Energia na Nova Era 24/11/2009
A Petroquímica brasileira necessita de nova reestruturação
Negociação sobre fusão das duas gigantes do setor petroquímico atuantes no Brasil vem ocorrendo de forma acelerada e pode se dar até dezembro deste ano. Se Petrobrás adquirir a Quattor, país se beneficiará com o não monopólio do setor.
As participações industriais do governo brasileiro existentes no início dos anos 90 foram privatizadas de forma equivocada. Particularmente, a privatização das petroquímicas cometeu dois erros graves: excluiu a Petrobras de uma participação maior em um setor umbilicalmente ligado a seu negócio principal, tornando-a a única dentre as grandes petrolíferas mundiais ausente da petroquímica, e manteve a estrutura empresarial pulverizada originada pelo modelo tripartite. A reestruturação petroquímica, com formação de grandes empresas e verticalização da produção, foi iniciada sem a participação do governo, a partir da venda dos ativos petroquímicos do grupo Econômico como parte do processo de liquidação do banco. Ironicamente, por iniciativa do grupo que havia sido o grande inspirador da forma equivocada das privatizações, a Odebrecht.
Os equívocos vêm sendo repetidos no Comperj, refinaria química e central petroquímica que a Petrobras vem desenvolvendo no Rio de Janeiro. Mais uma vez se repetem os problemas decorrentes de falta de capitalização dos grupos privados, que não se interessam em participar da refinaria, limitando seu interesse às unidades de segunda geração. E mais uma vez se construirá um pólo petroquímico não verticalizado, constituído de uma central e diversas unidades de segunda geração empresarialmente separadas.
Por outro lado, entendimentos entre a Braskem e a Quattor, no sentido da incorporação da segunda pela primeira, formaria um monopólio das principais resinas termoplásticas, o polietileno e o polipropileno, além da posição dominante já detida pela Braskem no PVC.
A configuração ideal da nova petroquímica brasileira seria uma volta clara e aberta da Petrobras ao setor, com a aquisição da participação da Unipar na Quattor, e saída, em bolsa, da Petrobras do capital da Braskem. Isso evitará o monopólio da Braskem, formando duas petroquímicas brasileiras de porte internacional, e tecnologicamente competentes e inovadoras.
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Este artigo foi originalmente publicado na revista “Custo Brasil – Soluções para o desenvolvimento”, em agosto de 2009.