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Além dos pecadilhos, dos pecados veniais, dos pecados mortais que em seu nome se pratica, com desfaçatez, a política tem seus encantos.

É um jogo sedutor, sem dúvida. Convoca, atrai, vicia, escraviza. Nem tudo é missão ou sina. Por vez, o sujeito empaca – como burro brabo – na pretensão e segue empalmando segredos. Não raro mistifica, fantasia, investe no engodo. Maqueia, vaselina, enrola. Joga pesado.

Quando ganha, é comum esquecer que o tempo urge e o mandato é sazonal e breve. A organização social, todavia, precisa da outorga estatal. Sem regra, sem norma, sem lei a merda vira boné.

O Congresso é ruim? E daí… Sem ele é pior. A política é a arte da safadeza? Pode até ser. Mas tem gente boa que sinceramente quer fazer.

O mais interessante, porém é a defasagem entre o caminho e o exercício do Poder.

No palanque o blá, blá, blá chega a ser cínico. Há todo tipo de promessa. Algumas mirabolantes. O mais engraçado, contudo, é a amnésia do escolhedor. No jogo do mistifório vale tudo. O mentiroso e a vítima se completam, se irmanam, namoram e casam. O enlace denota verdadeira concupiscência. O troca- troca  termina por seguir o mesmo rumo. E o destino é a repetição enfadonha de não cumprir o prometido.

O jogo do Poder é cruel e repetitivo. No episódio Sarney,(por exemplo) Mercadante deu uma de macho e anunciou a RENÚNCIA. No dia seguinte, não se fez de rogado: renunciou a própria renúncia. No entanto, só pediu desculpa à mulher e aos filhos. Coisa de líder.

A renúncia mais nova é do Governador de Minas Aécio Neves. Candidato a candidato criou-se acirrada disputa intramuros. Serra, o adversário, rangeu os dentes, afiou as lâminas e pediu o ringue. O mineirinho preferido do vovô Tancredo observou as luvas, a massa muscular e o currículo belicoso do contendor. Jogou a toalha ainda fora do tatame. Neste caso a renúncia prematura tem um adendo significativo. O dito popular ensina que “mineiro trabalha em silêncio”. O primeiro Neves da trupe foi Ministro de Getúlio, Primeiro Ministro com Jango, partidário do Juscelino Kubschek, deputado, governador e presidente eleito. Subiu no palanque das “DIRETAS JÁ”, deu corda a Ulisses, votou pela Emenda de Dante e ganhou no tapetão do Colégio Eleitoral. Fez mais. Morreu de véspera e deixou Sarney de herança. Dizimou Maluf, é verdade, mas inventou o José Ribamar. Deu empate no placar. Prá Serra tem a hipótese da reeleição, para Aécio já não há. Está no segundo mandato. Ou seja, a briga nem começou.

Dois mil e dez vem aí. O Carnaval é cedo, a Copa no meio do tempo e a Eleição Federal. Sem dúvida o pau vai cantar. Café e leite nem pensar. Enquanto isso, Dilma trafega no paralelo. É Roussef pra homem nenhum botar defeito. E tudo recomeça no ABC. Lula é Adão.


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