A despeito das diferenças entre as correntes religiosas de nosso planeta, em todas as comemorações têm-se como referência máxima a confraternização entre os povos, o espírito do despojamento, da renúncia, da abnegação, da humildade e o propósito de incorporar tais virtudes em nossos corações e mentes, sejamos pobres ou ricos.
No mundo ocidental o calendário faz com que o espírito do Natal se agregue às festas da passagem de ano, potencializando todos os desejos virtuosos de fraternidade e afastando qualquer idéia associada ao egoísmo, ao individualismo e ao proveito próprio. Pensamos somente na acumulação das alegrias provenientes do simples fato de estarmos na companhia de familiares, amigos e até mesmo do nosso semelhante e incógnito próximo.
Durante sete dias os povos ocidentais põem-se a evocar princípios que, se aplicados durante os demais trezentos e cinquenta e oito dias do ano, poupariam bilhões de dólares, milhares de horas dos congressistas, juízes e advogados, e outros tantos milhares de vidas em guerras, em cirurgias mal sucedidas, fazendo ressurgir um planeta menos cinzento e mais feliz.
Quando pensamos em justiça tributária estamos nos referindo ao exercício prático da solidariedade, da parcimônia e da razoabilidade, por meio do qual cada indivíduo contribui de acordo com a sua capacidade – expressa pela renda monetária recebida – para que os serviços que consumimos de forma coletiva possam estar disponíveis a todos, no tempo, no espaço individual de consumo, na quantidade e na qualidade necessária a cada um de nós.
Entretanto, diferentemente do comportamento altruísta e voluntarioso de cidadão que naturalmente adotamos durante a semana mágica das Boas Festas, no restante do ano assumimos a postura passiva e rabugenta de meros contribuintes e consumidores de bens públicos, insatisfeitos com o que nos é devolvido pelo Estado como contrapartida da nossa contribuição.
Temos por hábito desejar Boas Festas e Feliz Ano Novo. Mas tudo não passa de desejos e aspirações sobre os quais não possuímos controle, pois sabemos como as alegrias são distribuídas nos orçamentos. Cabe a nós, amparados nos princípios da Boa Contribuição e da Boa Distribuição, fazermos com que as alegrias sejam tão bem distribuídas como distribuímos votos aos nossos próximos: de forma objetiva, contemplando na exata medida cada um dos nossos semelhantes, e de forma equitativa, reconhecendo as diferenças que existem entre cada um de nós, seja no dimensionamento da nossa contribuição, seja na alocação de recursos destinados ao nosso consumo de bens públicos.