Artes e Cidadania 22/11/2009
Educação além da estética C2C
Na opinião dos idealizadores do Protocolo ‘Berço a Berço’ (Cradle to Cradle – C2C Protocol), o capitalismo passa por uma nova revolução industrial, modificando o atual sistema produtor de poluições e desperdícios em outro que celebra as abundâncias naturais, econômicas e culturais do planeta (ver www.mbdc.com).
Fundamentalmente, a abordagem C2C é uma concepção elaborada pelo design industrial, convergindo diversas áreas de conhecimento como Economia, Ecologia, Administração, Nanotecnologia, Bioengenharia e Bioquímica, na busca de ‘produtos limpos’ comprometidos com a saúde humana e a preservação ambiental. Para o planeta, isto poderá significar a manutenção de ecossistemas naturais com a redução dos lixões e aterros sanitários, dos oceanos de plástico e da contaminação dos lençóis freáticos. O ser humano será beneficiado, pois então sobre nós não mais estarão agentes cancerígenos, teratoses, mutações genéticas, distúrbios hormonais, disfunções químicas nem esterilidade, stress, depressão, doenças de pele e demais patologias providas pela sociedade poluidora contemporânea. E, a frente de todo este processo inovador, encontraremos empresas com iniciativas do selo C2C. Ex.: Herman Miller, Victor Innovatex, Nike, Basf e Ford.
De acordo com William McDonough e Michael Braungart, principais mentores do conceito C2C, há de fato a oportunidade para reinventar totalmente o mundo, não só ao modificar o ciclo dos produtos industriais, mas ao propor espaços urbanos onde as construções sejam ecologicamente sustentáveis e integradas, assim como florestas. Fora os devaneios futuristas, este novo paradigma de design arquitetônico promove plantas produtivas, paisagens, casas, prédios e ruas senão ‘verdes’, menos ‘cinzas’. Sairá do design industrial uma nova Biosfera?
Fato é que as grandes cidades brasileiras necessitam de uma ‘intervenção’ urbanística. Iniciativas do selo C2C ainda nos são muito caras, pois a linguagem do design preza por elevados valores módicos também. Assim, poderíamos atribuir aos recursos gerados pela exploração do petróleo pré-sal mais uma nobre tarefa: o redesenho urbano. Para isso, há uma bagagem cognitiva de experiências e centros de pesquisas com cientistas dispostos a pensar novos espaços, levando em consideração o respeito à vida. O fator diferencial seria o papel da educação estética da população enquanto principal agente da transformação arquitetônica. Com relação ao aspecto econômico, a criação de novos empregos na reconstrução urbana formaria um ciclo Educação-Renda e a abordagem cultural, seu elemento multiplicador.
À favelização e à marginalização das periferias, já existem respostas assistencialistas. Contudo, ao problema urbano atual imagino então uma abordagem em outra dimensão da ação. O excedente econômico, que em geral é transformado em consumo conspícuo, ganhará novos canais de circulação antes de ser acumulado em forma de riqueza. Este é o segredo petista para o sucesso internacional do governo Lula: expandir as bases sociais do processo de circulação monetária. Vide as políticas de transferência de renda. Aplicando-o à concepção crítica de políticas públicas temos: ampliar as bases sociais do próprio processo de transformação social. E, o redesenho urbano interagindo cultura e geração de renda certamente será um diferencial importante na celebração humana das abundâncias naturais do planeta.