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No Brasil apesar de grande número de legislações e regulamentações que exigem instrumentos de planejamento para governança pública estruturada, grande parte dos governantes e políticos não utiliza os documentos de planejamento existentes e menos ainda compreendem a necessidade fundamental de elaborar planos de médio e longo prazos para cada setor de gerenciamento público. As causas ou razões dessa contra cultura são inúmeras, mas sem dúvida seus efeitos são as raízes de nosso subdesenvolvimento em diversos setores, regiões, estados e municípios. 

A visão preponderante normalmente condiciona o planejamento e a execução de projetos executivos com etapas anuais, havendo pouca capacidade de entendimento da necessidade de conhecer os problemas para realizar um processo consciente de elaboração dos diversos tipos de planos, tais como: Plano de Uso e Ocupação do Território, Planos Urbanísticos Diretores, Planos Estratégicos Setoriais e Planos Plurianuais de Desenvolvimento.

Para alguns políticos imediatistas, principalmente nos centros urbanos brasileiros, a estratégia além de 2010 será manter a cortina de fumaça do sucesso de políticas populistas locais ou conquistas de competições seletivas de eventos internacionais, como por exemplo, sediarmos em breve os jogos esportivos mundiais. Isto é governar para garantir a qualidade de realização dos Jogos Olímpicos 2016 e Copa do Mundo em 2014. Em si esses eventos são importantes se orientados para estimular a população para práticas esportivas saudáveis e de forma honesta para implantar infra-estruturas públicas de longo prazo, mas não deverão ser utilizados como paliativo recreativo para tentar distrair a população, que deve ser consciente e crítica dos problemas fundamentais da educação, saúde, trabalho e habitação, que devem ser à base das verdadeiras políticas estruturantes. Na pratica, uma grande parte dos governantes estará preocupada em apresentar emergências de “obras necessárias” para estabelecer trocas financeiras que garantam suas contas a pagar nas próximas campanhas eleitorais de 2010 e 2012.  Desde modo pouco de duradouro será executado até 2016 e menos ainda aproveitado depois dos eventos, como tem sido visto pelo espólio de construções realizadas para execução de eventos esportivos anteriores.

Há também um excesso de valorização das obras e inaugurações de projetos federais, estaduais e municipais, que estabelecem elementos concretos e visíveis para a propaganda de campanhas para cargos eletivos em 2010 e principalmente para as disputas estaduais e federal. Algumas obras tem relevância significativa para a melhoria da infra-estrutura nacional, mas representam ainda avanços modestos de infra-estrutura física e menos relevante ainda diante das necessidades nacionais de reestruturação dos processos de gestão pública dos setores de serviço e produção, alem das reformas políticas. Cabendo lembrar que em vários Estados brasileiros ainda existem políticas feudais com enormes concentrações de renda, muitas vezes para benefícios financeiros de empresas internacionais, sendo grande parte ainda das populações de áreas rurais e mineradoras exploradas principalmente pela lógica exclusiva do extrativismo de recursos naturais.                

Por outro lado temos tido avanços relativos nas políticas econômicas e financeiras, demonstrando o melhor desempenho relativo do Brasil em relação com a crise mundial constatada nos últimos anos. Entretanto as dinâmicas internacionais de consumo e oferta de bens e serviços são eventos de difícil previsão e necessidade permanente de políticas de ajustes emergenciais.

Por tudo, quais os melhores rumos para muito além de 2010?

Nesse amplo contexto, há uma constatação quase que generalizada, principalmente de parte do próprio presidente, de diversos políticos experientes, e principalmente de partidos novos de vanguarda, tal como o partido Livre, que consideram que o modelo desenvolvimentista clássico, e mesmo o denominado de sustentável estão esgotados e não serão suficientes para orientarmos nosso melhor rumo como sociedade soberana de uma nação continental, exuberante em recursos naturais e ainda com grandes diversidades sociais. De certa forma, essa análise está sendo elaborada no Plano Brasil 2022, sobre a coordenação do ministro de Assuntos Estratégicos Prof. Samuel Pinheiro Guimarães, que pretende entregar o documento básico ao presidente Lula até o dia 30 de junho.

Porém, o fator de extrema relevância é que cada vez mais todos os brasileiros estão conscientes de que a humanidade não pode mais conviver com: mentiras, trapaças, guerras, preconceitos raciais ou sexuais, destruição da natureza, perseguições políticas e religiosas, conflitos armados e destrutivos, capitalismo espoliativo, poder financeiro opressor, falsificações empresariais, falcatruas bancárias, desunião generalizada, competição desenfreada, saúde precária, educação reprimida e descompromissada, e comunicação manipulada e sensacionalista. E são essas constatações populares é que determinam a real possibilidade de mudança.

Enfim, precisamos enfrentar esses problemas para criarmos um conjunto de estratégias inovadoras para uma nova sociedade capaz de caminhar para uma civilização mais consciente da necessidade de criar um ciclo virtuoso e permanente de Planejamento e Programação em todos os setores da governança pública e planejar para muito além de 2010.

Será necessário entendimento e união para enfrentamento das questões nacionais e internacionais atuais. Não basta simplesmente fazer acordos políticos de alianças partidárias eleitoreiras.

Devemos ser capazes de transcender a lógica dos conceitos tradicionais das polarizações políticas competitivas para buscarmos soluções cooperativas para as mazelas de um processo civilizatório desregulado, desumano, autodestrutivo e muito pouco inteligente.

Sabemos quantos desafios teremos que enfrentar para projetar e realizar ações extremamente complexas, até mesmo para reestruturar nossos próprios dogmas e preconceitos forjados por paradigmas tantas vezes desonestos.

As tarefas serão árduas, mas as conquistas possíveis, se não escondermos nada embaixo do tapete e todos os assuntos vividos por cada um forem encarados e desencarnados de culpa ou opressão, num exercício constante de aprimoramento interno e de reestruturação pessoal, empresarial e governamental. Vamos avaliar, debater e propor os caminhos de uma verdadeira  liberdade estando conscientes dos deveres e direitos de cada um e buscando a união máxima e melhor de todos.

Juntos deveremos encontrar soluções para enfrentar com realidade, humanidade e inteligência as questões da sociedade, tais como: a dignidade humana e os preconceitos generalizados; as diversas opções sexuais; o comércio e consumo de drogas; a origem dos delitos; a marginalização e segregação dos pobres; a precariedade do trabalho e da educação; a carestia da moradia, dos alimentos e da saúde; os custos dos impostos e valor da propriedade;  a poluição e impactos ambientais; a atenção com as crianças e idosos; a violência dos poderes e a corrupção generalizada.

A verdadeira política e administração pública transparentes exigem atitudes participativas e gestão compartilhada de todos, com todos e para todos. A revolução necessária objetiva uma nova civilização humanística e solidária.

Precisamos de todos para ouvir e discutir com todos os problemas de cada um, sempre buscando soluções para maiorias e minorias, compreendendo as razões históricas das questões, mas não permanecendo reféns ou vitimas de destinos preconcebidos.

Podemos e devemos fazer uma nova história para muito além de 2010.


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