Políticas Urbanas 09/04/2010
Chuvas de outono
As declarações das autoridades são de uma fragilidade espantosa. Três causas são recorrentemente expostas:
- natural – topografia da cidade, marés e violência da chuva
- social – a ocupação pela população de áreas de risco
- polítco-administrativa – a incúria das administrações precedentes
Como sabemos nenhuma dessas causas surgiu de maneira repentina. A topografia e o clima não são novidades. A favelização e ocupação irregular já são um processo centenário orquestrado por um pacto onde os governos cuidam dos ricos e deixam os pobres cuidarem de si. As administrações dispensam comentários.
As soluções não são fáceis nem desejadas. A manutenção da rotina e da mesmice, o atendimento pontual dos problemas só prepararão a próxima tragédia em escala ampliada.
Todas as questões urbanas estão imbricadas. A falta de saneamento, o esgoto in natura lançado no meio ambiente, a falta de um sistema de transporte público, de saúde, educação e segurança pública etc.
As medidas e o planejamento necessários para a reversão desse quadro não saem dos discursos políticos, sempre grotescos e performáticos, que não resistem a uma interlocução inteligente. O longo prazo e as questões estruturais são sistematicamente ignorados mesmo quando aparecem como figuras e imagens discursivas.
Do Jardim Pantanal à desordem urbana do Rio de Janeiro os problemas são enfrentados ao ritmo de PAC.
Mas a natureza às vezes ajuda. No inverno chove pouco.
