Excelente a entrevista do pré-candidato do PSDB, José Serra, na Folha de São Paulo do dia 11/04/10. Em matéria econômica, Serra defende que o desenvolvimento brasileiro precisa se basear na indústria e que, atualmente, o Brasil está caminhando no sentido contrário, tornando-se uma economia primário-exportadora. O caminho do desenvolvimento brasileiro passa pela adoção de um modelo industrial competitivo, ao invés de fechado, como no passado. Serra também afirmou, na sua entrevista, que a economia brasileira pode crescer mais do que cresce atualmente, passando a exibir taxas mais próximas às observadas pela China e pela Índia se adotar as “políticas adequadas”.
Participei ontem da festa de lançamento da pré-candidatura de Serra a Presidência da República a convite do PPS. Em matéria econômica, o ex-governador de São Paulo afirmou que o Brasil precisa de auteridade fiscal, investimento em infra-estrutura, eficiência na máquina administrativa e … uma combinação adequada de câmbio e juros. Um discurso próximo, em vários aspectos, ao documento político que escrevi recentemente com o deputado Raul Jungmann, documento esse que estarei apresentando formalmente ao PPS, em Belo Horizonte, no próximo dia 19 de abril.
Reproduzo abaixo alguns trechos da entrevista de Serra a FSP:
FSP: Já dá para falar em um ciclo virtuoso de crescimento?
Serra: Ainda não se tem elementos para achar que esse crescimento está garantido para adiante. Temos que dar luta para isso. Por isso eu disse que o país pode mais (…) Fala-se que o Brasil saiu bem da crise. Depende da referência. Saiu bem comparativamente a alguns países desenvolvidos e até a alguns outros em desenvolvimento. Mas voce teve do outro lado a China e a Índia que tiveram altas taxas de crescimento. Não há razão da natureza para o Brasil não ter um desempenho semelhante, ou pelo menos mais próximo, ao de Índia e China. Precisa ter as políticas adequadas.
FSP: Qual é o modelo de desenvolvimento que o Sr. prega hoje?
Serra: Temos três modelos de desenvolvimento que estão postos. O primeiro é voltar à economia primária exportadora – com um pouco mais de valor agregado, mas ainda assim primário exportadora. O segundo é o da chamada economia de serviços, que prega que a indústria já foi. O primeiro não tem condições de gerar empregos num país com 200 milhões de habitantes como o Brasil. O segundo é uma bobagem, porque os serviços são importantes, tem valor adicionado, mas se desenvolvem a partir de uma economia industrializada. O terceiro é um modelo industrial competitivo, não fechado, como no passado. É o único modelo capaz de gerar empregos e crescimento sustentado. O problema é que o Brasil está caminhando para o primeiro modelo, e eu acho isso errado. Não é que não tenha que exportar produtos primários, mas o Brasil tem um tamanho, uma dotação de recursos naturais e uma população que lhe permitem se desenvolver em várias direções. É um país agrícola e industrial, pode exportar produtos primários e mais elaborados. Esse é o grande desafio.