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Na medida em que o círculo vicioso entre setor financeiro e economia real se intensificou, as análises prospectivas mais pessimistas para a economia americana e global se tornaram realidade. As projeções para o crescimento econômico nos próximos anos são revisadas novamente para baixo.

Até o último trimestre de 2008, a crise estava localizada no setor financeiro de alguns países, com alguns efeitos adversos sobre a economia real localizados nos países mais ricos, devido a restrições no mercado de crédito. Porém, ainda não afetava seriamente os países emergentes. A partir de setembro do ano passado, o mercado financeiro entrou em colapso, a crise financeira evoluiu para uma crise de confiança e ganhou proporções globais.

Países emergentes, até então vistos como um porto seguro em meio às turbulências, começaram a ser atingidos pelo aumento da aversão ao risco e pela desalavancagem das grandes instituições financeiras internacionais, através da redução dos capitais externos disponíveis e pressões nos mercados de câmbio.

No Brasil não foi diferente. Antes da intensificação da crise, as projeções dos analistas coletadas pela pesquisa FOCUS do Banco Central para o crescimento do PIB em 2009 registravam média de 4%. Desde então, as projeções estão sendo constantemente revisadas para baixo. Em dezembro de 2008, a mediana esse indicador era de 2,35%. No final de março passou a ser negativa. Em 17/04, atingiu o seu nível mais baixo: -0,49%. Na última semana (24/04), as projeções voltaram a subir, registrando -0,39% na mediana.

 Fonte: Banco Central do Brasil

Diagnóstico do FMI: recuperação será lenta

Recentemente, o FMI divulgou o “World Economic Outook”, publicação trimestral que representa um raio-X da economia global, na qual a conjuntura da economia mundial é avaliada e análises sobre questões e desafios do momento são feitas. As conclusões da publicação não são nada animadoras:

  • O mundo atravessa a pior recessão do período pós-guerra;
  • A recuperação será lenta e moderada, característica inerente a recessões financeiras e sincronizadas globalmente;
  • A reversão do movimento contracionista da economia depende do restabelecimento da estabilidade financeira e de políticas fiscais e monetárias de estímulo a demanda agregada;
  • Para o curto prazo, as perspectivas são precárias: o PIB mundial deve contrair 1,3% em 2009, com as economias desenvolvidas recuando -3,8% e emergentes crescendo 1,6%, com contribuição positiva da China e Índia. Em 2008, a economia mundial havia crescido 3,2%, com desenvolvidos e emergentes crescendo, respectivamente, 0,9% e 6,1%.

Para a América Latina, o relatório ressaltou que, comparado ao o que ocorreu em turbulências passadas, a maioria dos países estão enfrentando a crise relativamente bem. Mesmo assim, o PIB da região deve se retrair 1,5% em 2009. O Brasil, de acordo com o relatório, terá desempenho acima da media da região, com queda de 1,3%.

Brasil se torna credor do FMI

A necessidade de uma ação coordenada entre os líderes mundiais para enfrentar a crise ficou clara durante a última reunião do G-20 em Londres. Um dos resultados mais importantes da reunião foi a decisão de aumentar a capacidade de empréstimo do FMI para que a instituição possa ter mais munição em resposta à crise.

Os líderes do G-20 concordaram em triplicar as reservas do FMI para US$750 bilhões e aumentar a emissão de SDR (direitos especiais de saque, da sigla em inglês) em US$ 250 bilhões. Dessa forma, o FMI terá condições de emprestar grandes quantias para países emergentes em crise de balanço de pagamentos, sem reservas próprias para fazer frente às saídas de capitais. Os países da Europa Oriental são os primeiros candidatos. Somente o México já solicitou uma linha de crédito preventiva de US$ 47 bilhões.

Para aumentar as reservas, Japão e União Européia irão disponibilizar US$ 100 bilhões cada. O Brasil também se dispôs a aplicar parte de suas reservas no FMI, podendo chegar ao montante de sua cota na instituição, de US$ 4,5 bilhões.  Esse valor representa cerca de 2,5% do total de reservas internacionais do Banco Central do Brasil.

Os países emergentes ganharam maior importância na economia mundial na última década, o que ficou claro durante a reunião do G-20, de forma que os líderes presentes também concordaram em rever o sistema de cotas até 2011, que determina a representatividade dos seu 185 membros, para que os emergentes ganhem maior espaço dentro da instituição.

Brasil deve ultrapassar a média mundial em crescimento do PIB

Mesmo que as projeções atuais se confirmem e o PIB brasileiro apresente crescimento negativo, o desaquecimento da economia brasileira deverá ser mais moderado do que a média mundial. Em diversas crises passadas, o Brasil quebrou e teve quer recorrer ao FMI para financiar a dívida pública e seu balanço de pagamentos. Dessa vez, o país poderá se tornar credor da instituição. O que mudou?

No passado, o país apresentou grande vulnerabilidade a choques externos. A dívida publica foi fortemente indexada ao dólar e a necessidade de financiamento externo, elevada. Hoje, acumulamos reservas e somos credores em dólar, e apesar da queda das receitas com exportações, as importações apresentaram recuo maior e o déficit em transações correntes caiu em relação ao ano passado.

Além da redução do passivo externo, hoje a dinâmica da dívida pública federal é benigna. Ao contrário de crises passadas, a dívida líquida do setor público em relação ao PIB caiu com a alta do dólar. Ao mesmo tempo, com a Selic em queda, os juros incidentes sobre a dívida serão menores. Esses fatores tornam o efeito da provável redução do superávit primário proveniente da queda da arrecadação fiscal menos nocivo.

A dinâmica do atual ciclo econômico está na demanda doméstica. Apesar do crescimento das transações de comércio com o resto do mundo, o fluxo de comércio internacional como proporção do PIB é baixo, quando comparado a outros países emergentes. Desta forma, o impacto da redução da demanda externa por produtos brasileiros e da queda dos preços das commodities será amortecido pela demanda interna ainda robusta. Apesar do tombo da indústria e da queda dos investimentos nos últimos meses, o consumo apresenta desaceleração moderada. Os setores de varejo e de serviços pessoais foram menos afetados, salvo aqueles fortemente dependentes do crédito.

E por último, o rápido aumento do excesso de capacidade ociosa e ajuste dos estoques reduzem as pressões inflacionárias enquanto a demanda interna estiver em desaquecimento, dando mais folga para a política monetária.


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