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A comunicação globalizada, transmitida em tempo real, acelera a constatação mundial  sobre a variabilidade espaço-temporal das condições ambientais, sociais e econômicas, gerando incompreensões na sociedade sobre as desigualdades: financeiras, filosóficas e humanas, o que contribui para conflitos crescentes e diversificados, principalmente nas grandes cidades.

Criar um “Processo Civilizatório” eficiente e justo é a síntese da necessidade do homem contemporâneo. Esse “Processo” exige uma reflexão urgente e constante do que somos e para onde vamos, sabendo que não há outra nave de sobrevivência além desse planeta, que é finito e limitado.

 Conhecer a dinâmica dos limites sustentáveis e tentar combater os impactos destrutivos têm sido a contra partida das ciências, tecnologias e culturas de todos os saberes, mas a divulgação das melhores soluções ainda é precária e imprópria para efetivar um relacionamento cooperativo e verdadeiramente democrático entre os povos, nações, empresas e pessoas.

O relacionamento civilizatório necessário não se efetiva simplesmente através de redes virtuais de comunicação, menos ainda por critérios de autoritarismo de força ou poder financeiro governamental ou empresarial, devemos sim aumentar e qualificar os espaços e as atividades de convivência para que haja melhor capacitação da sociedade para analisar o presente e refletir sobre o futuro. Nesse sentido, o maior evento internacional em pauta será a próxima Expo Mundial de Shanghai 2010, que terá cerca de 70 milhões de visitantes e mais de 200 mega expositores entre países e empresas globais.

Essa será sem dúvida uma exposição mundial especial, pois a China, que é a grande locomotiva internacional contra a crise financeira, sediará em Shanghai, De 1 de maio até 31 de outubro, espaços equivalentes a 5,28 km² para as grandes empresas e os governos apresentarem suas propostas operacionais e reais para o enfretamento da crise ambiental, pois o tema principal será “better city – better life”.

A proposta muito bem apresentada num documento de 432 páginas (http://www.expo2010.cn/) reflete por que a China ganhou e vai sediar a próxima EXPO-MUNDIAL.  O tema principal condiciona que cada país deverá apresentar suas soluções para melhorar a vida de todos com responsabilidades ambientais efetivas sobre um planeta  cada vez mais urbano e industrial, mas que tem a sua sustentabilidade dependente das áreas naturais ou manejadas de produção agro-florestais, pecuárias, pesqueiras e minerais.

Desde modo o evento polarizará a sustentabilidade das cidades, quando mais de 200 países e mega empresas apresentarão seus resultados e propostas das dinâmicas de oferta e demandas.  Portanto deverá haver também um efeito multiplicador sobre a reorganização dos usos e consumos dos recursos naturais nacionais, através da apresentação de políticas públicas e privadas localizadas. Nesse contexto vários eventos científicos, tecnológicos, sociais, econômicos e políticos se realizarão durante o evento dentro de cada pavilhão nacional e no pavilhão principal, podendo a síntese dos resultados desses encontros gerar novos rumos para uma melhor responsabilidade ambiental localizada.

O Brasil com um pavilhão de 2.000m² terá espaços diversos para apresentação de suas políticas, culturas e propostas de desenvolvimento sustentável, entretanto ainda há pouca divulgação do evento e menos ainda do foco sobre o tema principal, que deve orientar a EXPO. Acreditamos que isto será resolvido em breve através da eficiente coordenação da Agência Brasileira de Promoções de Exportações e Investimentos (APEX), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e efetivo envolvimento de vários setores nacionais e sociedade civil brasileira organizada. 

Será importante que a Expo possa, além da feira de oportunidades comerciais, também multiplicar e consolidar seus resultados em compromissos favorecendo mecanismos transformadores necessários para uma maior cooperação e menos competição internacional.

Poderá ser um marco para que o Brasil possa demonstrar sua capacidade de estabelecer e apresentar políticas estruturantes e propostas de relações integradas e equilibradas entre produção, industrialização e comércio de recursos naturais. Desde modo será muito importante a participação das instituições de pesquisa, universidades e organizações associadas a órgãos governamentais nacionais, como por exemplo: IBGE, EMBRAPA, INPA, INPE e outros, que representam meios públicos da estabilidade técnica para investimentos internacionais de médio e longo prazo. Evidentemente será importante também a apresentação das mega empresas energéticas e petrolíferas, como a Eletrobrás e Petrobrás.

Por outro lado, deve ser também caracterizada a estrutura republicana nacional que condiciona a responsabilidade e gestão localizada dos estados e municípios sobre seus espaços rurais, industriais e urbanos, onde estão as mega cidades, que são direta ou indiretamente a origem e o destino dos impactos que causamos ao planeta.

A experiência acumulada nesse evento, quando o Brasil se retratará durante seis meses para o mundo, poderá contribuir para criarmos oportunidades de reflexão e encontro entre o racionalismo técnico-científico com um sentimento cultural transformador, objetivando gerar soluções de vanguarda no rumo de um progresso sustentável, cooperativo e de melhor qualidade de vida para todos. O sucesso do conjunto de nossas apresentações e atividades de relacionamento internacional poderá melhorar as práticas de cooperação multinacionais e principalmente aproximar o Brasil da China, consolidando e ampliando intercâmbios culturais, científicos e comerciais a partir da Expo Shanghai 2010.


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