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George Orwell(1)  em seu clássico “A Revolução dos Bichos” trata das conseqüências da revolução comunista, com a ascenção de uma classe – os porcos – que, apesar de clamar grunhindo que “todos os animais são iguais”, se apossa das instituições do Estado e subjuga politicamente os demais animais “não tão iguais”.

John Maynard Keynes (2) utiliza o mesmo artifício de se referir aos animais – as girafas – para externar de forma clara as diferenças entre os humanos. Nesse caso, as diferenças se referem ao tamanho de seus pescoços. As girafas de pescoços menores se alimentam em menor quantidade e qualidade do que as de pescoço mais longo. Com o passar do tempo, a classe de pescoço mais longo subjuga as demais.

Enquanto porcos se manifestam, a princípio, iguais aos outros animais, e após pregam a sua “vantagem comparativa”, girafas reconhecem tal vantagem de maneira predestinada.

Ambas as parábolas demonstram que nós, humanos, temos plena consciência tanto das nossas diferenças naturais como dos resultados trágicos da outorga incondicional e descuidada do nosso poder político, quando se trata de decidir o que deve ser feito com os tributos que pagamos.

Se o sistema de mercado não resolve todos os problemas de alocação e distribuição de bens e serviços (pois muitos de nós possuímos “pescoços curtos”), devemos contribuir com a parcela dos recursos destinada à solução desses problemas pelo Estado.

Ocorre que o Estado (os porcos da fábula de Orwell) possui endereço fixo e é conhecido de todos, porém, “mais bem conhecido” de determinados grupos (outros porcos). Os membros desses grupos não são os que pagam os tributos para financiar a produção dos bens e serviços destinados ao consumo dos mais necessitados e a construção da infra-estrutura que serve a todos. A solução está em se reconhecer as diferenças dos “pescoços” e, ao mesmo tempo, definir o sistema no qual o poder de tributar e o de alocar os recursos seja representativo de todos, e não apenas de um grupo.

Referências:

  •  (1) George Orwell  A Revolução dos Bichos – Editora: Globo. 1977
  • (2) John Maynard Keynes – The End of Laissez-Faire – (1926). Ensaio publicado como panfleto pela Hogarth Press, em julho de 1926 e que baseou-se em palestras proferidas por Keynes, no Sidney Ball Memorial, em Oxford, em novembro de 1924, e na Universidade de Berlim, em junho de 1926. Disponível em http://www.panarchy.org/keynes/laissezfaire.1926.html

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