Reagindo à Crise Mundial 23/10/2009
Pelo ataque ao alto desemprego
OIT estima que índices de emprego só serão retomados em dois ou três anos após recuperação das economias. No Brasil, o quadro não é diferente.
A crise financeira mundial chegou ao fundo do poço, mas não existe nenhuma indicação segura de que uma recuperação forte tenha se iniciado. Depois de uma contração, este ano, superior a 2% nos Estados Unidos, 4% na União Européia e 6% no Japão, a retomada em 2010 tende a ser lenta e fraca, em razão sobretudo da virtual paralisia dos empréstimos bancários nos países ricos, tanto para a produção e comercialização, quanto para o consumo.
O impacto da crise financeira e de demanda nos mercados de trabalho é brutal. A taxa de desemprego nos países ricos está em torno de 10%. A estimativa da OIT (Organização Internacional do Trabalho) é que a recuperação do emprego só se dará dois ou três anos depois da recuperação plena das economias. Contudo, no bloco econômico mais poderoso do mundo, a União Européia, as estimativas otimistas são de um crescimento de apenas 0,3% em 2010.
A China e a Índia são os dois únicos países do mundo que terão forte crescimento este ano, de 8% e 6%, e que projetam mantê-lo. Contudo, há poucas semanas o Conselho de Estado determinou moderação em setores que estão produzindo em excesso, como a construção civil e a siderurgia. Neste último caso, os preços de exportação do aço foram reduzidos, acendendo uma luz vermelha na Índia sobre a possibilidade de dumping chinês no mercado do aço, já que produz mais de 500 milhões de toneladas por ano. Para o Brasil, isso é péssima notícia.
O Brasil estancou a crise em seu início, logo depois do susto com uma contração da economia de 3,6% no último trimestre de 2008 e de 1,5% no primeiro trimestre deste ano. O tsunami externo foi domado como marolinha graças, sobretudo, a políticas de estímulo fiscal, já que do lado monetário, por um erro de avaliação, o Banco Central chegou a aumentar a taxa de juros depois de configurada a crise, e não a reduziu suficientemente depois disso.
Após fevereiro, as medidas fiscais, no Brasil, seguraram o emprego, que havia desabado em dezembro e janeiro. As perdas de postos de trabalho vêm sendo recuperadas mês a mês, porém não com o vigor suficiente para cobrir a brecha das demissões provocadas no auge da crise e ao mesmo tempo atender à entrada de 1,8 milhão de jovens, anualmente, no mercado de trabalho. Este quadro reflete o baixo crescimento da economia este ano, em torno de 0%.
Há um excesso de otimismo quando se fala em crescimento de 3% ou mais no próximo ano. Na ausência de novas medidas fiscais, isso será improvável. Neste ano contamos com importantes estímulos do lado da demanda: aumento do salário mínimo, beneficiando diretamente milhões de ativos e inativos; aumento do bolsa família; desoneração das vendas de automóveis e de linha branca; ampliação do financiamento habitacional; aceleração do PAC.
Houve uma saudável queda do superávit primário, que ajudou a financiar esses gastos. Em 2010, a maior parte dos estímulos estará esgotada. Além disso, mesmo que o câmbio ajude, o quadro externo de estagnação não ajudará. Ainda contaremos com a China para importar nossas commodities, mas o melhor que pode acontecer é que mantenha as encomendas atuais – o que não contribui para crescimento. Será o momento, assim, de o Governo pensar num programa de estímulo com real impacto na economia, no desemprego e, por tabela, na regeneração das condições de vida nas periferias metropolitanas. É o Programa de Emprego Garantido/Trabalho Aplicado.
