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Sob o ponto de vista ecológico, qualquer linha de pensamento econômico não tem um padrão de medida comum para valorar as externalidades e conceber políticas de desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental. Por isso os economistas ficam sem teorias de valor e suas avaliações são tão arbitrárias que não podem servir de base para políticas ambientais.

Ao crescer a consciência ecológica, a avaliação econômica se torna uma pequena ilha que apenas flutua num mar de externalidades invaloráveis. Por outro lado, as políticas ambientais não podem basear-se unicamente em uma pretendida razão ecológica. A ecologia, sob o ponto de vista econômico, não pode explicar as diferenças de produção e consumo de energia e materiais (nada irrelevantes para a questão ambiental), ou interpretar a distribuição territorial e desigualdades sociais, espaciais e temporais da espécie humana no uso dos recursos naturais.

Como, então, relacionar a economia e o meio ambiente? Em contraste com a rica diversidade de proposições criativas de políticas ambientais, poucas são as análises das condições objetivas de suas execuções. Uma determinada concepção de desenvolvimento sustentável requer profundas mudanças institucionais que se chocam com a atual lógica econômica neoclássica de defesa (insana) do Estado Mínimo, de acumulação fictícia do capital e de seus padrões de produção e consumo correspondentes.

Na abordagem do meio ambiente existem duas correntes básicas de pensamento econômico, a Economia Ambiental e a Economia Ecológica. Para a Economia Ambiental, a escassez de um recurso natural ou serviço ambiental pode ser solucionada pela elevação dos preços, como em qualquer situação de escassez de oferta frente à demanda. A partir da suposição de que os mecanismos de mercado podem falhar na valoração direta de bens públicos não transacionáveis em mercados, a Economia Ambiental introduz, como uma de suas ferramentas metodológicas, o conceito de “disposição a pagar”, via enquetes oficiais, à medida que a escassez ambiental aumenta.

A Economia Ecológica assume como primeiro valor, o Princípio de Precaução, que se caracteriza pela adoção antecipada de medidas contra fonte potencial de danos, sem esperar certezas científicas de causa-efeito da atividade. Para essa corrente, a racionalidade econômica também envolve valores culturais e sociais, o que demanda profundas mudanças institucionais, novos instrumentos econômicos e inovadoras metodologias de valoração indireta de serviços ambientais, indo além da abordagem microeconômica.

O conceito de produção econômica associado à prestação de serviços ambiental simboliza o segundo valor da Economia Ecológica. A busca do desenvolvimento sustentável não deve primar pela dicotomia entre economia e meio ambiente, mas tomar o último como variável do primeiro. Novos modos produtivos sob uso sustentável dos recursos naturais devem ser propostos, o que impõe ampla atribuição à ciência e tecnologia para balizar os processos de desenvolvimento. Para a Economia Ecológica, não se pode abdicar do desenvolvimento econômico, mas desencadeá-lo a partir de novas bases.

Nesse sentido, instrumentos econômicos (como o crédito público) devem ser reestruturados de forma integrada à legislação ambiental, de modo a promover processos produtivos que garantam a substituição gradativa de recursos naturais não renováveis por recursos naturais renováveis; uso dos recursos naturais renováveis dentro da capacidade do meio ambiente de renová-los; geração de resíduos de produção e consumo dentro da capacidade de assimilação do meio ambiente. Para isso, é mais salutar que a valoração dos serviços ambientais sejam dados a partir da leitura dos custos de oportunidade de mudanças qualitativas de uso da terra e dos recursos naturais. Ou seja, a produção econômica deve ser associada à prestação de serviços ambientais.

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