Responsabilidade Social 26/03/2011
Fé Animal
Na ânsia de sobreviver às adversidades e ao que não é compreensível, os homens submeteram-se a aceitar as suas limitações, crendo na existência de um Poder Maior, um Ser Não Material, que poderia ser agradado e dessa forma conceder clemência e vitória. Dessa forma, para este Ser, Deus, Divindade, caberia ao homem oferecer o seu melhor, em sacrifício, para obter a satisfação, aprovação e benção do seu Deus de devoção.
Sacrifício
Sacrifício é um ato ritual no qual é feita uma oferta para o objeto de culto religioso ou veneração. A oferta pode ser em planta, animal, ou até mesmo forma humana. Encontrado nas religiões de muitas culturas, passadas e presentes, sacrifício é uma prática destinada a homenagear ou apaziguar uma deidade e de tornar santa a oferta.
Na América pré-colombiana milhares de vítimas humanas (muitos delas cativas de guerra), foram oferecidas anualmente, de acordo com o ritual complexo do calendário asteca; sacrifícios humanos também ocorreram numa escala menor entre os Maias andinos e vários grupos indianos e norte-americanos.
Entre as culturas de África, Extremo Oriente, Sudeste da Ásia e Oceania, os sacrifícios são comumente oferecidos em relação ao antepassado em adoração. Sacrifícios humanos eram anteriormente praticados por certos grupos em todas estas áreas. A antiga tradição védica da Índia tem um ritual de sacrifício altamente desenvolvidas (hinduísmo). O ato sacrificial não desempenha um papel significativo no Islã.
No Antigo Testamento da Bíblia sacrificio a primeira menção de Deus quanto a sacrifício, é a rejeição da oferta de Caim e da aceitação da oferta de Abel (Gen. 4:2-5). No hebraico antigo os principais sacrifícios eram os do cordeiro pascal e do bode expiatório. Para os cristãos todos os sacrifícios foram cumpridos de uma vez só vez, na auto-oferta de Jesus (Heb. 9-10).
Posteriormente com os dogmas católicos, escritores cristãos passaram a chamar a Eucaristia de um sacrifício, identificando-a com a pura oferta de Malaquias (Mal. 1:11).
O sacrifício é utilizado para expressar fé, arrependimento, adoração, necessidades e pedidos. A principal finalidade do sacrifício é para a divindade para garantir a Sua graça.
O religioso ato do sacrifício sempre foi praticado pelas civilizações, segundo dados históricos, e era também praticado desde os tempos antigos, conforme relatos do povo hebreu que se encontram nos livros da bíblia (Gn 4:4 ff, ff 8:20; 12:7,8; 13:4,18; 15:4 ff; 26:25; Jo 1:5, 42:7 — 9).
Antes da construção do Templo, em Jerusalém, sacrifícios foram feitos pelos chefes de famílias. Porém, sacrifícios não são mais oferecidos pelos judeus desde a destruição do Templo pelos romanos em 70 dC.
Nas leis mosáicas os sacrifícios poderiam ser feitos e oferecidos apenas com certos tipos de animais, incluindo aves e os sacrifícios eram de dois tipos, de animais e de vegetais.
Sacrifícios animais:
Oferta de pecado (Lev. 4:1-35; 6:24-30).
Oferta de Culpa(Lev. 5:14-6:7).
Holocausto (Lev. 1).
Oferta de paz (Lev. 3).
Sacrifícios vegetais:
Oferendas (Lev. 2:1-16; 6:14-18).
Oferendas de Bebida (Num. 6:17; 15:1-12).
Segundo os escritos bíblicos, os sacrifícios já eram oferecidos antes do dilúvio. E mesmo quando o Senhor vestiu Adão e Eva com peles de animais, os estudiosos consideram que tinha sido fruto de um sacrifício (Gn 3:21). Abel também teria oferecido um sacrifício das primícias do seu rebanho” (Gen 4:4; Hebreus. 11:4). A questão é que na tradução do hebraico original, a palavra que é usada para a roupa preparada por Deus, não é “pele” e sim “pelo” de animal. E ainda, no tocante à primícias que Abel trouxe, cabe tranquilamente o entendimento que pode ser das primícias da gordura do leite do seu rebanho.
O curioso e muito importante é saber que segundo Gênesis 1: 29, os animais não poderiam servir de alimento para o homem, mas isto muda, no pós-dilúvio, com um texto confuso, logo após a saída de Noé e de seus filhos da arca.
Fé, Religião e Animais não Humanos
Ao participarmos de uma existência aonde a saciedade das explicações dos mistérios ficam dependentes, mais e mais, do sentimento de fé no que é transcendente às limitações da matéria, principalmente com o desenvolvimento dos estudos científicos, como podemos nos dias atuais entender que o homem dito “evoluído”, sente-se ainda superior ou “dono” dos seres que convivem no mesmo espaço cósmico?
Por que a fé, religiões, instituições, governos e Estados, ainda preferem concordar com ou desconhecer as atrocidade que ocorrem a todo momento em todo o mundo, com os seres considerados “inferiores” e com a natureza num todo?
Afinal, sendo a saúde, a alimentação, os bons costumes, etc. fruto dum contexto cultural da sociedade e, sendo a religião um dos principais fatores para definição ética e moral do ponto de vista cultural de uma sociedade, a sua omissão, nos dias de hoje, além de cooperar, acelera o fim da justiça e da paz.
Como pregar o amor, sem clemência para aqueles que são menores que nós?
Como atingir a harmonia sem uma convivência de respeito por seres que são diferentes ou não humanos?
Caberia a fé e a religião nos despertar para o retorno do princípio de tudo? Por que o seu silêncio quanto ao assunto?