Políticas Educacionais 02/03/2010
Relembrando Edgar Morin
Há algo de estúpido na abordagem pragmática da educação. No pragmatismo em geral isto é evidente, mas me atenho aqui ao particular das nossas escolas. Por um lado, não educamos o ser humano. Pelo outro, não lhe suprimos ao menos a subsistência. Garantir uma formação voltada exclusivamente para atender as exigências do mercado de trabalho não é uma opção sábia e não significa o sucesso na empregabilidade dos estudantes, muito menos a certeza de renda compatível com as necessidades básicas. Entretanto, a estupidez é deveras complexa…
Com relação à pedagogia do ensino profissionalizante, não são providos os elementos essenciais para estruturar o indivíduo consciente de si interagindo com os principais processos cognitivos que permeiam o início do século XXI. Aprende-se computação mecanicamente sem que haja reflexões sobre o universo digital, por exemplo. A rede mundial de computadores na aparência do ‘tudo’ concede o ‘nada’, absorvido de forma pasteurizada e uniforme, sobretudo em sites de relacionamento onde qualquer identidade humana recebe um selo corporativo. É uma pedagogia imbecilizante compatível apenas com a entidade chamada mercado, enfeitada com frases de Freire e Piaget.
O desemprego foi um dos primeiros fenômenos sócio-econômicos universalizados pelo capitalismo, ao lado da carestia é claro. O antigo modelo de bem-estar social o reduziu a algo involuntário, contudo ainda existia. Depois de décadas de cartilha neoliberal, o desemprego deixou de ser apenas estrutural para se caracterizar como quase-absoluto. Milhões de pessoas foram consideradas obsoletas e condenadas a desaparecer pela simples aplicação de novas tecnologias. A forma organizacional da produção que deixou de existir não voltará mais. A esses milhões, deve-se conceber outra atividade, de preferência alguma coisa que transcenda a condição humana atual. Será que estamos refletindo sobre o futuro do planeta ao ensinar apenas Língua Estrangeira e Word for Windows? Para mim, isto se chama caridade informativa.
Imaginem o conhecimento pertinente, relembrando o filósofo judeu de origem francesa Edgar Morin, a respeito da possível expansão da Humanidade para além dos limites do nosso sistema solar. Vamos supor que encontrássemos um planeta semelhante e pudéssemos viajar até ele. Quantas questões nos serão suscitadas, quantas disciplinas desenvolveremos, quantas inventaremos… Pois a figura proposta agora pelo nível educacional é um grande Ctrl+Alt+Del.
Em termos inter-poli-transdisciplinares, mal passaremos da Lua sem distribuir terras e outros meios de produção, renda e conhecimento. Quiçá, tenhamos que superar as inúmeras mazelas econômicas que ora se defendem com guerras e crises, ora com doenças de laboratório e HAARP. E o nosso homo demens? Bem, este poderá estar treinado e bem capacitado se esgotando em um Call Center de esquina. Sem querer incomodar, um pouco de inteligência não faria mal algum!
Podemos educar incentivando a expressão estética do saber. Assim como podemos terminar com a pobreza reduzindo o número de pobres que não resistirão a uma década de privações e sofrimentos, ao passo que os países ricos afundam em futilidades dando tiros para todos os lados. Não sei o porquê, a primeira escolha me parece mais atraente, coletivamente, mais interessante. Tomaria de Dante uma proposta poética: trans-humanar.