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O jornal Valor Econômico do dia 24/11/2009 trouxe uma excelente reportagem de Alex Ribeiro sobre o papel do Banco do Brasil durante a crise financeira do final de 2008. Segundo a reportagem, o papel de emprestador de última instância, tradicional função desempenhada pelos Bancos Centrais em todos os países do mundo, foi exercida pelo Banco do Brasil, o qual socorreu os Bancos Votarantim, Alfa e Safra. Desta forma, imperdiu uma corrida bancária contra os mesmos.

Um trecho interessante da reportagem é o seguinte:

“Em setores do BB, a reação do governo à crise, especialmente do Banco Central, era vista com preocupação. Em janeiro de 2008, o BC dedidira criar um depósito compulsório sobre as captações feitas por bancos por meio das empresas de leasing. Os custos de captação dos bancos, que já vinham subindo, ganharam novo impulso porque em abril o BC começou a subir os juros.

O governo, porém, só acordou de fato para a crise com a quebra do Lehman Brothers. Já na semana seguinte, o BC começou a pedir que o Banco do Brasil comprasse carteiras de crédito dos bancos menores que sofriam ataques. O BB colocou algumas resistências a esse modelo de socorro, argumentando que o papel de emprestador de última instância cabia ao BC.

Nas reuniões internas no governo, o Presidente do BC, Henrique Meirelles, argumentava que não havia segurança jurídica para conceder empréstimos. Meirelles dizia que, se o BC emprestasse a bancos menores, ‘seria processo judicial na certa’, afirmou um funcionário do BB que acompanhou as discussões no governo. ‘Mas ele achava OK que os dirigentes do Banco do Brasil corressem os riscos judiciais’.

Essas revelações acrescentam mais um fator importante a já imensa lista de erros que o BCB cometeu na gestão da crise financeira, como argumentei recentemente em artigo apresentado no VI Fórum de Economia de São Paulo. Pelo visto, nem mais a função de emprestador de última instância a autoridade monetária brasileira quer exercer, tendo optado por “terceirizar” a mesma durante a crise financeira de 2008. O papel do BCB se limita a descobrir novos (ou velhos) motivos para aumentar a taxa básica de juros… Espero que o próximo Presidente da República tenha a coragem de mudar radicalmente a governança da política monetária no Brasil.


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