Geralda Magela da Fonseca, conhecida carinhosamente como “Irmã Geraldinha”, uma freira da igreja Católica, vem sofrendo constantes ameaças de morte. O motivo são as suas atuações junto a Pastoral Libertadora em defesa dos sem-terra da região do Vale do Jequitinhonha, no município de Salto da Divisa – MG. Para piorar, as ameaças estão se intensificando e outros membros do acampamento também vem sendo ameaçados.
Irmã Geraldinha se dedica à luta pela reforma agrária desde 2006. Juntos, eles pressionam o Governo pela desapropriação da fazenda Monte Cristo por não cumprir a sua função social, uma vez que é improdutiva.
Pessoas próximas à freira dizem que os principais suspeitos das ameaças são os proprietários da fazenda em questão. Um dos donos das terras é, inclusive, o prefeito de Salto da Divisa.
Irmã Geraldinha registrou o primeiro Boletim de Ocorrência (B.O.P.C. 033/2008) em 7 de novembro de 2008. Neste dia ela foi advertida, por telefone, de que não deveria mais se dirigir ao acampamento do MST. Segundo o ameaçador, pessoas suspeitas aguardariam-na na estrada de acesso ao acampamento para espancarem-na e quebrarem seu pescoço.
As palavras da Irmã Geraldinha, ao ser interrogada por um policial, foram:
“Fico uma parte de meu tempo no Acampamento Dom Luciano ajudando o povo a organizar projetos e atividades produtivas, educativas, religiosas. Convivo com ele, pois são meus irmãos em Cristo. Não posso deixá-los desamparados… Ajudo no que posso para que eles tenham mais conhecimentos para defenderem seus direitos. São pessoas simples que sempre sobreviveram nas fazendas, foram empurradas para a cidade e hoje, no Acampamento Dom Luciano, estão tendo oportunidade e esperança para continuar sua profissão de agricultor. Não tiveram oportunidade de estudar, muitas vezes não sabem dos direitos que têm. Juntos aprendemos a viver melhor, eles com a sabedoria do campo e eu fazendo o que posso.”
Não há como não relacionar o caso com o assassinato da freira Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. A missionária norte-americana, que na época tinha 73 anos, morreu por lutar pela defesa dos trabalhadores rurais em Anapu – PA.