Quando se fala em reforma tributária, acontece o seguinte: ou o governo quer aumentar os tributos que já existem ou a sociedade quer acabar com os tributos. Na realidade os dois desejos ocorrem simultaneamente. Como o governo saiu na frente e dispõe de prerrogativas para continuar criando novos tributos, fica difícil propor a sua extinção.
Muito embora saibamos que as duas coisas certas na vida são a morte e os tributos, há sempre o desejo da busca de uma forma de nos tornarmos imortais – prá valer e não como membro da Academia Brasileira de Letras – e de extinguirmos de uma só penada todos os tributos.
O senso comum indica que “algum tributo” deve existir, mas não se sabe quantos, qual a sua incidência – se sobre a renda, sobre o consumo ou sobre o patrimônio -, nem sobre o quanto deve ser arrecadado. Não se sabe, também, para qual governo pagá-los, se o federal, o estadual ou o municipal.
Uma coisa é certa: ninguém que pagar tributo algum, mas todos acham que alguém deve pagar. Uns acham que os ricos devem pagar, simplesmente porque são ricos. Outros acham que os pobres devem pagar, porque são eles que se beneficiam do transporte coletivo subsidiado, dos hospitais públicos, das escolas públicas, da previdência social sem terem contribuído, dos programas sociais endereçados aos excluídos, desprovidos, etc., etc.
Enquanto isso, os governos são eficientes, entrando no circuito da renda, retirando de “alguns” e redistribuindo para “outros”. Essa indefinição de quem paga e quem recebe só existe na cabeça dos tolos. Todos, todos mesmo, possuem CPF. Não é CNPJ. É CPF mesmo, pois um CNPJ nada mais é do que um conjunto de CPFs.
Proponho, então, lutar pela extinção dos tributos que incidem sobre a renda, o consumo e o patrimônio do nosso CPF, tributando o dos nossos semelhantes. Assim sobra mais para gastarmos da maneira que mais nos aprouver, com aumento do emprego e da renda e de oportunidades para o resto da sociedade. Faz sentido?
Se você discorda, diga-me lá enquanto é tempo: qual a sua reforma tributária?