Opções


Nosso Campeonato Brasileiro de Futebol foi marcado por surpresas e reviravoltas na última rodada do torneio de 2009. Numa das decisões mais emocionantes da história do Brasileirão, o Flamengo sagrou-se campeão ao vencer o Grêmio de virada, por 2 a 1, no Maracanã. É o sexto título brasileiro do clube mais popular do país — campeão também em 1980, 82, 83, 87 (título da Copa União) e 1992. Como moro em Copacabana pude, desde a véspera, ver as ruas, restaurantes, hotéis e botequins, lotados de flamenguistas. Estavam extremamente otimistas e não viam hipótese de derrota. De certa forma, observei satisfeita que havia muitas famílias, tipo de “antigamente”: pai, mãe, filhos, além dos torcedores, digamos, bagunceiros ou exaltados. Nem parecia que poucos dias antes Copacabana era palco de bombas, incêndios em ônibus, enfim, guerrilha urbana. Sinceramente não saberia dizer se essa mudança de ares foi pelo poder do Flamengo, do futebol ou do esporte, mas com certeza foi mais forte e sobrepujou o Primeiro, o Segundo e o Terceiro setor da economia. Penso que tal força de mudança, no clima de violência, pode ter sido o resultado da influência do futebol no poder do Quarto Setor.

Para entender melhor este raciocínio, vamos fazer resumidamente as definições do que são esses numerados setores da economia:

  • O Primeiro Setor é representado pelo Governo. Cabe ao Governo a missão de dar oportunidades para que a população tenha acesso a serviços públicos e os mesmos devem ser de excelente qualidade. Esta é uma das formas de eliminar o terrível abismo que separa a “ilha dos ricos do oceano dos pobres”. A política de desenvolvimento econômico deve privilegiar a geração de empregos e a melhoria da distribuição de renda, como pré-requisitos para que o país melhore;
  • O Segundo Setor é representado pela Iniciativa Privada. Ela depende do lucro para sobreviver e tem no lucro a sua principal motivação. Podemos constatar, através de estatísticas, que o índice de fechamento de pequenas empresas tem sido muito grande. É possível apontar como motivos dessas realidades falhas de planejamento e de decisões. Também pode ser por recursos financeiros insuficientes para capital de giro, e muitas vezes inexperiência em gestão empresarial;
  • No Terceiro Setor encontram-se os mais diversos tipos de instituições sem fins lucrativos e os investimentos em projetos sociais desenvolvidos pela iniciativa privada. Este setor,que movimenta bilhões de dólares mundialmente e gera milhões de empregos, tem como objetivo maior tornar a sociedade mais justa economicamente e mais igualitária socialmente.
  • O Quarto Setor é visto como representante da economia informal. Ele não tem preconceito, não discrimina e não provoca exclusão social, profissional, racial, eleitoral, empresarial ou digital. É um setor que desenvolve criativos artifícios para fugir dos impostos, com destaque para o de renda. O Quarto Setor é o que possibilita a realidade do crescimento do “Caixa Dois”. Segundo as últimas estimativas, o PIB dessa economia informal ultrapassa a blhões de dólares. Isto significa que esse é maior do que o PIB de vários países do nosso planeta. Podemos imaginar o que significa em termos de perda da arrecadação tributária, e como consequência, o não atendimento às necessidades dos cidadãos de baixa renda? Isto levando-se em conta que os outros setores executassem as suas funções com presteza.

O Quarto Setor é constituído por um contingente mundial de centenas de milhões de desempregados. São pessoas que fogem e/ou são expelidos da elevada carga tributária. Somando-se a isso uma legislação trabalhista ultrapassada, burocracia excessiva, custos elevados para abertura e fechamento de empresas, ineficiência do Estado, além de atividades que são incompatíveis com uma honestidade contábil. Há um grande destaque para a pirataria de CDs e DVDs, mas isso nada mais é do que um pequeno e palpável grão de areia nesse gigantesco mar econômico da informalidade. Alguns afirmam que o aumento do Quarto Setor é inversamente proporcional à presença da ética em suas atividades. Seria realmente “ele” um Setor proscrito e maldito? Ou é “ele” o Setor que mantém a sociedade sobrevivendo, pelo fracasso na execução dos objetivos, dos três primeiros setores? A verdade é que, questionar a ética no Quarto Setor é redundante se não a encontrarmos nos outros. Precisamos de mais responsabilidade social e de menos hipocrisia.

Mas, voltando ao futebol, quando há efervescência de consumo, na formalidade ou não, a violência começa a perder espaço. É como se o crime pudesse ser vencido – o otimismo torna-se contagiante. E o pior é que, sendo tricolor, sou obrigada a render-me ao bem que o Flamengo nos trouxe pelo seu futebol, pelo menos, no final de semana do hexa.


Opções


Sobre este site

Nos juntamos para discutir os rumos do Brasil. Desejamos resgatar a política como meio de organizar melhor a sociedade e construir um país mais justo para brasileiros e vizinhos da América do Sul.

Saiba mais


Instituto Desemprego Zero

Conheça a história do Instituto Desemprego Zero, suas lutas e conquistas. Neste espaço você encontrará textos, vídeos e entrevistas marcantes da instituição que apóia o Rumos do Brasil.

Saiba mais


Entre em Contato

Quer elogiar, criticar, sugerir, perguntar, corrigir ou informar algo? Este espaço é seu. Sinta-se a vontade para utilizá-lo. Mande a sua mensagem, pois você é o motivo de o Rumos do Brasil existir.

Saiba mais


Direitos Reservados © 2010 Instituto Desemprego Zero

Entre em contato

Esse blog utiliza o WordPress