Políticas de Saúde 04/03/2010
Fala sério!
Em entrevista ao Jornal O Dia, no dia 21/2, o líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio demonstrou que o Estado não possui uma política de recursos humanos pautada na lei, mas sim uma colcha de retalhos em que cada categoria é tratada diferentemente das demais, rompendo o princípio isonômico constitucional. Suas declarações indignaram os servidores públicos. Em quase quatro anos de governo, o setor de saúde foi o único que não recebeu reajuste e as promessas eleitorais foram para o espaço.
O PCCS aprovado pelos seus pares foi ignorado, desmoralizando a própria casa e com vencimento básico de 200 reais, ativos e aposentados estão amargando o pior tratamento já dado ao setor. Além de dizer que “o estado faz a escala e o médico não aparece”, o nobre deputado afirma que esse profissional trabalha em clínica particular nos dias do seu plantão. Ao distorcer os fatos, ele tenta explicar a evasão dos médicos da rede estadual, motivada pela pior remuneração paga no país ao setor e pelo ambiente de trabalho degradado. Na verdade, esse médico que não está no plantão, ou não existe, ou adoeceu devido à falta de condições de trabalho.
O parlamentar elogiou a presença dos bombeiros militares na rede, mas na verdade, a Secretaria de Saúde iniciou a militarização na perspectiva de adotar a lei da mordaça nos médicos e impedir que as mazelas da saúde viessem à tona. Hoje, esse projeto encontra-se ameaçado pelas diversas baixas verificadas no último concurso da corporação, motivadas pela insatisfação com os salários e a carga horária. Para atestar isso basta verificar o funcionamento das UPAs: faltam médicos e é extremamente longo o tempo de espera para o atendimento e a internação de pacientes graves, o que contribui para a ocorrência de mortes desnecessárias.
Já em sua afirmação de que o setor deve ter um novo formato está implícita a defesa da entrega da gestão à iniciativa privada, da terceirização da mão de obra com salários superiores aos dos servidores públicos, da dispensa do concurso público e do fim da estabilidade. Em outras palavras, o que ele deseja é um projeto na contramão do SUS e da nossa Constituição. É muito fácil falar. O desafio seria vê-lo, depois de pelo menos 10 anos de estudos superiores, tendo se submetido a concurso público, conseguir sobreviver com um salário próximo ao de um gari, enquanto luta para salvar vidas sem condições de trabalho e, além de desrespeitado, ser taxado de responsável pelo que o governo deixa de fazer.
Fala sério!