complexa&#8230;</p>
<p>Com relação à pedagogia do ensino profissionalizante, não são providos os elementos essenciais para estruturar o indivíduo consciente de si interagindo com os principais processos cognitivos que permeiam o início do século XXI. Aprende-se computação mecanicamente sem que haja reflexões sobre o universo digital, por exemplo. A rede mundial de computadores na aparência do ‘tudo’ concede o ‘nada’, absorvido de forma pasteurizada e uniforme, sobretudo em sites de relacionamento onde qualquer identidade humana recebe um selo corporativo. É uma pedagogia imbecilizante compatível apenas com a entidade chamada mercado, enfeitada com frases de Freire e Piaget.</p>
<p>O desemprego foi um dos primeiros fenômenos sócio-econômicos universalizados pelo capitalismo, ao lado da carestia é claro. O antigo modelo de bem-estar social o reduziu a algo involuntário, contudo ainda existia. Depois de décadas de cartilha neoliberal, o desemprego deixou de ser apenas estrutural para se caracterizar como quase-absoluto. Milhões de pessoas foram consideradas obsoletas e condenadas a desaparecer pela simples aplicação de novas tecnologias. A forma organizacional da produção que deixou de existir não voltará mais. A esses milhões, deve-se conceber outra atividade, de preferência alguma coisa que transcenda a condição humana atual. Será que estamos refletindo sobre o futuro do planeta ao ensinar apenas Língua Estrangeira e Word for Windows? Para mim, isto se chama caridade informativa.</p>
<p>Imaginem o conhecimento pertinente, relembrando o filósofo judeu de origem francesa Edgar Morin, a respeito da possível expansão da Humanidade para além dos limites do nosso sistema solar. Vamos supor que encontrássemos um planeta semelhante e pudéssemos viajar até ele. Quantas questões nos serão suscitadas, quantas disciplinas desenvolveremos, quantas inventaremos&#8230; Pois a figura proposta agora pelo nível educacional é um grande Ctrl+Alt+Del.</p>
<p>Em termos inter-poli-transdisciplinares, mal passaremos da Lua sem distribuir terras e outros meios de produção, renda e conhecimento. Quiçá, tenhamos que superar as inúmeras mazelas econômicas que ora se defendem com guerras e crises, ora com doenças de laboratório e HAARP. E o nosso homo demens? Bem, este poderá estar treinado e bem capacitado se esgotando em um Call Center de esquina. Sem querer incomodar, um pouco de inteligência não faria mal algum!</p>
<p>Podemos educar incentivando a expressão estética do saber. Assim como podemos terminar com a pobreza reduzindo o número de pobres que não resistirão a uma década de privações e sofrimentos, ao passo que os países ricos afundam em futilidades dando tiros para todos os lados. Não sei o porquê, a primeira escolha me parece mais atraente, coletivamente, mais interessante. Tomaria de Dante uma proposta poética: trans-humanar.</p>
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		<title>A cigarra sem a formiga (libelo contra a escravidão)</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 13:13:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Cidadania]]></category>

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		<description><![CDATA[Historicamente, atribui-se a Esopo a autoria do gênero literário fábula. Na fábula são condensadas normas sociais de conduta utilizando figuras de animais em ações dualistas. Para a fábula da Formiga e a Cigarra, a cultura escravocrata grega sublimou o trabalho frente à disposição natural de cantar. Quando a cigarra teve fome, a formiga, que nunca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Historicamente, atribui-se a Esopo a autoria do gênero literário fábula. Na fábula são condensadas normas sociais de conduta utilizando figuras de animais em ações dualistas. Para a fábula da Formiga e a Cigarra, a cultura escravocrata grega sublimou o trabalho frente à disposição natural de cantar. Quando a cigarra teve fome, a formiga, que nunca foi dada a divisões, sugeriu a dança para tapear o estômago. O único erro da cigarra foi não buscar solidariedade entre as próprias cigarras. Certas espécies sociais não se comunicam nem buscam diálogos para além dos seus limites internos.</p>
<p>Em uma sociedade como a grega de Esopo que, aliás, foi escravo, o controle ideológico por parte dos proprietários contava em muito com a tradição oral na doutrinação dos grupos sociais dominados. Nesse sentido, a fábula foi precursora da Ética filosófica tardia. Esopo foi liberto pelo seu senhor graças às fábulas. A escravidão simplesmente projetava as representações subjetivas que a ela serviam de ‘muletas’ da desigualdade social, aproveitando uma sugestão pictórica surreal de Dalí.</p>
<p>É lugar comum hoje apontar a Inteligência Artificial e a Robótica como os principais avanços técnicos que levarão à extinção o trabalho físico humano. Só que, no capitalismo, acabar com o trabalho físico significa também terminar com o ser humano. No momento mais agudo da decadência escravocrata grega, por exemplo, fomos brindados (a Humanidade) com o gênio de Epicuro. As correntes se partiram e o humano transcendeu a si mesmo. Ainda agora, setores econômicos subsidiados e de uso intensificado de tecnologias (Agronegócio e Indústria Têxtil) procuram reverter algumas perdas financeiras com o uso de mão-de-obra escrava. Sofremos infelizmente também de <em>πνεύμα ανόητος</em>. Vide a filosofia burguesa.</p>
<p>Em 2009, o Ministério Público do Trabalho apontou o Estado do Rio de Janeiro como o lugar com maior uso de mão-de-obra escrava no país. A maioria dos casos registrados na monocultura da cana-de-açúcar na cidade de Campos dos Goytacazes. Lembrei do livro que li na minha infância ‘Açúcar Amargo’ do escritor mineiro Luiz Puntel. Era uma estória verídica que, endemicamente, assola-nos. Repetida inúmeras vezes ao longo dos anos, adormece o ambiente iníquo. As explicações sociológicas em moda para o fenômeno são verdadeiras fábulas. A escravidão é uma doença social em diversas partes do planeta e isto é intrínseco à lógica exploratória e destrutiva do capital, que ora extermina com trabalho, ora com guerras, doenças de laboratório, mudanças climáticas, etc. Entretanto, a quem servem os estereótipos da formiga?</p>
<p>Enquanto carioca rubro-negro, eu defendo que sejamos todos cigarras. Façamos da Cigarra o ser transcendental de um poema libertário. Freud muito bem advertiu que não existe no ser humano impulso laboral. Entramos numa de dominar a natureza e com isso subjugamos uns aos outros. Vamos cantar e dançar, sambar, praticar esportes, curtir o nosso litoral, as nossas florestas, encontrando expressões estéticas anos-luz da escravidão. Basta de exploração! É isso ‘mermu’, Carnaval todos os dias. Abaixo as formigas e os formigueiros! O trabalho no sentido lato é uma formação histórica demente e sinônimo de escravidão. Vivamos de vento, se no vento vier a Liberdade.</p>
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		<title>Dependência e espírito</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 15:52:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[estados unidos]]></category>
		<category><![CDATA[islandia]]></category>
		<category><![CDATA[teoria da dependencia]]></category>

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		<description><![CDATA[Em que pese ora o boicote acadêmico, ora a difamação que sofreu, a Teoria da Dependência, assim como foi concebida por Rui Mauro Marini, Vânia Bambirra e Theotônio dos Santos, apesar de precisa ao dizer que o excedente econômico produzido na periferia capitalista era escoado para as economias centrais, realimentando a dinâmica dependentista, quiseram alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em que pese ora o boicote acadêmico, ora a difamação que sofreu, a Teoria da Dependência, assim como foi concebida por Rui Mauro Marini, Vânia Bambirra e Theotônio dos Santos, apesar de precisa ao dizer que o excedente econômico produzido na periferia capitalista era escoado para as economias centrais, realimentando a dinâmica dependentista, quiseram alguns que ela fosse condenada ao esquecimento, tal como os seus elaboradores. A sordidez intelectual foi a mesma quando os opositores da Teoria da Dependência desfraldaram as ladainhas neoliberais, esquizofrenicamente, repetidas até hoje. Por si só, este já seria um bom tema para documentário, mas conversar com o Professor Theotônio é de fato uma viagem pela História do mundo, pela História da esquerda e pela História do pensamento econômico nos últimos 50 anos.</p>
<p>A última crise confirmou que as camadas superiores e minoritárias das sociedades são beneficiadas pelo nível de concentração de renda elevadíssimo, pois encontram no Estado um defensor de prontidão. Os bancos falem, a riqueza desaparece e a população paga a conta. Exemplo: Islândia, onde 400.000 investidores perderam o que tinham quando o Landsbanki faliu e o governo defendeu o pagamento de US$ 5 bilhões a Holanda e Grã-Bretanha. Nas periferias do capital, o processo de socialização das perdas internacionais além de não interferir no consumo conspícuo das elites, recorre às velhas medidas golpistas. Mais uma vez, o Professor Theotônio conhecia de antemão os números financeiros, as tendências políticas, os articuladores de golpe etc., dizendo como os republicanos dos EUA e os fascistas espanhóis do P.P. apoiaram a derrubada do outrora presidente eleito de Honduras.</p>
<p>Em uma produção independente, meu grande amigo piauiense Carlos Galvão, poeta, músico, cineasta (e, por uma infelicidade qualquer, vascaíno) e eu só paramos a conversa quando temos que trocar as fitas. A enxurrada de conhecimento e a clareza das palavras conduzem o tempo e nos propuseram uma linguagem cinematográfica extremamente rica em detalhes na própria simplicidade das imagens. Como cenário, filmamos as entrevistas na casa do Professor em Camboinhas &#8211; Niterói, num clima descontraído, com as duas filhinhas do seu último casamento brincando entre os equipamentos e nos chamando a atenção para o ambiente de liberdade em torno de um dos fundadores da Política Operária &#8211; POLOP. Para meu pesar, Theotônio dos Santos também é Vasco. Outrossim, muito me agradou saber que um dos principais influenciadores na formação da POLOP foi Andrés Nin Pérez, fundador do Partido Obrero de Unificación Marxista espanhol em 1935.</p>
<p>Mineiro de Carangola, exilado em Chile e México durante a ditadura militar brasileira, Theotônio dos Santos freqüenta as listas feitas pela extrema direita relatando os elementos nocivos à ordem social burguesa. Lá, no golpe militar chileno, Theotônio estava entre os 10 primeiros a serem presos imediatamente. Na opinião do Professor, a direita se prepara agora para uma nova ofensiva e já está ensaiando os primeiros passos. Ele integra no momento uma lista fascista contra indigenistas de todo o mundo ao lado de outros brasileiros, <a href="http://theotoniodossantos.blogspot.com/2009/12/lista-negra-dos-indigenistas.html">postada em seu blog</a>.</p>
<p>Entretanto, e muitos desconhecem o fato, Theotônio dos Santos e Celso Furtado são os únicos brasileiros entre os maiores economistas de todos os tempos reconhecidos por universidades européias. É autor de dezenas de livros e o atual coordenador da Rede sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável da UNESCO e Universidade das Nações Unidas &#8211; REGGEN. A ele, dito por um europeu, o maior desafio para o pensamento ocidental foi a Teoria da Dependência. E, para a tristeza do Brasil, é possível passar por um curso de Economia sem ouvir falar dos dependentistas.</p>
<p>Sobre o Espírito, esta relação de sujeição intelectual e opressão cognitiva alimentada pelos ideólogos da iniqüidade se faz devastadora. As idéias em obsolescência passam a mercadorias de baixo valor agregado por transações consumistas predatórias que se proliferam em escolas, centros de pesquisa e universidades. Sucumbe a subjetividade no mercado das abstrações dependentes. O Cinema pode então sugerir novas imagens.</p>
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		<title>A cidade em vermelho e preto</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 14:04:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Flamengo]]></category>

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		<description><![CDATA[Segunda-feira, dia 07/12/2009, a cidade do Rio de Janeiro amanheceu não com as cores de São Sebastião. O dia clareou em Exu, preto e vermelho. O Mensageiro nos disse que o jeito carioca de ser Flamengo supera tudo, inclusive falta de planejamento, desorganização, apatia, nervosismo, afobação e atos precipitados. Estamos nós, os flamenguistas, numa dimensão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda-feira, dia 07/12/2009, a cidade do Rio de Janeiro amanheceu não com as cores de São Sebastião. O dia clareou em Exu, preto e vermelho. O Mensageiro nos disse que o jeito carioca de ser Flamengo supera tudo, inclusive falta de planejamento, desorganização, apatia, nervosismo, afobação e atos precipitados. Estamos nós, os flamenguistas, numa dimensão mais elevada, numa realidade incomum, fomos contra a lógica do campeonato e, por isso, somos hoje mais generosos. Eu ouvi “Mengo!!!” de San Diego a Luanda, de Atenas a Sidnei. Demos a volta na Terra.</p>
<p>Domingo, dia 06/12/2009, é de Jorge em preto e vermelho. Quando um técnico negro conquistou o título brasileiro de futebol pela última vez? É Jorge em preto e vermelho. Jorge é guerreiro. Salve Jorge! E Jorges, Andrade e Ben, com quem aprendi a ser Flamengo. Na essência da beleza, da pureza e da alegria carioca. Fiz da bandeira rubro-negra um lencinho e chorei de felicidade pelos 6 de todo mundo. Valeu, Jorge.</p>
<p>Sábado, dia 05/12/2009, praia e sol, Maracanã, futebol, Domingo já era Sábado. Fiquei completamente estupefaciado, exageradamente entorpecido de véspera. Saí e só retornei na segunda-feira para escrever essas linhas. Nisso, saquei que dava para ir mais longe&#8230; Claro que no sentido místico. O preto-vermelho é uma representação universal. Eram as cores de guerra dos tupinambás, são as flâmulas anarquistas, socialistas e revolucionárias do planeta. Desde 1936, sempre erramos por falta de planejamento, desorganização, apatia, nervosismo, afobação e atos precipitados. O Rio de Janeiro é a eterna casa do Macumbismo Dialético. E o Flamengo é isso, a subversão do absoluto. MENGOOOOO!!!!!!!!!!!!!!</p>
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